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Sergipe

29/12/2015


Sergipe tem 1,54 médico para cada mil habitantes

Sergipe conta com 3.382 médicos registrados, o que corresponde a 1,54 médicos para um grupo de 1.000 habitantes. Desse total, 202 estão no interior do Estado e 3.098 na capital. Os dados fazem parte de um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), visando realizar um diagnóstico sobre a situação médica do país.

A idade média total dos médicos atuando em Sergipe é 45,8. No Estado, ainda segundo a pesquisa, são 1.079 médicos generalistas e especialistas 1.883. Dos especialistas, 312 são clínica médica, 275 ginecologia e obstetrícia e 300 pediatras. O estudo mostra ainda que 60% dos médicos estão à disposição de 30% da população que vive nas maiores cidades brasileiras.

A distribuição geográfica irregular de médicos não é um problema apenas do Brasil. Evidências empíricas mostram que a qualidade de vida, lazer, distância até as áreas centrais das cidades, renda média e existência de um hospital, dentre outras variáveis, são significativas para explicar a probabilidade de pelo menos um médico estar presente em determinada localidade.

O estudo aponta ainda que não existem respostas únicas, nem mesmo sustentáveis de longo prazo, para garantir a presença de médicos em regiões desassistidas. Vários países têm adotado medidas combinadas para incidir desde a formação inicial do médico, passando por recrutamento, fixação e manutenção no local do trabalho.

O trabalho científico revela que o aumento do número de mulheres na profissão médica – levanta nuances sobre o perfil e o volume de atividades profissionais, a escolha de especialidades e de locais de trabalho, mas também expõe desigualdades de gênero na remuneração e em relação a áreas da medicina que permanecem fechadas para as mulheres.

De acordo com o estudo, a média de idade dos médicos vem caindo. O número de médicos especialistas titulados aumentou no Brasil, conforme mostra o levantamento, que também traz a distribuição desses profissionais, tanto geograficamente quanto entre as 53 especialidades reconhecidas. O crescimento do efetivo de médicos com especialização está ligado à melhoria da captação de dados, mas também pode ser reflexo das políticas de expansão de programas e vagas de Residência Médica.

Não há modelo teórico ou científico de consenso para analisar a suficiência e prever a necessidade de médicos, sendo difícil a resposta sobre a quantidade de médicos que cada localidade do país precisa em cada especialidade. Mas a ocupação heterogênea, e por vezes transitória, dos médicos entre as especialidades acrescenta dimensão de desigualdade na distribuição de profissionais com repercussões atuais e futuras para o sistema de saúde.

Privatização

No estudo, a remuneração e as condições de trabalho aparecem como os principais fatores que levariam os médicos a se fixar em um local de trabalho. No setor público, o hospital é o local de trabalho mais frequente, e também são importantes, na ocupação profissional, os postos de trabalho na atenção primária em saúde. Mas é baixa a presença de médicos na atenção secundária e especializada do SUS.

No setor privado, embora o exercício liberal venha perdendo espaço, 60% dos médicos ainda trabalham em consultório próprio ou em clínicas privadas. Estes resultados apontam para desafios às iniciativas de reorientação do modelo assistencial, da organização e da oferta de serviços de saúde no Brasil.

Outra tendência verificada é a da “privatização” da atuação do médico. A maior participação de médicos no setor privado pode ser reflexo também do desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) e do processo de privatização da saúde, que consiste na transferência das funções e responsabilidades do setor público, completamente ou em parte, para o setor privado.

Dentre 40 países comparados, o Brasil é o oitavo com a menor taxa de médicos por 1.000 habitantes, sempre ressaltando que os dados gerais por país não consideram a distribuição desigual nos territórios nem a distribuição de médicos no interior dos sistemas de saúde. Nesse sentido, a utilização de outros indicadores de demografia médica, como médicos diplomados por 100 mil habitantes, porcentagem de médicos com 55 anos ou mais, porcentagem de mulheres médicas, presença de generalistas e especialistas, dentre outros, permitiram, neste estudo, ampliar as possibilidades de comparação do Brasil com diferentes países.

Jornal da Cidade 

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