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Piauí

17/08/2016


Serra da Capivara pode fechar e Niéde deve deixar parque

O Piauí foi abençoado com o Parque Nacional da Serra da Capivara, mas o local, que torna o estado conhecido mundialmente por ser o ‘berço do homem americano’, pode fechar as portas em breve. O problema já é conhecido, falta de dinheiro, mas o caso chegou ao seu extremo após a informação de que a arqueóloga Niède Guidon teria comunicado à Unesco, organização para a educação, ciência e cultura nas Nações Unidas, que deixaria as atividades do parque.

A ‘gota d’água’ foi o bloqueio de quase R$ 1 milhão pelo Tribunal de Contas da União (TCU), porque o não houve interesse do Governo Federal em manter oficialmente o convênio com a fundação, resultado no bloqueio do dinheiro, que está depositado na Caixa Econômica Federal.

Há quase 40 anos Niède criou a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) com o objetivo de preservar o acervo histórico e cultural do parque. Em 1991, a Unesco inscreveu o Parque Nacional Serra da Capivara na lista do Patrimônio Mundial, a título cultural, em razão da importância dos registros rupestres existentes nos seus sítios arqueológicos.

Mas nos últimos anos, por falta de recursos, tem funcionado em situação precária. Dos quase 300 funcionários que já teve, operava ultimamente com cerca de 30, que tiveram as demissões anunciadas após atrasos nos salários. Niède chegou inclusive a pagar salários do próprio bolso.

O parque recebia recursos do Governo Federal, através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que tinha um convênio com a Fumdham .

O Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, esteve na Serra da Capivara este ano e garantiu os investimentos necessários para manter o parque funcionando, mas não foi o que aconteceu. Meses depois sequer a manutenção do convênio com a fundação foi providenciado, que fez a situação se agravar.

GRAVES CONSEQUÊNCIAS

O parque já funcionava com menos guaritas do que eram necessárias para manter a segurança do parque e proteção dos registros históricos. Com a demissão dos funcionários existentes, a Serra da Capivara pode deixar também de receber turistas já nesta quarta-feira (17/08), pois não há como fazer o acompanhamento dos visitantes. O pior de tudo é que as décadas de trabalho para preservar o local podem ser jogados fora por falta da manutenção da estrutura.

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ICMBIO DIZ QUE VAI RESOLVER

Através de nota enviada à imprensa, o instituto afirma que tem interesse em manter o convênio e que procura resolver a pendência que causou o bloqueio do recurso. Confira a nota:

Sobre notícias veiculadas a respeito do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pela gestão das unidades de conservação (UCs) federais, esclarece-se que:

1 – O órgão reconhece a importância estratégica da parceria com a Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) na gestão do parque e tem total interesse na manutenção da cooperação histórica. Em que pese os esforços impetrados para a renovação da parceria, os recursos na ordem de R$ 969 mil, oriundos de compensação ambiental e destinados à renovação da parceira, estão bloqueados na Caixa Econômica Federal por decisão de acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU).

2 – Logo que essa pendência venha a ser resolvida, o repasse dos recursos será feito. Enquanto isso, o ICMBio buscará garantir as condições de funcionamento da unidade de conservação.

A direção do ICMBio

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL NEGATIVA

Não é a primeira vez que o Piauí ganha repercussão negativa com o fato de não haver interesse do poder público em manter o local. Se estivesse localizado em outros país, o grande potencial turístico seria bem utilizado, tanto pelas belezas naturais, como pela importância histórica.

Sites nacionais exibiram em seus destaques o fato de que por fata de dinheiro, o parque poderia fechar a qualquer momento.

180 Graus

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