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Tecnologia

03/02/2016


Serviço de streaming musical cresce no Brasil e combate a pirataria

Exclusivo Nordeste

Por Pedro Callado

A chegada da internet foi um golpe duro para a indústria musical. A possibilidade de fazer downloads de discos completos sem ter que pagar um centavo sequer colocou em xeque a existência das lojas de discos e balançou as pernas das gravadoras.
As lojas fecharam, mas as gravadoras sobreviveram. A indústria se adaptou e a venda de álbuns continuou na plataforma digital. Entretanto, não foi suficiente para combater a pirataria. Comprar discos ficou caro, ainda mais se comparando a possibilidade de ouvir musicas de graça. Foi aí que os serviços de streaming aproveitaram a oportunidade e tornaram-se a concorrência da pirataria.
O streaming é um sistema de transmitir áudio ou vídeo pela internet sem a necessidade de baixar o arquivo para o computador. Alguns exemplo de serviço de streaming mais populares são Spotify, Deezer e Apple Music.
O Deezer conta com 6,3 milhões de usuários pagos em todo o mundo. O serviço francês foi um dos primeiros a chegar no Brasil. A companhia oferece duas opções de contas Premium e ainda a conta Discovery, que é gratuita mas tem algumas limitações. Recentemente o Deezer lançou a opção de podcast dentro do aplicativo, o recurso permite que os usuário escutem programas de rádio e transmissões ao vivo. A novidade é uma tentativa do programa de enfrentar a concorrência que tem adquirido um número maior de usuários.
Sem dúvidas, o mais conhecido e utilizado é o Spotify. Segundo os últimos números divulgados, a empresa conta com aproximadamente 75 milhões de usuários em 58 países, sendo que desse total 20 milhões utilizam a conta Premium, pagam uma mensalidade pelo direito de ouvir músicas sem propagandas e sem a necessidade de conexão com a internet.
O Spotify foi fundado na Suécia em 2006. No Brasil o serviço funciona desde maio de 2014 e ainda é pequeno se for comparado ao alcance na Europa e nos Estados Unidos, mesmo assim já representa uma fatia considerável no mercado de musica digital. Segundo a direção geral do Spotify na América Latina, o download de músicas digitais ainda é maior do que o número de streamings, mas o serviço vem crescendo é a tendência é ultrapassar, como já aconteceu na Europa e nos EUA.
Mesmo assim, o Spotify afirma que a maior concorrência não são outros serviços de musica digital, mas a própria pirataria. Por isso a empresa oferece, de forma ilimitada, a versão gratuita, de forma que estimule o usuário a abandonar a pirataria e conhecer o modelo do streaming, permitindo que ele valorize aquele produto e queira se tornar um usuário Premium.
Isso causou uma certa polêmica e alguns artistas afirmam que o Spotify não paga de forma justa. A cantora norte-americana Taylor Swift, por exemplo, decidiu retirar todo o seu acervo do serviço de streaming por ser contra a oferta gratuita das músicas. Por mais que a atitude da cantora tenha causado um certo burburinho, o movimento dela não foi seguido por praticamente nenhum dos grandes artistas mundiais. No Brasil, o diretor-geral Gustavo Diament pondera: “esse foi um caso isolado, ela fez isso e aqui o Roberto Carlos decidiu liberar todo o seu acervo”.
Para bater de frente com o Spotify uma gigante americana decidiu lançar o seu próprio serviço, o Apple Music. O serviço foi lançado em mais de 100 países no dia 1º de junho. Atualmente conta com 6,5 milhões de usuários pagos em todo o mundo, mas como o serviço permite um período de três meses gratuitos para novos assinantes, é possível que esse número aumente consideravelmente em pouco tempo. Taylor Swift, aliás, teve um papel de destaque para a Apple. Já conhecida por boicotar o Spotify, a cantora divulgou uma carta aberta para a empresa americana explicando que não iria divulgar seu novo álbum no serviço porque discordava da forma de pagamento para os artistas durante os meses de gratuidade. Em menos de 24h a Apple se reuniu e decidiu mudar a forma de pagamento. Acidentalmente ou não, a cantora country-pop gerou um bom marketing para a Apple que ficou no holofotes da imprensa internacional durante o episódio.

Usuários pagos no mundo
Spotify 20 milhões
Apple Music 6,5 milhões
Deezer 6,3 milhões
Pandora 3,9 milhões
Rhapsody 3 milhões
Tidal 1 milhão

Spotify em números no Brasil
70% dos usuários têm entre 18 e 24 anos.
104 minutos é o tempo médio de uso diário do brasileiro.
11 milhões de playlists foram criadas pelos brasileiros em um ano.
O consumo de música nacional saltou de 14% para 37%, um aumento de 160%.
2 bilhões de vezes por mês os usuários do Spotify descobrem um artista novo 

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