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Rio Grande do Norte

25/10/2017


Servidores prometem novo protesto

Centenas de servidores estaduais, entre eles, cerca de 100 policiais e bombeiros militares, paralisaram atividades e fizeram protesto pelas ruas da capital e em frente à Governadoria, no Centro Administrativo do Estado, onde cobraram audiência com o governador Robinson Faria, para que seja discutida a regularização das datas de pagamento da folha salarial. As diversas categorias ligadas a 15 sindicatos, que participaram da manifestação, já deixaram marcado um novo protesto: dia 10 de novembro. Em resposta, o governo anunciou que paga na próxima segunda-feira (30) o salários de setembro dos que ganham entre R$ 3.001,00 e R$ 4 mil.

A data da futura paralisação, no entanto, ainda não foi oficializada pelo Fórum de Servidores Estaduais, que ainda terá de convocar uma assembleia para votar a proposta e definir se os serviços também vão parar neste dia. Desde o início do ano de 2016, o funcionalismo público do RN recebe seus pagamentos atrasados, e fazem diversas mobilizações   reivindicando o pagamento da folha salarial dentro do mês trabalhado. O protesto desta terça-feira (24), no entanto, foi o que contou com o maior número de servidores, e levou à paralisação do maior número de serviços.

Em frente à Governadoria, um grande boneco representando o governador foi colocado carregando um caixão onde se leem as palavras “Morte dos serviços públicos”. “Fora Robinson”, “Governador da insegurança” e “Governador eu quero ver com meu salário você sobreviver” foram algumas das palavras de ordem que marcaram o protesto. Cruzes simbolizando a morte do serviço público no RN foram fincadas no gramado em frente à Governadoria.

Os servidores, no entanto, não obtiveram, ao menos durante a manhã, nenhuma manifestação por parte do governador, que se encontrava em uma agenda oficial na cidade de Santana dos Matos, interior do Estado, mas a tarde foram recebidos pela chefe do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha, e outros secretários de Estado. Na reunião, a equipe de governo explicou que os salários estão em atraso devido ao alto  e crescente déficit previdenciário, e que a competência em decidir sobre a folha é do governador. Não há data prevista para audiência dos servidores com Robinson Faria.

Serviços parados

Delegacias, hospitais e escolas tiveram seus serviços paralisados nesta terça-feira (24) em decorrência da mobilização geral organizada pelos servidores estaduais ativos e aposentados. Foi o caso de todas as delegacias da capital e algumas em cidades como Mossoró, Caicó e Currais Novos. Em Macaíba, os policiais chegaram a colocar um comunicado na Delegacia, no qual  pediam desculpas à população pelo transtorno, e afirmam que “a situação [do atraso dos pagamentos] chegou a um ponto insustentável”.

Na saúde, o titular da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), George Antunes, chegou a emitir um comunicado informando que “os servidores que se encontram nas escalas de plantão das unidades que compõe a rede estadual de saúde não poderão ser liberados para participarem das atividades”. A recomendação, no entanto, não foi levada à cabo pelos servidores, que se fizeram presentes no protesto.

De acordo com Manoel Egídio, coordenador-geral do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN), todos os serviços estavam funcionando com a capacidade mínima determinada pela lei, e o departamento jurídico do Sindicato foi acionado para evitar quaisquer medidas punitivas aos servidores que compareceram à paralisação:

“A categoria veio à rua porque esse é nosso direito. A lei determina que uma porcentagem mínima tem que funcionar nos serviços de saúde, e a lei está sendo cumprida, então porque retirar dos servidores o direito de protestar? Já acionamos nosso departamento jurídico para evitar possíveis retaliações a esses servidores que, em realidade, estão trabalhando sem receber o salário em dia”, disse Manoel Egídio.

Da educação, a presença foi marcada principalmente pelos servidores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), que carregavam faixas com palavras contra o sucateamento da Universidade e exigindo o pagamento em dia dos servidores. Alunos da instituição também se fizeram presentes em uma demonstração de apoio à causa dos professores.

Tribuna do Norte

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