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Ceará

24/11/2015


Sob ameaça de fechar leitos de CTI, Governo promete liberar dinheiro

A direção do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) recebeu pedido formal para o fechamento de leitos do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade. A solicitação foi encaminhada na última sexta-feira, 20, pelo coordenador do setor, o médico Marcílio Xavier Adjafre. Ele diz que o não pagamento de profissionais cooperados “põe em risco a assistência aos pacientes”. A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) informou que, apesar da solicitação, as atividades do HGF estão mantidas e os pagamentos serão feitos. A pasta, porém, não especificou data.

Conforme o documento, “alguns funcionários não têm sequer dinheiro para pagar o próprio transporte”. O coordenador do CTI se refere a profissionais da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde do Ceará (Coosaúde). “Além do desabastecimento, enfrentamos agora falta de enfermagem e fisioterapia, elevando em muito a chance de insucesso terapêutico”, escreve Adjafre.

“Chegamos a pedir o dinheiro para o vale transporte, mas não recebemos. E quem falta sofre ameaça de ser suspenso”, conta uma funcionária cooperada que prefere não se identificar. De acordo com ela, desde setembro repasses ocorrem com atraso.

Segundo Iran Carvalho, gerente administrativo da Coosaúde, os repasses da cooperativa estavam ocorrendo sempre no dia 15 de cada mês. O funcionário informa ainda que, dos 11 hospitais públicos que a cooperativa presta serviço, quatro unidades seguem com pagamentos pendentes. Além do HGF, estão na lista o hospital Geral César Cals (HGCC), o Hospital de Saúde Mental de Messejana e o Hospital São José.

Cerca de 2,4 mil funcionários estão sem receber remuneração. Só no HGF, são aproximadamente 1,28 mil profissionais afetados.

 

Atrasos

“O Governo do Estado criou um rodízio para o pagamento das cooperativas que atuam nos hospitais públicos. Todos os meses, algumas recebem, outras não”, comenta Mayra Pinheiro, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará. Os atrasos, segundo ela, afetam cirurgiões, anestesistas e neurocirurgiões, entre outras especialidades. O caso motivou audiência entre representantes da entidade e da Sesa no Ministério Público do Ceará (MPCE) no último dia 3.

“Os profissionais são obrigados a conviver com a falta de insumo e sem receber pagamento. Em alguns hospitais, faltam antibiótico e outros medicamentos”, afirma Mayra Pinheiro.

Em nota, a Sesa admitiu atraso nos repasses para os profissionais cooperados do HGF. A pasta informou que vai repassar os recursos para pagamentos dos salários, mas não fixou data. (Colaborou Igor Cavalcante/Especial para O POVO).

 

 

 

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