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Brasil

25/05/2016


STF homologa delação de Sérgio Machado

A delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado teria sido homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem do Valor. O acordo contém conversas que ele gravou por telefone envolvendo lideranças do PMDB. Ele teria feito a delação após a revelação, por outro delator, de uma conta secreta pela qual ele recebia dinheiro de propina.

O material entregue por Machado inclui a gravação que derrubou o ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) e provocou um terremoto em Brasília. No áudio vazado pela "Folha de S. Paulo", Jucá sugere um "pacto" para derrubar Dilma Rousseff e, assim, deter o avanço das apurações da Lava Jato sobre as ramificações políticas da corrupção na Petrobras.

Na conversa, Machado se mostrou preocupado com o envio do seu caso para a PF de Curitiba e chegou a fazer ameaçadas: "Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu 'desça'? Se eu 'descer'…".

O então ministro afirmou que seria necessária uma resposta política: "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá. Ele acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo". Machado disse: "aí parava tudo".

Segundo Jucá, "ministros do Supremo" teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato. O ministro do Planejamento afirmou que tem "poucos caras ali [no STF]" ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de "um cara fechado".

Eles dizem que o único empecilho no pacto era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), porque odiaria Cunha. "Só Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra", afirma Jucá no diálogo, que foi gravado.

"O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. 'Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas'", disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro.

Na delação, há ainda diálogos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) e com o ex-presidente da República José Sarney. 

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