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Brasil

01/02/2016


Técnico campeão brasileiro de futebol americano destaca prática no Nordeste

Entrevista Exclusiva

O técnico do João Pessoa Espectros no título brasileiro conquistado em 2015, Brian Guzman, foi contratado pela Universidad de las Americas de Puebla (UDLAP) para integrar a comissão técnica da equipe na Liga Universitária de Futebol Americano do México, uma das potências mundiais no esporte. Brian será assistente do técnico americano Eric Fisher.

Em entrevista exclusiva, concedida um dia antes da sua viagem ao país norte-americano, Guzman falou sobre o título do Espectros, o início do futebol americano na Paraíba e o cenário atual do esporte no Brasil. Confira os principais trechos:

 

– O início do futebol americano na Paraíba

Olhando para trás hoje é difícil mapear como foi o começo do futebol americano aqui. O gatilho foi o início das transmissões na ESPN. Mais pessoas começaram a se interessar pelo esporte e o acesso a internet facilitou. Eu conheci o futebol americano desde criança porque morei nos Estados Unidos. Já em 2006 começaram a surgir grupos que jogavam pelada na praia. O primeiro grupo que eu fiz parte era bem informal mesmo.


– O crescimento do esporte

Em pouco tempo surgiram muitos grupos, vários times se formaram e logo organizamos o primeiro campeonato, o PB Bowl. Nos organizamos de forma bem amadora e meio que aos trancos e barrancos deu certo, porque o objetivo final era praticar o esporte. Uma coisa foi levando a outra e sempre chegando mais adeptos. Em 2008 fizemos o último campeonato na areia. O interessante é que muitos de nós ainda éramos estudantes do ensino médio ou universitários, tínhamos tempo livre e fomos amadurecendo junto com o esporte no estado.


–  Entrada no Espectros

Eu entrei no Espectros em 2008, quando ainda jogava na areia. Em 2009 disputamos o PB Bowl III na grama. Naquele ano fomos para Sorocaba jogar um torneio e representamos a Paraíba. A maioria dos jogadores eram do Espectros e pegamos equipamentos emprestados.

–  A utilização de equipamentos

Isso foi um grande filtro. Não havia compromisso e a medida que fomos adquirindo equipamento fomos tentando entrar em um nível nacional. Em 2010 decidimos jogar apenas com equipamentos e passamos o ano inteiro sem disputar competições, porque os times nordestinos não eram equipados. Foi um ano extremamente importante para o Espectros nisso.

 

– Evolução da prática

Em 2011 tivemos o primeiro campeonato nordestino com equipamento e o Espectros foi pioneiro nisso. No FA (futebol americano) é preciso um nível de comprometimento alto e a partir de 2010 a exigência para participar da equipe foi bastante elevada em conhecimento do jogo, preparação física e treinamentos.

 

– Importância da Paraíba para a Seleção Brasileira

A seleção brasileira é reflexo do talento individual e do trabalho feito na Paraíba, que é um dos celeiros, uma das principais escolas do Brasil. Começamos isolados, o FA nasceu sozinho aqui. O fato de sermos o time com o maior números de integrantes na seleção no último mundial mostra o tamanho do comprometimento.

 

– Dificuldades da modalidade no Brasil

O desafio do FA no Brasil inteiro é a divulgação. A maioria dos times não tem a estrutura que a gente gostaria, nós gerimos a própria equipe. O diferencial desse ano foi o evento que conseguimos colocar no Almeidão, com opções de entretenimento, com o público engajado. Queríamos que o torcedor pagasse barato pelo que teria: shows, food truck… Mostramos para o torcedor brasileiro que está baseado no futebol que o FA é uma opção de entretenimento para o final de semana.

 

– Convite da universidade mexicana

Desde 2014 eu viajo para fora. Passei algumas semanas fora para aprender um pouco mais nos EUA. Em 2012 conheci um americano no Brasil e ele se tornou meu mentor. Ele ajuda pessoas que querem viajar para fora. Eu fui recomendado por ser um treinador jovem, por ter interesse. Em novembro veio a confirmação da bolsa e fiquei muito feliz.

 

– Posição do FA brasileiro no mundo

Fizemos nossa primeira participação no mundial e ficamos em 7º lugar, na teoria. Mas nós terminamos com mais vitórias que a Coréia. Na prática ficamos em 6º lugar. Hoje no ranking nós estamos em 12º, bem perto do top 10. Mas nós somos do México para baixo a seleção mais forte. Com equipamentos completos nós não temos nem 10 anos e somos a melhor seleção das Américas Central e do Sul. A gente se posicionou para o próximo mundial: queremos chegar mais longe nos próximos quatro anos. Tem jogador americano querendo vir jogar aqui, tem jogador brasileiro querendo ir jogar fora, jogador indo pro México…

 

– Possibilidade de profissionalismo

As equipes são semi profissionais, apenas os jogadores de fora do estado da equipe e os de fora do país são pagos, evidentemente. Houve uma tentativa de profissionalização em 2013, mas ainda estamos longe. A qualidade do esporte ainda precisa melhorar dentro e fora de campo. Não estamos a anos luz, mas falta muito ainda, não adianta forçar a barra. Daqui a uma década acredito que vamos ter consolidado uma base boa. Teremos crianças praticando, equipes sub 19 conseguindo jogar e equipes adultas competindo em alto nível. Eu não me surpreenderia se atingirmos algum nível de profissionalismo daqui a 10 anos. 

 

– A importância do Nordeste no cenário nacional

O Nordeste é uma das referências do Brasil nesse esporte. A Superliga NE teve a maior média de público no Brasil inteiro. A maioria dos clubes já tem jogadores importados, o que desenvolve dentro e fora de campo. Ao invés de seguir na esteira do Brasil, o Nordeste vai puxar o bonde.

 

A edição 110 da NORDESTE já está disponível e traz uma reportagem sobre o título nacional do JP Espectros e a prática do FA no Nordeste

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