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Brasil

12/05/2015


Tradicional aliado, PDT se afasta dos petistas em 20 Estados

A votação em bloco dos 19 deputados do PDT contra o ajuste fiscal da presidente Dilma Rousseff foi um sintoma. Outro foram as declarações do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que disse numa reunião interna que o PT "roubou demais", segundo o jornal "O Estado de S. Paulo". "O PT exauriu-se, esgotou-se. Olha o caso da Petrobras. A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram demais", disse Lupi na ocasião.

 

Mirando as eleições de 2016, o PDT já articula a formação de uma bancada "independente" no Congresso Nacional e negocia alianças –inclusive com partidos de oposição– para lançar candidatos a prefeito e vice-prefeito na maioria das capitais.

 

Apesar de ocupar o Ministério do Trabalho desde 2007 e de ser um aliado histórico dos petistas, o PDT viu sua parceria com o PT minguar depois das eleições de 2014. Levantamento da Folha aponta que, em ao menos 20 Estados, os pedetistas estão parcial ou totalmente em campo oposto ao dos petistas.

 

"O PT quer receber nosso apoio, mas é difícil ter reciprocidade. E isso vai ser levado em conta pelos membros do partido na hora de deliberar sobre a aliança nacional", afirma o presidente do PDT, Carlos Lupi.

 

Nos dois Estados governados pelo PDT e nos cinco comandados pelo PT, a aliança dois dois partidos é sólida apenas em um –no Acre.

 

No Amapá e em Mato Grosso, governados pelos pedetistas Waldez Góes e Pedro Taques, respectivamente, os petistas engrossam as bancadas de oposição.

 

Já nos Estados governados pelo PT, a aliança está estremecida na Bahia, no Ceará e Piauí. Em Minas Gerais, onde é tradicional aliado de Aécio Neves (PSDB), o PDT declara-se "independente" da gestão Fernando Pimentel (PT).

ROMPIMENTO

 

O desembarque do PDT do governo Dilma é incentivado pelos dois governadores e por cinco dos seis senadores do partido. O tema será discutido na reunião do diretório nacional prevista para o dia 15.

 

Ao mesmo tempo, deputados assumem uma postura mais agressiva diante do governo Dilma. "Sem acenos do governo às nossas posições ideológicas de defesa dos trabalhadores, o caminho natural é a independência", diz o deputado Félix Jr (BA).

 

O movimento do PDT para fora do governo ainda é impulsionado por líderes oposicionistas como Aécio e o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), que articulam alianças nos Estados que coloquem a sigla no campo oposto ao PT.

 

Na Bahia, o PDT rompeu institucionalmente com o governador Rui Costa (PT) após ser pressionado a abdicar de uma secretaria na gestão ACM Neto. O movimento deve selar o apoio do PDT à reeleição do prefeito de Salvador, com chances de indicar o candidato a vice.

 

No Ceará, o PDT busca o apoio do PSDB de Tasso Jereissati para pavimentar a candidatura do deputado estadual Heitor Ferrer à Prefeitura de Fortaleza em 2016.

 

Nos Estados governados por outros partidos, PT e PDT estão em campos opostos em 13 deles: RN, RS, SC, PR, SP, RJ, ES, DF, GO, MS, PE, AM e TO.

 

No Maranhão, o PDT apoia o governo Flávio Dino (PC do B) e o PT, apesar de oficialmente ser oposição, tem militantes governistas.

 

Segundo Luppi, os diretórios locais terão autonomia para formar as alianças para 2016. A prioridade é fortalecer o partido para disputar o Planalto em 2018. De início, três nomes estão no páreo: o governador do Mato Grosso Pedro Taques, o senador Cristóvão Buarque e o prefeito de Porto Alegre José Fortunati.

ALIADOS HISTÓRICOS

Em Curitiba –única capital de Estado em que o PDT governa com o apoio do PT–, há movimentos de ambos os partidos para um possível rompimento da aliança.

Mesmo tendo histórias próprias dentro da esquerda brasileira, PT e PDT têm uma relação próxima desde a redemocratização do país, em 1985.

Lula foi apoiado no segundo turno das eleições presidenciais de 1989 –a primeira desde a ditadura– por Leonel Brizola (1922-2004), símbolo do PDT até hoje.

Em 1998, os dois fizeram um dobradinha na eleição ganha por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na ocasião, Lula encabeçou a chapa, que teve Brizola de vice.

A própria presidente Dilma tem relações históricas com o PDT, partido ao qual foi filiado antes de ingressar no PT.
 

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