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Brasil

10/05/2016


Últimas ações de Dilma buscam minar Temer e viabilizar nova eleição

A articulação do governo com Waldir Maranhão resultou numa trapalhada política que durou pouco. Mas o objetivo principal do Palácio do Planalto e do PT com manobras desse tipo é estimular as ideias de que o governo Temer será ilegítimo e de que o Brasil precisa de novas eleições para sair da crise.

Um ministro próximo da presidente avalia que reforçar a narrativa do golpe pode ajudar os petistas a convencer a sociedade de que novas eleições seriam o remédio pós-impeachment. Essas eleições poderiam ser gerais ou apenas um pleito presidencial solteiro. Esse é o contexto que explica as últimas ações de Dilma, como a trapalhada do Planalto com o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA).

O governo, porém, não previu reações tão duras da Câmara e do Senado. Subestimou seus adversários. Avaliou que Maranhão poderia agir como Eduardo Cunha, presidente da Câmara afastado do mandato e do comando da Casa pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Mas Cunha tinha base de apoio na Câmara para atuar de forma truculenta. Maranhão não. Ao final do dia, o Palácio do Planalto considerava como positiva a confusão criada. Um auxiliar da presidente disse que todo ato que marcasse o impeachment como um golpe servia à construção da narrativa do governo para tentar deslegitimar um governo Temer.

Ainda que fracassada, a manobra de Maranhão catalisou a atenção do país, repercutiu no exterior e permitiu discursos inflamados de deputados e senadores petistas. Por último, permitiu ao governo difundir a falsa versão de que Cunha estava por trás da manobra de Maranhão a fim de dar um recado a Temer.

Essa falsa versão emplacou durante boa parte do dia numa parte da imprensa que caiu na conversa do Palácio do Planalto. O governo não vai admitir publicamente, mas, no fundo, seu desejo é o seguinte: se o impeachment é inevitável, melhor tentar criar as condições para novas eleições no país.

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Trapalhão federal

Atrapalhando o roteiro do governo, Waldir Maranhão recuou ontem à noite. Voltou atrás, cancelando a anulação da sessão de 17 de abril na qual 367 deputados votaram a favor da aceitação do pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma.

Antes do recuo, houve uma articulação feita pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), e com o próprio Maranhão.

No entanto, para que tivesse chance mínima de sucesso, deveria ter sido combinada ou, pelo menos, comunicada ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Mas isso não aconteceu.

Amadorismo tem sido a marca do governo Dilma na política. Esse episódio confirma isso. Renan teve uma reação dura. A manobra perdeu efeito e foi tão mal sucedida que Maranhão acabou recuando numa nota suscinta ontem à noite.

Em relação a Waldir Maranhão, cresceu a chance do movimento que pretende derrubá-lo e eleger um novo presidente da Câmara.

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Dois coelhos numa cajadada só

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não poderia ter agido de modo diferente em relação à decisão de Waldir Maranhão de anular a sessão de 17 de abril da Câmara. Do jeito como a articulação foi feita, seria um suicídio político. Isso é raro na política.

A solidariedade de Renan à presidente Dilma Rousseff, que foi grande nessa crise, tem um limite: o instinto de sobrevivência política.

Em relação a Delcídio do Amaral, Renan descobriu uma manobra do PSDB com setores do PMDB para deixar que o senador do Mato Grosso Sul votasse na sessão de amanhã que deverá afastar Dilma do cargo. Na Comissão de Constituição e Justiça, houve uma tentativa de suavizar a gravidade das acusações contra Delcídio. O PSDB também tinha interesse em que Delcídio amenizasse acusações feitas contra tucanos em sua delação.

Renan detonou essa manobra. Disse que só votaria o afastamento de impeachment após apreciar a cassação do mandato de Delcídio. Hoje, deverá haver a queda de mais um personagem importante da política. Delcídio deverá ser cassado pela ação de Renan, que foi um dos alvos na delação premiada do senador do Mato Grosso do Sul.

Blog do  Kennedy

IG

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