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Bahia

17/02/2016


Varejo baiano fechou 2015 com queda de mais de 8%, diz IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) consolidou nesta terça-feira, 16, em pesquisa divulgada nacionalmente, os reflexos da crise nas vendas do comércio no ano passado. A atividade comercial na Bahia teve o quinto pior desempenho do país, com queda nas vendas em 8,1%, ficando atrás apenas do Amapá (-12,4%), Paraíba (-10,3%), Goiás (-10,2%) e Mato Grosso (-8,2%).
A queda nas vendas na atividade comercial baiana foi bem maior que em São Paulo (-3,5%) e Rio de Janeiro (-3,2), por exemplo. Em todo o país, o único estado que teve crescimento de vendas no ano passado, segundo o IBGE, foi Roraima (6,5%).
O índice negativo de 8,1% da Bahia também ficou bem superior que a média nacional (-4,3%). O dado é tido como alarmante, considerando que a média do país representa o mais elevado índice da série histórica, iniciada em 2001.

Atividades
Segundo a análise do IBGE, o comportamento do comércio foi acompanhado por um perfil disseminado de taxas negativas entre as oito atividades que compõem o varejo, das quais sete fecharam o ano de 2015 apresentando queda no volume de vendas.
Os destaques, em termos de contribuição para o resultado global, foram: móveis e eletrodomésticos (-14%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,5%); tecidos, vestuário e calçados (-8,7%); e combustíveis e lubrificantes (-6,2%).

 

Perfumaria
As demais atividades com desempenho negativo foram: livros, jornais, revistas e papelaria (-10,9%); equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (-1,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,3%).
Na comparação com o ano de 2014, o único setor que apresentou aumento no volume de vendas foi artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com 3% de avanço, na média nacional.

 

Varejo ampliado
O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou, no ano passado, queda de 9,3%.

Pelos dados da Federação do Comércio da Bahia (Fecomércio-BA), a retração nas vendas gerou queda real entre 10% e 12% no faturamento do varejo baiano. “A crise afetou a confiança dos consumidores em 2015. O desemprego, a inflação e a escorchante taxa de juros têm contribuído para que o quadro de redução no consumo se mantenha negativo”, diz o presidente da entidade, Carlos Andrade.

Para 2016, as perspectivas do setor não são animadoras, com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevendo queda de, em média, 3,9% no país. O presidente da Fecomércio-BA espera, ainda assim, por dias melhores. “As previsões econômicas remetem à queda no comércio baiano e nacional, entretanto mantenho o otimismo e acredito numa retomada ainda que seja no último trimestre”, afirma.
Para o economista Fábio Bentes, da CNC, o fraco desempenho das vendas em 2015 foi o resultado de uma série de fatores ruins. “A redução significativa no nível geral de atividade interrompeu uma longa sequência de expansão do mercado de trabalho. O desemprego, a queda da renda agravada pela elevação da inflação, mais que reduziram o bem-estar do consumidor, derrubaram sua confiança”.

Joyce de Sousa
A Tarde

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