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Política

05/11/2015


Vice-líder do Governo aposta em queda de Cunha da presidência até abril

Vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Sílvio Costa (PSC-PE) disse, em entrevista ao 247, acreditar que o Conselho de Ética deverá optar por abrir o processo de cassação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nesta quarta-feira 4, é escolhido o relator do processo, entre três nomes que foram sorteados nesta terça.

"Infelizmente a cassação, caso aconteça, deverá ficar para o ano que vem. Mas em abril, acredito que teremos uma nova eleição para presidente da Câmara", prevê Costa, que tem chamado a atenção, ultimamente, por duros discursos contra Cunha e a oposição. "O que existe é uma manobra regimental para empurrar o caso para 2016. Ele [Eduardo Cunha] é um equilibrista regimental", afirmou.

Segundo o vice-líder, a possibilidade de abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é a única arma do peemedebista para manter os partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – ao seu lado. "Ele sabe que se abrir o impeachment, no dia seguinte a oposição o abandona. A oposição só será solidária com ele enquanto ver nisso a possibilidade de abertura do impeachment", analisou.

Para o deputado, Cunha já se movimentou para assegurar que seus aliados ocupem cargos importantes no Conselho de Ética da Casa. "Cunha está jogando todas as fichas que tem. O Paulinho [da Força (SD-SP)] já se escalou para o Conselho. O presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), não deve escolher o Zé Geraldo (PT-PA) como relator porque ele já sinalizou que é favorável à cassação. Acho que ele deve escolher o Vinicius Gurgel (PR-AP), que foi um dos coordenadores da campanha dele à Presidência da Câmara. Mas custo a acreditar que o Conselho absolva Cunha", avaliou.

Segundo Silvio Costa, caso a admissibilidade da representação do PSOL e da Rede pela cassação seja rejeitada, o partido ainda poderá recorrer da decisão em plenário. "Mas quem pauta os recursos é o próprio Cunha", lembrou o parlamentar. "Nesse caso, ele pode sentar em cima e aí tem que fazer pressão para o processo andar. Se admitir, tem prazo. Mas aí só em 2016", destacou.

Cunha é acusado de receber propina para viabilizar negócios da Petrobras e de manter contas secretas na Suíça em seu nome e no de familiares, por onde teriam passado milhões de dólares em propina. Ele nega as acusações. O processo no Conselho de Ética acusa o presidente da Câmara de ter mentido à CPI da Petrobras em março, quando negou ter contas secretas no exterior. Provada sua mentira, o ato se configura quebra de decoro parlamentar.

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