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Pernambuco

10/04/2019


Violência na UPE leva alunos a fazer greve e suspender atendimentos

Movimento de estudantes, que foi motivado por um assalto na área da faculdade, em Camaragibe, no Grande Recife, na segunda-feira (8), segue até quinta-feira (11).
Faculdade de Odontologia de Pernambuco está situada em Camaragibe, no Grande Recife, há 43 anos — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Preocupados com a insegurança no campus, estudantes da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP), vinculada à Universidade de Pernambuco (UPE), deflagraram greve até a quinta (11). O movimento, que afeta as aulas e os atendimentos na clínica-escola, foi motivado por um assalto ocorrido na segunda (8), na área da universidade, em Camaragibe, no Grande Recife.

De acordo com o Diretório Acadêmico de Odontologia da UPE, integrantes de oito turmas de graduação deixaram de ir às aulas e suspenderam os atendimentos aos pacientes na clínica localizada no campus da universidade. Todos os períodos têm, juntos, cerca de 400 estudantes. Por meio de nota, a instituição confirmou a greve dos universitários.

A ação foi idealizada depois do roubo de materiais odontológicos dentro do campus, na segunda (8). De acordo com uma das alunas assaltadas, o crime foi praticado por dois homens que estavam com uma farda azul, semelhante à utilizada por funcionários terceirizados da universidade.

“Eu estava com mais outras duas estudantes pegando alguns materiais odontológicos para irmos à clínica, quando fomos abordadas. Só me dei conta de que era um assalto quando um deles mostrou o revólver. Minha porta travou e eu saí do carro pela janela. Foi horrível. Perdemos R$ 15 mil em materiais”, conta a universitária Luana Perez, do sétimo período.
A aluna informou ter procurado a Delegacia de Camaragibe e registrado um boletim de ocorrência. Nesta quarta (10), a Polícia Civil disse que não encontrou registro do crime.

A ação criminosa relatada pela estudante, somada a outros episódios de violência no campus, fez com que os universitários cruzassem os braços desde a tarde da terça (9). “ Estamos tendo apoio de professores e funcionários”, conta uma integrante do Diretório Acadêmico que preferiu não ser identificada.

“Fizemos várias denúncias e a Secretaria de Defesa Social [SDS] diz que instalou câmeras e intensificou as rondas, mas não é verdade. Os policiais ficam sentados em uma lanchonete e depois de meia hora vão embora”, relata o estudante do nono período de odontologia, Danilo Mariz.

Resposta

Por meio de nota, a UPE afirmou que o movimento foi deflagrado pelos estudantes de graduação, sem afetar as turmas de especialização, mestrado e doutorado. “O movimento não conta com a participação do corpo docente, mas toda a comunidade acadêmica entende como justas as reivindicações dos alunos”, diz o texto.

A instituição também alega que envia ofícios e realiza reuniões com a SDS desde 2016, “alertando sobre a insegurança crônica e as ocorrências na unidade”.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou se reuniu, na manhã desta quarta-feira (10), com a reitoria da universidade, representantes dos professores e dos alunos. A corporação “se comprometeu a intensificar o policiamento no local, através do 20º BPM, responsável pela segurança da área”.

Após a reunião, segundo a PM, oficiais se reuniram, também, com estudantes da instituição e os policiais “aproveitaram para detalhar pontos do esquema de reforço na segurança para os alunos, como horários e locais mais sensíveis, que terão um olhar ainda mais atento”.

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