Brasil

OPINIÃO: Walter Santos explica como Antônio Mariz foi exemplar e ainda hoje faz falta no País

21/12/2019


O novo texto do jornalista e analista politico Walter Santos aborda o perfil singular do imortal ex-governador Antônio Mariz, cuja trajetória política e pública se pautou na honestidade, capacidade de gestão e firmeza na defesa do desenvolvimento humano. O multimídia fala de detalhes provando como ainda hoje ele faz falta.

Eis a íntegra do comentário:

Antônio Marques da Silva Mariz: a falta do perfil sempre presente do espírito público singular na política

Em setembro de 1995, num sábado de tempo nublado, a Paraíba se despediu em vida do imortal governador Antônio Marques da Silva Mariz aos 57 anos, jovem ainda, mas que vítima de câncer fulminante o Estado perdeu a oportunidade de avanços em todas as áreas, mas nenhuma seria maior que a postura ética incorruptível de Mariz.

Azar imenso o da Paraíba porque o também ex-senador se preparou como poucos intelectual, política e humanamente para exercer o cargo com reformas que teriam dado ao estado um conjunto de ações de desenvolvimento sustentável sem abrir mão do humanismo e zelo com os que mais precisavam. Isto em 1994 em diante.

O EXEMPLO DE SOUSA

Transparência e atitudes de vanguarda , hoje certamente seria acusadas de comunista, fez do então prefeito de Sousa, no Sertão da Paraíba, exemplo singular ao apresentar já naquela época no rádio e no mural da Prefeitura todos os recursos e para onde estavam sendo investidos. Prestação de contas como até hoje ninguém faz.

Em tempo: já ali Otacilio Queiroz, Dudu ( esposo de Tânia Bacelar) etc já adotavam Planejamento e Metas.

Se hoje o emprego formal está desaparecendo, imaginem o que é adotar a Carteira do Trabalho em 1963 como obrigação legal na Prefeitura? Mariz cumpriu seu dever como poucos em toda história.

A FOME QUE INCOMODAVA

Já ali ele aprendeu que precisava resolver a fome dos irmãos sertanejos que nas secas morriam por não ter comida. O filme “País de São Saruê”, de Wladimir de Carvalho bancado por Mariz testemunha a atitude e honradez deste filho de Dona Noemi casado com a digna Mabel Dantas Mariz.

Foi daí que no seu programa de governo em 1994 construído por Ronald Queiroz, Tânia Bacelar, Mauro Nunes, Adalberto Barreto, Ademir Alves, etc o Plano de Desenvolvimento Sustentável tinha como primeira premissa o combate à fome. Mariz viu e agiu humanamente muito antes de Lula e do PT.

POLIGLOTA DE ATITUDE CORRETA

Mariz se preparou como poucos. Fez pós graduação em Nancy, na França , em Ciência Política e falava inglês fluentemente. Poucos sabem que no Impeachment de Collor todo seu parecer justo teve como base o livro “O Caso Watergate” sobre Richard Nixxon para sedimentar seu relatório final lendo na língua inglesa originalmente.

Mas, além de tudo, era firme na defesa dos principios legais e humanos. Nos anos 60 na Arena defendeu a abertura de Comissão de Inquérito para apurar tortura no País e como Constituinte em 1988 tenha a nota máxima, 10, pela conduta simplesmente extraordinária.

Poucos sabem que as primeiras linhas e parágrafos do artigo 5o da Constituição Federal tem DNA de Antônio Mariz.

Também foi ele o indutor da anistia ao senador Humberto Lucena cassado pelo uso de meros calendários distribuídos como sempre houvera, mas que precisou que Mariz fizesse um discurso contundente, irrepreensível ao TSE denunciando arbitrariedades. Por conta de seu discurso, Humberto voltou a ter seu mandato e foi 2 Vezes presidente do Congresso Nacional.

SINTESE DA VIDA SIMPLES

Mesmo muito respeitado, relator do impeachment de Collor, autor do projeto de taxação das grandes fortunas, etc, Mariz era um homem público de vida simples.

Quase sempre quando estava em Joao Pessoa pegava seu carro , um Santana cor de jambo, e ia com Mabel, às vezes Inacinha, Zé Mariz tomar seu chope no Bahamas, em Tambaú, e não havia uma vez ao estar em Sousa que não recebesse os ciganos com dignidade.

Ao morrer deixou um apartamento e um terreno no Bessa como toda sua fortuna.

É de gente assim que a Paraíba sempre houve de precisar como exemplo para toda a vida.

Ah como Antônio Marques da Silva Mariz faz falta. Único.

EM TEMPO

Ainda voltaremos ao assunto.

ÚLTIMA

“O nome / a obra imortaliza…”


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