Política

Planalto e Maia se unem para barrar derrubada a veto de reajuste para servidores

A estratégia do governo é colocar na conta dos parlamentares o desgaste de comprometer o auxílio emergencial, já que não sobrariam recursos da União

20/08/2020


Após o Senado votar contra o congelamento do salário dos servidores até o fim de 2021, o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desencadearam uma operação para impedir que deputados repitam o resultado da votação na Casa ao lado, e abram brecha para que o funcionalismo receba aumento salarial nos próximos meses.

Na articulação política, aliados do governo têm sinalizado que, se o Congresso permitir que servidores tenham reajustes nos próximos 18 meses, o plano do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de prorrogar o auxílio emergencial poderá ser revisto.

A estratégia é colocar na conta dos parlamentares o desgaste de comprometer um programa de ajuda à população mais vulnerável durante a pandemia da Covid-19, após eventual derrubada de veto que beneficia servidores públicos.

“Essa decisão é muito importante hoje porque o presidente [Bolsonaro] vai eventualmente anunciar uma prorrogação do auxílio emergencial, e esse impacto pode e vai certamente mudar a possibilidade dos valores e do prazo que esse auxílio vai ser prorrogado”, disse o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

O Planalto e o Ministério da Economia estão concluindo estudos para que seja feita uma dilatação do prazo de pagamento do auxílio emergencial, previsto para acabar nas próximas semanas. Como o programa hoje tem um custo mensal superior a R$ 50 bilhões, o governo avalia uma prorrogação do benefício (talvez até o fim do ano), mas em valor menor.

Bolsonaro já declarou na manhã desta quinta-feira (20) que o prejuízo com a derrubada do veto, o que abriria a possibilidade de aumento salarial para diversas categorias, pode ser de R$ 120 bilhões e que será impossível governar o Brasil caso a derrota do governo seja confirmada pela Câmara.


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