O DNA petista faz a diferença

s escândalos do Mensalão e da Petrobras vêm, com frequência, na sequência e há, praticamente, uma década, ocupando os espaços nobres da grande mídia brasileira. Disputam com as novelas os índices de audiência, a curiosidade e até a paciência dos telespectadores. Nos jornais, ganham manchetes, editoriais, artigos, reportagens e entrevistas de páginas inteiras. Nas revistas, são fregueses assíduos e contumazes das capas e das matérias especiais. Tudo isso repercutido, sinergicamente, por rádios e redes sociais, num movimento comunicacional que, acrescido de um modo pessimista de ler o país, enseja que, hoje, a população brasileira mostre-se reticente e desconfiada com o seu futuro.


O projeto de tirar o PT do poder tem funcionado. Hoje, bom percentual da população brasileira acha que “ser petista é ser corrupto” e que o governo do PT faz do Brasil um dos piores países do mundo. A popularidade da presidenta Dilma, apurada em pesquisas, viciadas por terem sido feitas logo após manifestações contra o governo, atinge números negativos somente inferiores aos atribuídos ao governo Collor. A oposição midiática comanda o processo. Por sua vez, a oposição política continua a reboque, limitando-se, na maioria das vezes, a repetir o que diz a grande mídia. Beneficia-se, entretanto, com a quase nenhuma vontade de aqueles veículos noticiarem, por exemplo, com a sanha moralista usada contra o PT, as acusações feitas, no caso Petrobras, contra o senador Anastasia, ex-governador de Minas, integrante da lista de Janot, e Fernando Henrique Cardoso citado, em depoimento, pelo ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco.


As denúncias, as investigações, os processos e os julgamentos contra a corrupção são legítimos e necessários. Não há por que contestá-los. Requerem, porém, que veiculados pela imprensa, sejam isentos da linguagem política que, na conceituação de George Orwell, “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade”. Ao mesmo tempo, a ética do jornalismo exige um tratamento igualitário para os lados em litígio, autorizando aos cidadãos, por via de consequência, indagarem por que não ocupam as manchetes da imprensa o Mensalão tucano-mineiro, o trensalão tucano-paulista, os desmandos das administrações do PSDB em Minas e no Paraná, a catilinária do ex-senador Demóstenes Torres contra Ronaldo Caiado e Carlinhos Cachoeira, as acusações infligidas ao presidente do DEM, senador José Agripino, coordenador-geral da campanha de Aécio Neves, de ter recebido propina, etc, etc, etc...


Faz bem a oposição midiática, com o acolitismo dos tucanos e dos oposicionistas de plantão, denunciar, na expressão de Dilma, os “mal feitos” do governo. Erra, contudo, em agir com o intuito precípuo e obstinado de desalojar do poder um partido que ali chegou, levado por milhões de votos, obtidos democraticamente em quatro pleitos. E torna seu erro acintoso, quando trata como notícias de menor importância, merecedoras de espaços secundários na tela e no papel, os escândalos não carimbados pelo PT ou seus aliados. O combate à corrupção deve, necessariamente, ignorar as siglas partidárias.


Veja-se, por exemplo, a Operação Zelotes que, segundo a Polícia Federal, já provocou prejuízos de, ao menos, R$ 6 bilhões e que pode chegar aos R$ 19 bilhões. Duzentas vezes mais que os danos financeiros causados pelo Mensalão e seis mais vezes que o escândalo da Petrobras. A “Zelotes”, aberta para apurar fraudes milionárias no julgamento, pelo Conselho de Recursos de Autuações do Fisco – CARF, continua praticamente ignorada do povo brasileiro que, se questionado em pesquisa, daria a ela um grau de conhecimento talvez de 1%. O mesmo procedimento, se repetido com o Mensalão e a Petrobras, apuraria que, entre cem brasileiros, oitenta conheceriam sobejamente as irregularidades divulgadas. A diferença de tratamento, dado pela grande mídia à Operação Zelotes e aos escândalos do Mensalão e da Petrobras, está, seguramente, na falta de um DNA petista, que nela surgido, ajudaria as oposições a apoiarem as “vozes das ruas” que entoam o cantochão dos “fora Dilma” e “fora PT”.