Brasil

Rede diz não ter restrições a desafeto de Marina Silva no PSB

Partidos

13/10/2014


A possibilidade de Carlos Siqueira se tornar presidente nacional do PSB não chega a ser, ao menos oficialmente, um incômodo para a Rede e a líder do grupo, Marina Silva. Secretário-geral do partido, ele se manifestou contra a escolha da ex-ministra para substituir Eduardo Campos quando o então presidenciável pessebista morreu em um acidente aéreo, em agosto. Mais do que isso, ele deixou a reunião em que a decisão foi tomada no meio e anunciou que não apoiaria a candidata porque ela não representava os ideais de Campos. O discurso é que Siqueira tomou uma decisão intempestiva, levado pela forte emoção daquele momento. Agora, a Rede não acredita que terá novos problemas com o dirigente, caso ele passe ao comando do PSB.

Mas a Rede não mostra a menor intenção de entrar na disputa interna do PSB. E não é só porque não tem cargos na executiva nacional. Com a derrota no primeiro turno da disputa eleitoral, a coabitação com os pessebistas ficou mais próxima do fim. Os integrantes da Rede esperam apenas o fim do processo eleitoral para retomar a coleta de assinaturas a fim de conseguir o registro legal do grupo como partido no TSE. E, por isso, não terá mais de se preocupar com as disputas internas dentro do PSB, que se dividiu ainda mais depois da opção da executiva nacional pelo apoio a Aécio no segundo turno. Além de enfraquecer o atual presidente, o ex-ministro Roberto Amaral, líderes partidários também quiseram diminuir o protagonismo que o deputado Beto Albuquerque, vice de Marina, teve desde a morte de Campos. A Rede, por outro lado, também terá diferenças a resolver: entre os que defendiam a adesão imediata a Aécio e os contrários aos tucanos, por exemplo.

PT: só resta ir às ruas

Enquanto o presidente nacional do PT, Rui Falcão, falava em encontro do partido na sexta-feira, na quadra do Sindicato dos Bancários em São Paulo, uma petista, com a bandeira enrolada, falava da dificuldade para fazer campanha nas ruas. “As pessoas estão arredias, não querem conversa. Está difícil”, reclamava a militante. Após a fala do ex-presidente Lula – pouco depois de sair a pesquisa Ibope que mostrava 51% para Aécio e 49% para Dilma, o ânimo era outro. “Pesquisas internas do PT dão vantagem para a gente. E se mostram esse número, é porque nós estamos à frente”, dizia Toninho Kalunga, integrante do Diretório do PT de São Paulo. Militantes reconheciam que o PT não foi para as ruas “como devia”, mas agora terá de fazer “o que não foi feito no primeiro turno”.

Infidelidades

Um experiente organizador de campanhas disse que, na busca do voto, na periferia, houve traições de todos os tipos. Segundo ele, na Grande São Paulo teve candidato a deputado do PSDB fazendo dobradinha com Marina e até petistas incentivando pessoas que não gostam de seu partido a votarem, então, em Aécio. Seria uma maneira de barrar a ex-ministra do Meio Ambiente.

Até marineiros ironizam condições

A contundência dos pontos apresentados por Marina Silva (PSB) para apoiar o presidenciável Aécio Neves no segundo turno provocou ironia até dentro da Rede, grupo político criado pela ex-ministra. Integrantes acreditam que o documento é mais claro e progressista do que o próprio programa de governo defendido pela candidata no primeiro turno. “Se tivéssemos apresentado naquela ocasião apenas esse documento, teríamos menos problemas”, avalia um deles.

Militantes mandam cartas para Aécio e Dilma

Assim como Marina, outros integrantes da Rede apresentaram condições para decidir o voto. A diferença é que alguns deles enviaram cartas para Aécio e Dilma. Apolo Heringer, por exemplo, sugeriu a criação de um programa de revitalização dos rios e bacias hidrográficas. O ambientalista foi uma espécie de guru da presidenta Dilma quando ela ingressou nos movimentos de resistência à ditadura.

“Custo a crer que, no Estado mais industrial do país, com mais operários no País, o presidente da Fiesp tenha tido mais voto do que nós”

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, sobre o resultado das eleições em São Paulo

 

(do iG)


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