Política

Resistência no Congresso segura indicação de Feder para o MEC

Feder agrada ao chamado Centrão, porém tem resistência na chamada "ala ideológica' do governo Bolsonaro

03/07/2020


Na imagem Renato Feder

Valor

A resistência de setores bolsonaristas no Congresso e da ala mais ideológica do governo levaram o presidente Jair Bolsonaro a segurar o anúncio de Renato Feder para o cargo de ministro da Educação. Fontes no Palácio do Planalto que pela manhã já davam como certa a nomeação do atual secretário de Educação do Paraná, agora se mostram reticentes.

Feder agrada ao chamado Centrão, que recentemente ingressou na base do governo, e teria se comprometido a levar adiante a agenda conservadora de Bolsonaro para o setor. Porém, seus aliados mais antigos no Parlamento se queixam de desprestígio e têm bombardeado o presidente com mensagens de repercussão negativa da indicação de Feder nas redes sociais. Ele é criticado principalmente por ter feito doações à campanha de João Dória em 2016, quando o tucano e hoje desafeto do presidente concorreu à Prefeitura de São Paulo.

O trabalho de dissuasão dos deputados _que atualmente estão no PSL, mas devem migrar para o Aliança assim que o novo partido de Bolsonaro for criado_ tem sido pesado nos bastidores, mas com poucas manifestações públicas e nas redes sociais.

O nome preferido desse setor do bolsonarismo é o de Sergio Sant’ana, que foi assessor especial do ex-ministro Abraham Weintraub e é próximo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
Assessores esperavam que Bolsonaro fizesse o anúncio do novo ministro ainda nesta sexta-feira. Agora, porém, o clima é de indefinição.

O novo ministro sucederá Carlos Decotelli, que ficou no cargo por apenas cinco dias e acabou caindo após uma terem sido detectadas várias inconsistências em seu currículo.

Com o novo ministro, Bolsonaro pretende dar estabilidade ao MEC, após um ano e meio de polêmicas e da ineficiência que marcaram as gestões de Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub. Esse fator pesa contra Sant’ana e a favor de Feder.

Na semana passada, Feder já havia sido cotado para o cargo, mas Bolsonaro acabou optando por Decotelli, que tinha forte apoio da ala militar do governo.

Após a queda de Decotelli, Feder voltou a articular com Ratinho Júnior e o Centrão para assumir o posto e deixar claro ao presidente que não se importaria de ser nomeado agora, mesmo que tenha sido preterido na semana passada.

Embora Bolsonaro tenha ficado com boa impressão sobre Feder, pesou contra ele na semana passada o fato de ter feito uma doação eleitoral ao governador de São Paulo, João Doria, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo, em 2016.

Bolsonaro também não gostou do fato de Feder sair da reunião no Planalto concedendo uma série de entrevistas, em clima de “quase ministro”, segundo resumiu um auxiliar palaciano.
Nos últimos dias, Feder mudou de postura, evitando contatos com a imprensa.


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