Nordeste

Transnordestina e exportações de cargas cultivadas são destaque no I Nordeste Export, em Pernambuco

28/10/2020


Encontro faz parte de Fórum Brasil Export, que acontecerá em novembro, em Brasília

Revista Nordeste

A necessidade de equilibrar a matriz de transporte, de desburocratizar a atividade portuária e de investir fortemente em infraestrutura são algumas das questões que fazem parte da Carta do Nordeste Export, documento que resume as principais questões debatidas durante o primeiro fórum regional do Brasil Export no Nordeste, que aconteceu nesta segunda e terça-feira (26 e 27), no Centro Administrativo de Suape, com transmissão online. O evento reuniu especialistas, dirigentes de entidades, autoridades, empresários e especialistas do setor portuário para debater os principais gargalos logísticos da região. O documento final traz como destaque a retomada da construção da ferrovia Transnordestina e o potencial de aumento das exportações de cargas cultivadas, produzidas ou fabricadas no Nordeste.

“O encontro superou nossas expectativas em termos de conteúdo e temos a responsabilidade de dar continuidade a esse processo. A união entre portos, empresários e entidades é muito importante”, conclamou o CEO do Fórum Brasil Export, Fabrício Julião, no encerramento do evento. Aluísio Sobreira, presidente do Conselho do Fórum, registrou “a gestão eficiente e inovadora” de Suape, lembrou que o encontro nacional ocorre nos dias 23 e 24 do próximo mês, em Brasília, e anunciou que o II Nordeste Export será no Porto do Itaqui, em 2021. E o presidente do Porto de Suape, Leonardo Cerquinho, concluiu: “Que a gente leve deste encontro o sentimento de que, sim, é possível fazer infraestrutura neste país, com planejamento de longo prazo. E para fazer tudo isso é preciso autonomia e empoderamento local”.

O secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, foi um dos expositores do painel Gargalos do Transporte Multimodal do Nordeste, no qual destacou os esforços do Ministério da Infraestrutura para equilibrar a matriz de transporte, com grandes investimentos em ferrovias, hidrovias e rodovias, apesar das dificuldades. “O orçamento no setor já chegou a R$ 20 bilhões e atualmente está em R$ 7 bilhões”, afirmou, destacando que uma das metas do órgão é dobrar esse valor, além de reduzir a burocracia nos processos e fortalecer a cabotagem com o programa BR do Mar. Adalberto Tokarski, diretor da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), participou destacando as potencialidades dos portos do Nordeste.

O presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Cleber Lucas, ressaltou a importância do BR do Mar, mas observou que o programa precisa de ajustes, para ter mais segurança fiscal, e defendeu que “a necessidade principal da multimodalidade está num documento único e operador de transporte multimodal”. A redução tributária também foi abordada no debate, que ainda contou com participação dos conselheiros Fábio Silveira (sócio-diretor da Gallotti Advogados Associados) e Fábio Siccherino (diretor da DP World Santos) e do presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sergio Aquino.

A conclusão da Transnordestina foi o destaque do painel “A necessidade de investimentos para o crescimento do Nordeste”. O superintendente da Sudene, Evaldo Cruz Neto, defendeu que é preciso “liberar todas as amarras” da obra. O painel foi mediado pelo diretor-presidente da Frompet e conselheiro do Nordeste Export, Marcelo Guerra, e teve participação do presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim, e do chefe de relacionamento com o governo Norte e Nordeste do BNDES, Ricardo Rodrigues.

Já na discussão sobre “Exportação de produtos e a competitividade da produção brasileira no exterior”, autoridades e especialistas ressaltaram que a exportação de frutas do Brasil tem muito o que avançar. Jorge Souza, gerente de exportações da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), afirmou que o Brasil participa apenas de 1,2% no negócio global de exportação de frutas, estimado em US$ 71,3 bilhões de dólares. “Nós ocupamos terceira colocação entre os produtos do mundo. Não se justifica a participação tão pequena no mercado internacional, mas apesar disso, somos competitivos”, avaliou. “É preciso uma política de Estado, não só de governo, mas articulação e integração com setores privados. O desafio é de toda a sociedade brasileira”.

Pernambuco

No último painel do Nordeste Export, que debateu o potencial econômico e estratégico do Nordeste, a secretária-executiva de Políticas de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Maíra Fischer, afirmou que a região tende a apresentar um crescimento maior na retomada econômica desde que atue com unidade. “A gente sempre conversa com investidores e fala das possibilidades de investimento para a região. Não adianta nenhum Estado desenvolver estratégias para crescer sozinho. Se a gente trabalhar de uma maneira integrada, pode crescer ainda mais”, afirmou.

Ao apresentar o painel, Luiz Barros, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Porto de Suape, apresentou os dados da região, que concentra 57 milhões de pessoas e tem o dobro do PIB (Produto Interno Bruto) do Equador. “É importante que o Nordeste participe do desenvolvimento do País”, ressaltou. A moderação foi de Fabio Saboya, conselheiro do Nordeste Export. Otto Luiz Burlier, diretor do Departamento de Gestão e Modernização Portuária da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, falou sobre os desafios da secretaria, que incluem quatro pilares: aprimorar a infraestrutura portuária com investimentos privados; modernizar a gestão portuária e seus processos de negócios, desburocratizar e integrar as atividades dos órgãos e entidades públicas; e implementar projetos de inteligência logística.


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