Alagoas

Alagoa recebe bolsa para ensinar português para universitários nos EUA

Uma das chaves para alcançar o sucesso profissional é a determinação e essa foi uma das aliadas de Lianna Tavares, ex-aluna da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas, para cruzar fronteiras. Em agosto, a docente de inglês viajará para os Estados Unidos com uma missão: lecionar Língua Portuguesa para universitários em Ohio, por meio da Fulbright.

A Fulbright nasceu com o nome Programa de Intercâmbio Educacional e Cultural do Governo dos Estados Unidos da América, em 1946. Com o objetivo de ampliar o entendimento entre os EUA e demais nações, a Fulbrightconcedeu mais de 370 mil bolsas de estudo, pesquisa e ensino a cidadãos estadunidenses e de outros 150 países. Presente no Brasil desde 1957, o programa trouxe aproximadamente três mil norte-americanos para o país e mais de 3,5 mil brasileiros para estudar nos Estados Unidos.

Primeira alagoana a conquistar uma bolsa do programa, Lianna também é a única nordestina em meio a outros 19 brasileiros contemplados pelo programa este ano. “Sinto privilégio e uma certa responsabilidade por levar o nome do Estado. Quero mostrar o quanto de coisa legal é produzido aqui no Nordeste, porque muitos dos que visitam o país só conhecem o eixo Rio de Janeiro – São Paulo”, diz ela.

A oportunidade de Lianna viver a experiência profissional e pessoal ocorreu por meio do Foreign Language Teaching Assistant (FLTA), um dos inúmeros programas concedidos pela Fulbright para estudantes, professores e pesquisadores. Por meio do FLTA, brasileiros com bacharelado ou licenciatura em Língua Portuguesa e/ou Inglesa passam nove meses nos Estados Unidos, tempo equivalente a dois semestres letivos. Durante esse período, eles ensinam português em turmas das universidades, além de promoverem eventos como palestras e workshops para fomentar o interesse dos norte-americanos pelo Brasil.

Lianna vai atuar como professora de português e embaixadora cultural do Brasil nos Estados Unidos e, junto a outros brasileiros, também vai estudar matérias sobre a história e a cultura dos EUA.

O início

A conquista de Lianna começou em 2009, quando ela iniciou o curso de inglês na Casa de Cultura Britânica (CCB). Mesmo em ano de vestibular, a estudante viu-se tão apaixonada pelo idioma, que dedicou seu tempo para estudar a língua estrangeira. “Minha mãe brigava muito comigo, porque era ano de vestibular e eu só estudava inglês”, recorda. Ainda assim, Lianna insistiu na escolha que havia feito. “Passei um ano estudando muito mesmo. Eu decidi: eu quero falar inglês. Desde que comecei, sabia que era isso que queria fazer da minha vida. Decidi entrar no curso de Letras para abraçar de vez a área”, lembra.

Em 2010, primeiro ano da graduação em Letras-Inglês, Lianna já dava aulas no projeto de extensão Casa de Cultura no Campus, onde permaneceu por quatro anos. Nesse período, a professora passou também por outras escolas de inglês de Maceió, como Cultura Inglesa, CNA, CCAA, a própria CCB e o Núcleo de Línguas Inglês sem Fronteiras (Nucli-IsF) da Ufal.

O expressivo currículo era algo que Lianna já tinha em mente. “Quando comecei a faculdade, queria conseguir algo para estudar fora e sabia que não ia ter condições de fazer isso do meu próprio bolso. Então pensei em enriquecer meu currículo”, revela. Por isso, Lianna não só buscou oportunidades para estagiar, como também participou de projetos de extensão, congressos e iniciação científica dentro da Universidade. “Tentei tirar o máximo de tudo por onde passei”, destaca a professora de 25 anos.

E foi em meio a todo esse engajamento na faculdade, que Lianna teve o primeiro contato com a Fulbright. Em 2014, conheceu as americanas Rachael Snorgrass e Mitchell Cao, que vieram para a Ufal por meio do programa English Teaching Assistantship (ETA), que funciona como o Foreign Language Teaching Assistant (FLTA). Nesse caso, 28 americanos vêm ao Brasil para dar aulas de inglês e assistência a professores do idioma em universidades públicas do país.

A presença delas aguçou o interesse de Lianna pela Fulbright e fez com que ela perseguisse o sonho de estudar fora do Brasil. A seleção começou em outubro de 2015, quando os candidatos tiveram que preencher um formulário online, chamadoApplication, com informações pessoais, histórico acadêmico e profissional. Os participantes passaram também por três redações em inglês, de caráter eliminatório, e, em seguida, uma entrevista em inglês com os 40 selecionados. Com a divulgação do resultado preliminar, Lianna já sabia que tinha sido aprovada pela Fulbright. Inclusive, a jovem obteve uma conquista dupla: em dezembro de 2015, além da aprovação, ela colou grau como professora de inglês pela Ufal.

Preparação para o novo desafio

Há duas semanas, Lianna e os demais aprovados pelo programa FLTA passaram por uma orientação em São Paulo. Durante dois dias, os 20 futuros professores de português assistiram a palestras para conhecer melhor a dinâmica do programa e receberam instruções e dicas para a adaptação à vida nos EUA e nas respectivas universidades. “A Fulbright tem um prestígio muito grande nos EUA. Foi o que mais falaram no encontro. Ela existe há mais de 70 anos e tem um grande alcance, então os corpos acadêmicos das universidades respeitam bastante o programa”, frisou.

É na Baldwin Wallace University, em Ohio, que Lianna vai encarar o maior desafio profissional dos seus 25 anos de vida. Embora nunca tenha lecionado português, a jovem explica que a maneira de ensinar é praticamente a mesma, apenas o idioma que muda. “No fim das contas, há o domínio da metodologia de ensino de língua estrangeira, em geral. O que vou fazer é readaptar o conhecimento que eu já tenho, para ensinar português, porque os conceitos são praticamente os mesmos. Então penso nessa perspectiva”, revelou.

Um dos segredos para tamanha conquista? Não ficar parado. “As pessoas têm que estar em movimento, ativas, participando. Eles querem alguém que tenha experiências em várias áreas, não só na vida acadêmica, mas na vida pessoal também. Pessoas que tenham hobbies. Sou muito engajada em trabalho voluntário. Mesmo que não saiba o que quer, vai fazendo até aparecer uma oportunidade. Foi o meu caso: não sabia o que queria, mas sabia que ia servir para algo”, aconselha Lianna.

Alagoas 24h


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