Brasil

Allan dos Santos usou estagiária de Lewandowski como informante

Entre outubro de 2018 e janeiro de 2019 o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), teve uma espiã no gabinete do ministro Ricardo Lewandowski. Trata-se da ex-estagiária Tatiana Garcia Bressan. A Polícia Federal está de posse de uma série de diálogos entre o blogueiro e sua informante, resultado da quebra de sigilo telefônico de Allan dos Santos. O material foi obtido pela Folha de S.Paulo. Allan é investigado em dois inquéritos no STF —um para apurar disseminação de fake news e outro para identificar quem financia essas ações e os atos antidemocráticos.

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou, na manhã desta quarta-feira (6), que a PFouça imediatamente a informate de Allan dos Santos. A informação é da CNN.

 

O documento da PF traz diálogos entre o blogueiro e Tatiana Garcia Bressan. Ela estagiou no gabinete de Lewandowski de 19 de julho de 2017 a 20 de janeiro de 2019, antes da abertura dos inquéritos contra Allan, em março daquele ano. As conversas começaram em 23 de outubro de 2018 e vão até 31 de março de 2020, quando ela já não estagiava mais no STF.

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Na primeira conversa, Tatiana entra em contato com Allan, demonstrando interesse em trabalhar na equipe da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), e diz que está no gabinete de Lewandowski.

 

Relata a reportagem da Folha: “’Fique como nossa informante lá’”, diz o blogueiro, cerca de duas horas depois do início da conversa. A estagiária responde prontamente: “’Será uma honra. Estou lá kkk’”.

 

A estagiária afirma numa das conversas que constatou que o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, “tem trânsito com quase todos os ministros”.

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“Quando ele liga, o Lewandowski o atende prontamente. Dizem por lá que o pedido de suspensão de liminar feito pelo partido NOVO foi combinado a pedido do Fux e Toffoli. Vc sabe que o Villas Boas botou um general pra trabalhar junto com o Toffoli na presidência, né?”, diz a estagiária.

 

A estagiária também diz que a “piada” do dia anterior na corte era que “estavam todos esperando o soldado e o cabo para fechar o STF”, em referência a uma fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em julho de 2018, em resposta sobre uma possível ação do Exército se o presidente Jair Bolsonaro fosse impedido de assumir o posto por alguma decisão do Supremo.

 

“Difícil ouvir rsrs”, diz a estagiária, ao que Allan indaga: “Acha que isso tem mudado lá dentro?”. E ela responde: “Sim. Todos atentos: ‘agora temos um general na presidência’! kkk Inclusive Toffoli [ministro Dias Toffoli, então presidente do STF] nem fala mais em ditadura de 64. Fala em ‘movimento de 64′”.

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