Internacional

Bailarino da periferia de Recife é contratado pela Philadelphia Ballet uma das maiores companhias de balé dos EUA

Vinícius Ferreira, nascido no Ibura, se formou na Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. Ele foi contratado pela Philadelphia Ballet.

 

Vinícius Ferreira conheceu o balé clássico aos 12 anos. Aos 13, foi aprovado para a Escola de Teatro Bolshoi no Brasil, filial da melhor companhia de dança do mundo. Recém-formado, agora ele se preparar para viajar para os Estados Unidos, após ter sido contratado pela Philadelphia Ballet, uma das maiores companhias do país.

Vinícius nasceu na comunidade do Chapéu de Papa, na região de Lagoa Encantada, periferia localizada no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. De família humilde, ele precisou batalhar muito por cada conquista. Quando foi aprovado para o Bolshoi, precisou mudar para Joinville (SC), mas não tinha dinheiro.

A família fez uma campanha para conseguir os R$ 900 que o garoto precisava para se manter numa casa indicada pela escola. Em 2020, o jovem, agora adulto, se formou e se tornou bailarino profissional. A formatura foi virtual, devido à pandemia de Covid-19.

“Passei seis anos lá. Entrei no terceiro ano da escola do Bolshoi e me formei ano passado. Foi uma formatura online, por causa da pandemia, e logo então eu fui contratado para ser bailarino da companhia jovem da Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. É um primeiro emprego para a gente, quando se forma”, disse.

A leveza nos movimentos e o talento que demonstra a cada passo são resultado de uma dedicação constante. Aos 20 anos, o garoto do Ibura vai viver integralmente do trabalho como bailarino clássico. O maior sonho dele é o de se tornar um dançarino reconhecido em todo o mundo.

“Sempre foi meu sonho trabalhar nos Estados Unidos. Então, eu ganhei um contrato para o Philadelphia Ballet, e, para mim, foi incrível. Porque era uma companhia de balé que eu sempre esperava entrar, para trabalhar com renomados nomes da dança. Para mim, é uma honra muito grande”, declarou.

Em 2014, a mãe de Vinícius, Sandra Suely Ferreira, viveu a angústia de não poder, ela mesma, custear os sonhos do filho. Hoje, ela ajuda o bailarino a arrumar as malas para ir em busca do sonho dele, em terras estadunidenses.

“A saudade vai bater sempre, porque eu sou mãe, mas estou feliz porque ele vai realizar o sonho dele. É um país totalmente diferente, língua diferente, tudo diferente, mas ele é muito determinado”, disse.

Vinícius, hoje, tem a certeza de que escolheu a profissão certa, que o faz feliz. Para ele, a conquista pode servir como inspiração para meninos que, como ele, têm no balé e na dança uma forma de se expressar.

“Conheci o balé através de uma amiga da escola. Ela falou que no balé dela tinha meninos e eu me interessei muito e quis entrar. […] A gente não pode desistir. A gente vive num país em que o balé não é tão valorizado, principalmente para meninos, então, eu falaria para não desistir, porque assim como eu, vocês vão conseguir também”, afirmou.

 

*g1pe

 


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