Internacional

‘Bolsonaro sempre incitou a violência contra nós, eu não posso aceitar’, diz cacique Raoni

Entrevista publicada neste sábado (23) pelo jornal francês Le Monde afirma que o líder Kayapó está consciente de que a denúncia de Bolsonaro ao Tribunal de Haia pode provocar a fúria de quem apoia o presidente brasileiro, como latifundiários e garimpeiros, “todos próximos de territórios indígenas”

Sputnik – Em entrevista a um jornal da França, o líder Kayapó, Raoni, personalidade conhecida pela defesa da Amazônia, acusou o presidente brasileiro de perseguir os povos indígenas, destruir seu habitat e de ignorar seus direitos.

Em entrevista publicada neste sábado (23) pelo Le Monde, o cacique Raoni fez um novo apelo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para investigar Jair Bolsonaro por crimes contra a humanidade.

Segundo a imprensa francesa, “o chefe indígena se lança em uma aventura judiciária inédita, audaciosa e arriscada: denunciar Jair Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional“. O pedido de investigação foi feito à instituição sediada em Haia na sexta-feira (22).

A matéria afirma que Raoni está consciente de que a denúncia pode provocar a fúria de quem apoia o presidente brasileiro, latifundiários e garimpeiros, “todos próximos de territórios indígenas”.

​O chefe indígena explicou ao Le Monde que não tem outra escolha: “Bolsonaro sempre incitou a violência contra nós. Eu não posso aceitar a maneira como ele nos trata”.

O documento de 65 páginas enviado ao TPI foi redigido pelo advogado francês William Bourdon. Ele reúne as acusações feitas por Raoni, e também por dezenas de ONGs locais e internacionais, além de cientistas especialistas de questões climáticas.

Entre as acusações apresentadas ao TPI estão a suspensão da demarcação de territórios indígenas, o projeto de lei que permite a mineração e a exploração agrícola em áreas protegidas, os orçamentos limitados das agências ambientais, agora controlados pelos militares, os assassinatos impunes de sete chefes indígenas em 2019, entre outros.

Raoni explicou sua preocupação com a política ambiental adotada pelo governo, que permite, segundo ele, eliminar todos os obstáculos para saquear as riquezas da Amazônia. “Não gosto de brigas e não quero ter conflito com chefes brancos. Mas o problema é que Bolsonaro ataca demais os indígenas“.

O jornal relembrou que, em 2019, 256 invasões de terras indígenas foram registradas no Brasil, um aumento de 135% em relação ao ano anterior. Nestas áreas, nove pessoas foram assassinadas, entre elas, sete caciques.

*Brasil 247

 


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