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Delegado ‘celebridade’ diz que foi afastado após dizer que há ‘ratos’ na polícia

O delegado Carlos Alberto da Cunha, da 8ª Seccional do Departamento de Polícia Judiciaria de São Paulo, relatou por meio das redes sociais que foi afastado das ruas e teve de entregar armas e distintivo, após uma declaração feita durante participação em um podcast com o vereador e ex-PM Gabriel Monteiro (PSD). De acordo com o delegado, que soma milhares de seguidores nas redes sociais, o afastamento ocorre após ele afirmar que há “ratos” na polícia.

 

Delegado diz que ‘não consegue andar na rua’ após virar celebridade na web
Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, o delegado ‘da Cunha’, de 43 anos, atua na corporação há 16, quando decidiu deixar a carreira de oficial do Exército para entrar na Polícia Civil. Da Cunha vem fazendo sucesso nas redes sociais com vídeos que mostram operações policiais e o dia a dia dos agentes da Segurança Pública de São Paulo. A ideia para o canal, segundo ele, partiu da vontade de divulgar o trabalho da polícia na internet.

 

No dia 3 de junho, o delegado participou de um podcast com o Gabriel Monteiro. Na gravação, em determinado momento, o vereador aconselha que jovens não entrem para a polícia, alegando que ser policial é uma profissão difícil, de pouco reconhecimento, e “que há grande corrupção no alto escalão da PM do Rio de Janeiro”. Em seguida, o vereador questiona o delegado sobre a situação em São Paulo, e da Cunha responde:

 

“A gente tem que ir para a polícia. O que a gente não pode é deixar de ir para a polícia, porque os ratos continuam mandando, tem que começar o processo de expulsão de rato. Quem é correto trabalha, e o rato que corra. A gente tem que estar aqui na internet ganhando poder e crescendo, para as raposas que estão embrenhadas lá em cima, mamando nas tetas há anos, para enxotar elas. Porque se não enxotar essa podridão, não tem como fazer segurança, tem que aposentar. ‘Ó, quantos anos você tem? 55, 60? Cara, 60 não é mais na polícia. Se tu tá com 60 e está na polícia, é porque tu tem algum outro interesse, porque você não está afim de correr atrás de vagabundo’. Vai dar aula na faculdade, vai desenvolver outra atividade intelectual, vai ser advogado, secretário, qualquer coisa, mas para ser polícia, você tem que ter um motivo”.

 

Em seu canal no YouTube, o delegado afirmou que foi afastado das ruas por conta dessa alegação. Além do afastamento, de acordo com ele, lhe foi imposto que entregasse as armas e o distintivo.

 

“Decisão para eu entregar todas as minhas armas. Que decisão é essa? Então eu passo anos e anos da minha vida combatendo o PCC, combatendo sequestrador, o mundo inteiro sabe que eu sou delegado, e quer que eu entregue as armas? Que eu fique sem arma na rua? Como eu trabalho e me defendo sem arma? Vai cuidar de mim? Se prepara que vou entrar na Justiça para discutir essa decisão”, disse em uma transmissão ao vivo.

 

Ainda de acordo com o delegado, apesar de ter entregue três armas a que tinha direito como autoridade policial, ele ainda tem uma arma particular, da qual tem autorização de uso. “É um absurdo deixar um delegado de polícia sem arma, um delegado de polícia que combateu o crime organizado a vida inteira. Eu acho que não é esse o caminho não […] Não sou delegado de pelúcia, eu sou delegado da favela”, disse em um dos trechos de sua live.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o policial responde a procedimento administrativo disciplinar junto ao órgão corregedor. As medidas adotadas durante a apuração são de caráter sigiloso e, portanto, não poderão ser divulgadas.

Defesa explica

 

Ao G1, o advogado do delegado, Alexandre Calixto, confirmou que a decisão que designou Carlos Alberto da Cunha para o exercício de atividades exclusivamente burocráticas, bem como a entrega de armas e distintivo, se deu por conta da entrevista divulgada no programa de podcast, por suposto uso de linguagem inadequada e comentários depreciativos à imagem institucional.

 

“Tal decisão coloca em risco a segurança pessoal do doutor Carlos Alberto da Cunha, que durante anos trabalhou em diversos departamentos da Polícia Civil do Estado de São Paulo no combate ao crime organizado. Estamos tomando as medidas cabíveis visando reverter tal decisão”, alega a defesa.

 

De acordo com o advogado, o delegado responde a outros processos administrativos, todos ligados a declarações dadas em suas redes sociais. “Entretanto, tais procedimentos ainda estão em fase de apuração, e não têm ligação com essa decisão que o designou para realização de atividades exclusivamente burocráticas”, destaca.

G1


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