Brasil

Dias faz balanço da gestão do Consórcio Nordeste, fala da importância da região nas eleições e diz que Lula é “símbolo de esperança”

WSCOM com CartaCapital

Governador do Piauí pela quarta vez, Wellington Dias assumiu papel de destaque no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e ao negacionismo do governo Bolsonaro. Na condição de presidente do Consórcio Nordeste, privilegiou a ciência e foi incisivo na defesa da vacina, assumindo essa luta também no Fórum Nacional dos Governadores.

 

Agora o gestor se prepara para passar o bastão ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que assume, ainda este mês, o comando do consórcio que representa os nove estados da região Nordeste.

 

Em entrevista à revista CartaCapital, o petista faz um balanço da sua gestão, fala de política e do papel do Nordeste nas eleições.

 

Dias destacou a aposta na ciência pelo Consorcio Nordeste no enfrentamento à Covid-19, com a criação do comitê científico, primeiro coordenado pelo doutor Miguel Nicolelis, depois pelo ex-ministro Sérgio Rezende, formado por aproximadamente 4,8 mil cientistas do Brasil e do mundo.

 

“Resolvemos seguir a ciência, com a organização de 18 câmaras temáticas. Cada uma delas tem uma equipe técnica, além das secretarias de diferentes órgãos, representantes da academia, setor privado integrado com os municípios, e o resultado é uma política que deu certo no estado e acabou transformada em política regional. É, provavelmente, o mais importante passo para o médio e longo prazo”, declarou.

 

 

 

Confira a entrevista:

Trabalho coletivo

A grande diferença do Nordeste foi a capacidade de integração entre municípios, estados, áreas federais e o setor privado. Se o Brasil tivesse seguido as políticas que adotamos no Nordeste, possivelmente teríamos mais 250 mil brasileiros vivos entre nós. Perdemos essas pessoas em razão do descaso, de não seguir a ciência e de não levar em conta a própria experiência brasileira com vacinas e combate a epidemias. Os estados do Nordeste destacam-se como aqueles com melhores condições em relação à vacinação. O Piauí, para citar um exemplo, tem o segundo maior porcentual de população imunizada do País. Criamos uma rede social para amparar quem perdeu o emprego, quem voltou a ser ameaçado pela fome… Criamos o programa Nordeste Acolhe para os órfãos da pandemia. Viabilizamos um auxílio de meio salário mínimo para assegurar condições mínimas de alimentação e sustento às famílias. Ao mesmo tempo, trabalhamos para gerar emprego e atrair investimentos, mas sem descuidar um minuto sequer da agenda social.

O voto nordestino

Temos sempre de respeitar sua excelência, o povo. Temos na região uma população que ao longo do tempo sofreu discriminação e armadilhas que tinham por objetivo a destruição da sua imagem. Quantos preconceitos foram colocados em relação ao Nordeste? Tudo que tinha de ruim no Brasil, a culpa era do Nordeste. A gente compreende o que aconteceu com Lula: na ganância, no interesse espúrio de não dar a ele a oportunidade de participar da eleição de 2018, montou-se um drama e as pessoas de bem foram levadas na onda que criou um verdadeiro ódio contra o Partido dos Trabalhadores, contra um campo político. Hoje, isso está mais claro e cresce cada vez mais a compreensão do que estava em jogo. Vem também a lembrança de um legado. O que foi o Brasil entre 2003 e 2010, quando Lula foi o presidente e mesmo na fase de Dilma? Viam-se políticas para a saúde, educação, ações voltadas para erradicar a pobreza, para acelerar o crescimento econômico. Essa lembrança a população tem e tem como um Brasil que vinha em todas as regiões tendo melhoras. Eu creio que a eleição de 2022 será um reencontro do Brasil, uma retomada. Não é fácil, a destruição que se fez é muito grande. É preciso um governo da reconstrução nacional.

Auxílio Brasil e eleições

O benefício não deixa de ser um fator de dependência financeira e de gratidão da população. O nordestino é bastante grato a quem o ajuda. A consciência política da região é, porém, muito maior. As pessoas sabem o que é uma responsabilidade institucional, separam aquilo que é oferecido por um governante e uma política de Estado. É preciso lembrar como se deu a construção do auxílio no Congresso Nacional. Nosso campo político lutou por isso e não era esse valor que o governo queria, era de 200 reais. Ao mesmo tempo, fizeram de um jeito que deixou muita gente de fora. Isso também vai ser observado. O povo quer voltar a ter esperança. Nesse sentido, não tenho dúvida de dizer que Luiz Inácio Lula da Silva é mais que um homem, uma pessoa física ou um líder político. Ele é um símbolo de esperança, um símbolo de luta, de transformação de sonhos e realidade. Tudo isso pesa no Nordeste e vai pesar em outras regiões do Brasil.

Aliança com Alckmin

Existe no Brasil dois campos distintos: um que defende a democracia e outro saudosista da ditadura; um que defende a soberania em relação a outros países e outro que é subalterno; há um campo que defende uma política de respeito ao meio ambiente e responsabilidade com as gerações futuras e há outro que não está nem aí para a área ambiental; um campo que respeita e tem um projeto de desenvolvimento, que pensa no econômico e no social, e há outro que tem um projeto só de entregar. Fiquei muito animado com a ­possibilidade de Alckmin se filiar a um partido desse campo político e, ao mesmo tempo, se colocar à disposição para um diálogo.

Federação partidária

O Brasil tem um problema sério, que é a necessidade de uma reforma política. Eu mesmo tenho dito ao presidente Lula que a gente teve a oportunidade, em um dado momento, de fazer uma reforma para valer e não fizemos. O mundo inteiro vota a partir de um projeto de Estado. Sou defensor, nessa conjuntura, da federação.

 




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