Sergipe

É falso que eficácia da ivermectina no tratamento da Covid-19 tenha sido comprovada

Circula no WhatsApp uma mensagem com uma possível comprovação científica de que o uso do medicamento ivermectina é eficaz no tratamento e prevenção da Covid-19. As informações são falsas. Em publicação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que ainda são necessárias pesquisas para confirmar ou descartar descobertas e que, portanto, não há comprovação científica da eficácia.

A mensagem falsa apresenta como fonte o site “ivmmeta.com”, que, para especialistas ouvidos por vários sites de checagem de informação, como Estadão Verifica e Agência Lupa, não tem validade científica. “Saiu o randomizado da ivermectina, está aí a eficácia e a comprovação científica, para quem queria ‘ciência’ está aí: 90% de eficácia na profilaxia, 80% no tratamento precoce e 50% no tratamento tardio”, informa o conteúdo falso.

No entanto, a mais recente publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 11 de março de 2021, contendo um resumo de evidências de opções terapêuticas contra a Covid-19, afirma que “há uma certeza muito baixa das evidências” e que “a ivermectina pode não reduzir significativamente a mortalidade e provavelmente não melhora o tempo de resolução dos sintomas”. A OMS informa que pesquisas ainda são necessárias para confirmar ou descartar essas descobertas.

O Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) fez, nesta terça-feira (23), um alerta sobre a propagação das informações falsas. O CRF lembra que a própria farmacêutica MSD (Merck Sharp and Dohme), que produz a ivermectina, já afirmou que ainda não há evidências sobre os benefícios do medicamento no tratamento da Covid-19.

O assunto é uma preocupação para o Conselho Regional de Farmácia porque esse tipo de compartilhamento de informações estimula a automedicação.  “A automedicação é um problema no nosso país. A ivermectina é um antiparasitário de baixo potencial de toxicidade desde que ele seja indicado e usado da forma correta, contudo, o que se tem observado é uso indiscriminado deste medicamento e o resultado tem sido hepatite medicamentosa em alguns pacientes”, explica o presidente do CRF/AL, Robert Nicácio.

“A prevenção é seguir as medidas sanitárias de distanciamento social, de lavagem das mãos, de uso de álcool gel e de não aglomerar ”, acrescenta.


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