Nordeste

Em entrevista, presidente do BNB assegura estratégias e recursos para fomentar setor produtivo, em especial micronegócios

A nova edição da Revista NORDESTE, de nº 183, apresenta entrevista especial com o presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), José Gomes da Costa, como destaque de capa. Em conversa com o jornalista Walter Santos, o executivo aborda a política de renovação implantada à frente da instituição com foco na execução de estratégias e recursos para fomentar o setor produtivo, em especial, os micro e pequenos negócios.

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Reprodução: Revista NORDESTE

Leia abaixo, na íntegra:

BNB se renova para garantir reforço à economia

Presidente José Gomes assegura estratégias e recursos para fomentar setor produtivo, em especial micronegócios


Por Walter Santos

O mundo do mercado financeiro anda em alerta máximo construindo dispositivos para se precaver dos efeitos da Guerra da Ucrânia também no Nordeste brasileiro. Segundo o presidente do BNB, José Gomes – dirigente máximo emergido da própria Casa – revela estratégias e recursos como forma de garantir projetos de auto sustentação ao setor produtivo. Leia a entrevista na íntegra:

 

Revista NORDESTE – O BNB se mantém como estrutura fundamental aos negócios dos nove estados mais parte de Minas e Espírito Santo. Objetivamente, dentro do planejamento estratégico do banco, quais são as principais políticas de incentivo ao desenvolvimento dos estados?

José Gomes da Costa – O Banco do Nordeste tem como missão ajudar no desenvolvimento da região de forma sustentável. Então, nós atuamos em diversas frentes com políticas de investimento para apoiar as vocações da região. E isso envolve diversos setores e atividades. Financiamos do microempreendedor à infraestrutura necessária para atrair outros investimentos. Se fôssemos elencar os segmentos prioritários, eu destacaria o microcrédito, por dar oportunidade a milhões de empreendedores individuais, e as pequenas e médias empresas – que são as que mais empregam pessoas. Também temos atuação muito intensa no agronegócio, que aproveita o potencial do Nordeste e produz alimento. É importante, entretanto, salientar que nossa atuação é muito mais ampla, contemplando projetos em turismo, saneamento, energia limpa, crédito estudantil e outros segmentos.

 

NORDESTE – Na avaliação do BNB, a partir do ETENE, como gerar ações preventivas e/ou de proteção econômica para impedir efeitos danosos aos efeitos da Guerra da Ucrânia nos Estados vinculados à SUDENE?

José Gomes da Costa – O Etene é uma fonte de análises com profissionais muito experientes e de muito conhecimento. Os seus estudos sempre nos ajudam na tomada de decisão. Estamos atentos aos efeitos que esse conflito na Europa pode trazer, como por exemplo o impacto em fertilizantes que são utilizados no campo. Pelo BNB, estamos preparados para oferecer apoio às empresas com a oferta de crédito nas melhores condições para que os negócios possam superar esse momento de dificuldade que pode vir a ocorrer.

 

NORDESTE – A propósito, o que o BNB e a SUDENE desenvolvem conjuntamente visando incrementar a economia?

José Gomes da Costa – Tanto o Banco quanto a Sudene têm a missão de desenvolver a Região oferecendo apoio a quem deseja empreender de forma a estimular um crescimento sustentável. Trabalhamos em total harmonia. Mostra disso é o FNE, nossa maior fonte de recursos é aplicada seguindo uma política de financiamentos definida em conjunto. Mas não somente nisso. Também trabalhamos em conjunto na análise de projetos e no planejamento de ações. Para citar somente um exemplo dessa parceria posso falar do reinvestimento. É um benefício incrível que a Sudene executa com apoio do BNB. As empresas podem destinar até 30% do imposto de renda devido à compra de máquinas e equipamentos. Esse dinheiro é depositado no BNB para ficar rendendo enquanto a empresa prepara e apresenta um projeto de utilização desses recursos que será analisado e autorizado pela Sudene.

 

NORDESTE – Quanto de recursos o BNB dispõe para fortalecer ou dimensionar o segmento privado?

José Gomes da Costa – O Banco do Nordeste aplica valores da ordem de R$ 42 bilhões por ano. É um importante recurso para apoiar os negócios na região. Esperamos superar a média de aplicação verificada nos últimos anos.

 

NORDESTE – Quais os setores mais demandados e busca de incremento e crédito sabendo que o setor energético tem crescido muito?

José Gomes da Costa – O setor energético tem, de fato, crescido muito e a demanda supera a disponibilidade de recursos do FNE. É uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento de qualquer região. No Nordeste, também temos apoiado muitos projetos. Em 2021, de todas as aplicações em infraestrutura com recursos do FNE 84% foram para o setor energético, com destaque para geração limpa. Também o agronegócio tem experimentado crescimento na demanda por crédito, assim como o comercio e serviços.

 

NORDESTE – O que o BNB dispõe para o agronegócio levando em conta a evolução de regiões como MATOPIBA, por exemplo, a produção de grãos?

José Gomes da Costa – O Banco do Nordeste tem apoiado fortemente essa região notabilizada pela produção de grãos. Nosso apoio contempla desde o pequeno produtor a grandes empresas envolvidas nessa cadeia produtiva, com destaque para as linhas de custeio agrícola. Temos entre os produtos financeiros mais acessados por produtores locais o Cartão BNB Agro, que possibilita a compra de máquinas e equipamentos de forma mais ágil, com menos burocracia. Pensando também nesses empreendedores, lançamos linha de crédito exclusiva para financiar a manutenção de maquinário. Esse ano vamos atuar mais fortemente com linhas para exportação, com a revisão da forma de cálculo de limite de crédito opara realização de ACCs. O Banco ainda apoia e está presente de modo ativo em feiras e exposições da MATOPIBA, como a Bahia Farm Show a Agrobalsas, além de ter designado gerentes de relacionamento dedicados para atender os produtores da região.

 

NORDESTE – Em Nova fase pós Pandemia, como o banco convive e trata o segmento do Turismo, o primeiro e mais afetado? O setor já está recuperado?

José Gomes da Costa – O segmento do turismo é atividade considerada prioritária para aplicação de recursos do FNE em 2022, especialmente no âmbito das rotas estratégicas do Turismo (Programa Investe Turismo do Ministério do Turismo). Para 2022, há projeção de direcionamento de cerca de R$ 580 milhões para o atendimento do segmento, valor este que poderá ser ajustado ou reprogramado a maior no decorrer do exercício, de acordo com o comportamento da demanda apresentada às nossas unidades de atendimento. O Banco também operacionaliza recursos do Fungetur, disponibilizado pelo Ministério do Turismo. Adicionalmente, por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial do BNB, o Prodeter, o Banco desenvolve ações de fortalecimento da cadeia produtiva do turismo em cerca de 200 municípios componentes de 15 diferentes territórios em oito dos 11 estados que compõem a área de atuação do FNE. Nos últimos dois anos, o BNB aplicou no segmento turístico, em toda a área de atuação do FNE, o valor de R$ 950 milhões por meio de três mil operações, sendo uma efetiva fonte anticíclica para apoio ao trading nos dois anos, quando houve maior impacto em razão da crise econômica gerada pela pandemia. A recuperação do setor já é perceptível. Dados recentes do divulgados pelo IBGE e analisados pelo nosso Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene) apontam que as atividades turísticas no Brasil cresceram cerca de 30% nos últimos 12 meses. No Nordeste, de um modo geral, esse percentual de evolução se mantém. Nossa expectativa é de que o crescimento do turismo na região seja ainda mais significativo com o arrefecimento da pandemia.

 

NORDESTE – O Sr comanda o BNB com DNA autêntico, de origem no próprio banco. O que isso gera de valor agregado e de motivação pró-ativa junto ao Pessoal?

José Gomes da Costa – De fato, como passei a maior parte de minha carreira no BNB, como gestor em agências ou como superintendente estadual, tenho uma visão muito próxima acerca da realidade e das necessidades de nossos clientes. Vejo em minha atuação uma identificação muito forte com a rede de agências. Isso, a meu ver, traz um valor agregado, que é o foco na melhoria do atendimento.

 

NORDESTE – O que a gestão sob sua presidência pretende apresentar de novidade ou legado ao final do processo?

José Gomes da Costa – Tenho me empenhado para que os recursos ofertados pelo BNB cheguem oportunamente a quem deseja investir na Região. Tornar o processo de crédito mais prático e ágil tem sido uma de nossas bandeiras. Para alcançar esse objetivo, pretendemos trabalhar fortemente a cultura da inovação no Banco, bem como firmar parcerias para superar gargalos tecnológicos e operacionais. De um modo geral, nosso propósito é elevar o patamar de eficiência e competitividade da Instituição, visando dar continuidade ao cumprimento pleno de sua missão de fomentar o desenvolvimento regional.

 

Uma síntese do BNB

Consta como informação principal para quem busca detalhes sobre o posicionamento do BNB no mercado brasileiro que a instituição financeira é apresentada como o maior banco de desenvolvimento regional da América Latina e diferencia-se das demais instituições financeiras pela missão que tem a cumprir: atuar como Banco de Desenvolvimento da Região Nordeste. Consta também que sua visão é a de ser o Banco preferido do Nordeste, reconhecido pela sua capacidade de promover o bem-estar das famílias e a competitividade das empresas da Região. Por fim, realça que sua preocupação básica é executar uma política de desenvolvimento ágil e seletiva, capaz de contribuir de forma decisiva para a superação dos desafios e para a construção de um padrão de vida compatível com os recursos, potencialidades e oportunidades do Nordeste.


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