Alagoas

‘Empresário’ que recebeu quase R$ 14 milhões em Maceió mora na periferia de SP

No papel, Adson Lima da Silva, 33 anos, é um empresário que trabalha como sócio de uma companhia de construção em Maceió (AL) e, de 2019 até fevereiro de 2022, recebeu R$ 13,8 milhões vários municípios alagoanos, a maior parte de dinheiro federal repassada a prefeituras alagoanas. Na vida real, ele mora numa casa simples no bairro do Jaraguá, na Zona Oeste da cidade de São Paulo (SP). A Polícia Federal (PF) acredita que ele seja “laranja” em um esquema de desvio de dinheiro federal enviado para a cidade de Rio Largo (AL).

 

De acordo com informações publicadas nesta quinta-feira (4) pelo jornal O Estado de S.Paulo, o que era para ser a moradia do suposto empresário com contratos milionários em Alagoas é uma casa onde vivem várias famílias. Lima da Silva se mudou há alguns anos, informaram vizinhos.

 

Um inquérito da PF reuniu indícios de que o prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (PP), teria usado duas empresas para desviar dinheiro federal. Uma das empresas foi registrada em nome de Lima da Silva.

 

Agentes federais gravaram imagens de pessoas tirando dinheiro das contas das empresas envolvidas e seguindo de carro até um beco onde eram entregues envelopes a veículos usados pela prefeitura de Rio Largo.

 

Nos registros da Receita Federal, Adson Lima da Silva é um dos donos da construtora Litoral, de Maceió. Mas, de acordo com a PF, é uma empresa de fachada: a Litoral nunca teve empregado registrado e a sede informada é um quarto do hotel Aqua Inn, no bairro da Ponta Verde, na capital alagoana. A empresa recebeu R$ 13,8 milhões de vários municípios alagoanos.

 

Adson também trabalhou em uma empresa de autopeças, chamada Reauto, que pertence ao pai de Adson, Ailton. Segundo a PF, a Reauto “apresenta estrutura incompatível com os valores que transitaram por suas contas, pois, entre 01/01/17 e 15/02/22, recebeu R$ 49.038.965,19″ de Rio Largo e outras prefeituras alagoanas, segundo a PF.

 

Adson, seu irmão Alisson e outras pessoas ligadas à Litoral e à Reauto fizeram 233 saques de dinheiro vivo, na boca do caixa, com valores acima de R$ 10 mil. Alguns do saques aconteciam no mesmo dia em que a prefeitura de Rio Largo depositava na conta da Litoral, para evitar a detecção pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A instituição recebe alertas sobre operações acima de R$ 50 mil.

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