Nordeste

MPF investiga prefeito e vice pernambucanos por corrupção na Saúde

26/10/2020


redacao@grupojbr.com

Em meio a tantos casos de corrupção envolvendo governantes do país, chamou a atenção, nos últimos dias, um caso emblemático, vindo de um município do agreste de Pernambuco. O Ministério Público Federal instaurou, na última semana, inquérito civil para investigação de denúncias de corrupção contra o prefeito e o vice-prefeito do município de Vertentes, respectivamente Romero Leal (PSDB) e Helder Corrêa (PSDB), este último, também secretário municipal de saúde.

Os dois teriam recebido, durante três anos, aproximadamente R$ 500 mil em propina. O prefeito é candidato à reeleição. O município de Vertentes tem pouco mais que 20 mil habitantes e sofre com a carência de recursos para áreas básicas, sobretudo o atendimento à saúde. O mais inusitado é que o prefeito ainda se candidatou à reeleição no pleito deste ano.

O inquérito civil foi instaurado pelo procurador da República Elton Freires Moreira que determinou um prazo de 90 dias para a Polícia Federal analisar as denúncias feitas pelos diretores e médicos do Hospital Memorial Dr Jaime Justiniano de Santana, Niedja Santana e Bruno Rushansky. Elton Moreira destacou, no documento em que pede a abertura das investigações, que considerou as acusações “graves e sólidas”, motivo pelo qual solicitou a abertura do processo.

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No início do ano, Niedja Santana divulgou vídeos e áudios que demonstram a negociação e o pagamento sistemático das propinas. Em um mês eram repassados para o prefeito Romero Leal R$ 17,5 mil, no mês seguinte, R$ 12,5 mil para o vice-prefeito e, assim, sucessivamente, durante três anos.

Segundo a denúncia, os repasses dos recursos do SUS da prefeitura para o hospital eram feitos somente após o pagamento das propinas. Nos vídeos aparecem imagens do vice-prefeito recebendo envelopes com dinheiro e nos áudios, do prefeito confirmando o acordo da propina.

Nas conversas gravadas, a médica afirma, literalmente, o valor de cada pagamento e se refere à propina como “aquele plus para vocês”.

Desde o fim de dezembro do ano passado, o Hospital Memorial Dr Jaime Justiniano de Santana encontra-se fechado e os moradores dessa cidade do agreste pernambucano contam apenas com uma policlínica que não atende todas as necessidade da população, obrigando os moradores a procurarem tratamento em cidades vizinhas ou na capital Recife, que fica a mais de 120 quilômetros de distância.


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