Brasil

Museu de Arte Contemporânea completa 25 anos

Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Um disco voador sobrevoa o Rio de Janeiro, passa pelo Cristo Redentor, pelo Pão de Açúcar, o Maracanã, atravessa a Baía de Guanabara e pousa em Niterói. A nave é o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o piloto, o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelo projeto. Ele sai da nave, se apresenta e desce a longa rampa avermelhada do monumento. 

 

Quem conhece o arquiteto acha divertido ele ter aceitado embarcar na brincadeira do diretor de cinema belga Marc-Henri Wajnberg, assumindo de vez uma das comparações feitas ao seu projeto. O registro está eternizado no documentário Oscar Niemeyer, um arquiteto comprometido com o século, lançado em 2000.

 

Símbolo da cidade de Niterói, o MAC completa hoje (2) 25 anos desde a inauguração, em 1996. São muitas as comparações: além de disco voador, ele é comparado a uma taça ou mesmo a uma flor. Independente do que possa parecer, não há dúvida de que o monumento está entre os mais influentes do mundo.

 

De acordo com o vice-presidente da Fundação Oscar Niemeyer e professor de arquitetura da Universidade Federal Fluminense, José Pessoa, o MAC é uma das obras de grande qualidade da última fase de criação de Niemeyer, caracterizada pela simplificação da forma aliada ao arrojo tecnológico. “Niemeyer procurava fazer prédios como se estivessem voando ou flutuando. O MAC é isso. Ele dizia que era como se fosse uma flor”.

 

Pessoa destaca algumas curiosidades sobre o museu. Uma delas é uma certa ilusão de ótica no interior. Os visitantes têm a sensação de que as paredes são curvas, por causa do formato do edifício, mas elas não são. Além disso, o carpete sobe um pouco pela parede, dando continuidade ao piso. “É como se brincasse com o seu olhar. O chão sobe pela parede, a parede reta parece curva. Tem uma coisa lúdica especial no museu”.

 

A rampa de acesso também é um destaque da obra. Niemeyer a caracterizou como um passeio na arquitetura. “À primeira vista, de fora, é uma coisa ilógica. Não é uma rampa direta de acesso à entrada. Ela dá uma volta. Mas, quando se percorre a rampa, percebe-se que a intenção era projetar aquela rampa. Ela percorre visualmente toda a área, toda a Baía de Guanabara”, explica Pessoa.

Rio de Janeiro - Museu de Arte Contemporânea de Niterói  (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Rio de Janeiro – Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Tomaz Silva/Agência Brasil) – Tomaz Silva/Agência Brasil

O museu nasceu de um convite feito a Niemeyer, em 1991, pelo prefeito de Niterói à época, Jorge Roberto Silveira. Juntos, eles definiram o local do MAC, na orla da Baía de Guanabara, no mirante da Boa Viagem. Ali, o museu poderia, ao mesmo tempo, ser visto e dele observar ícones da paisagem do estado, como o Morro do Pão de Açúcar e o Corcovado, onde está o Cristo Redentor, e a orla de Niterói.

 

Em outro documentário, A vida é um sopro, gravado também com o próprio Niemeyer, o arquiteto descreve a criação do MAC: “Por incrível que pareça, era um projeto simples. O prédio seria aqui”, diz, esboçando um desenho, e continua, “O mar estava aqui. Ele ia avançar na água. Deveria ser uma coisa mais leve, para não perturbar a natureza. Então, eu fiz o museu assim. O Pão de Açúcar, a natureza toda, por debaixo do museu”.

 

Comemoração

MAC Niterói
MAC Niterói – Leo Zulluh/Direitos reservados

Para marcar o aniversário, os ingressos do MAC serão gratuitos este mês e estão previstas atividades comemorativas, também de graça, até o final de setembro. São exposições, apresentações, eventos online e o Seminário de Arte e Cultura LGBTQI+.

 

Segundo o secretário das Culturas de Niterói, Leonardo Giordano, as comemorações mostram a importância do museu para a cidade. “A própria existência, a construção do MAC está intimamente ligada à história de Niterói e a uma potente retomada da autoestima da cidade. O museu tem essa característica que liga as artes contemporâneas e as obras de Oscar Niemeyer ao próprio futuro e destino da cidade”.

 

Ao longo dos 25 anos de existência, o museu recebeu mais de 2,8 milhões de pessoas e realizou 186 exposições, com 9 mil obras. Agora, a obra do artista plástico Allegretti, uma das escolhidas para comemorar os 25 anos, entrará nesta lista. Trata-se de um monumento de quatro metros de altura e sete metros de largura, constituído por 84 cubos revestidos com placas recicladas das partes internas de 40 mil caixinhas de leite, montado na área externa do museu.


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