menu

Sergipe

29/04/2016


Codevasf não possui condições básicas de trabalho, denuncia sindicato

Na semana em que se comemora o Dia Mundial de Segurança no Trabalho, dia 28 de abril, a Seção Sindical Codevasf Aracaju do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF), filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), denunciou que os trabalhadores da CODEVASF têm colocado em risco sua saúde e integridade física diariamente para trabalhar em prédios repletos de rachaduras, infiltrações e maribondos.

O prédio que abriga o escritório do Perímetro de Betume, localizado no município Neópolis, está tão velho, que as vigas de sustentação de madeira têm rachaduras muito grandes, impondo sério risco de desabamento. Na sala de administração, a rachadura no chão é tão grande e profunda que o piso cedeu, tornando o chão rebaixado. O cenário de descaso se completa com a existência de fios descobertos em vários espaços do escritório, assim como casas de maribondo em toda parte, portões velhos e enferrujados, prestes a cair.

O diretor sindical José Domingos já informou várias vezes ao superintendente da CODEVASF em Sergipe sobre o risco ao qual os trabalhadores estão expostos. No entanto, mesmo ciente da situação, a Superintendência nunca se interessou em tomar qualquer providência para a melhoria das condições de trabalho.

Da mesma forma, a oficina da CODEVASF da região está sem uma bomba para a retirada de óleo diesel e gasolina dos veículos de abastecimento, portanto este processo vem sendo feito de forma rudimentar: com ajuda de uma mangueira, o trabalhador puxa o combustível com a boca e assim, constantemente, ele precisa colocar sua saúde em risco por falta de estrutura para a realização do trabalho da maneira adequada.

Ainda na oficina da empresa, o congelador de uma velha geladeira do refeitório é sustentado por um pedaço de pau improvisado pelos trabalhadores para que ela não parasse de funcionar completamente.

Presidente da seção sindical do SINPAF em Sergipe, Antônio Barbosa acompanhou o diretor da CUT/SE, Jairo de Jesus, numa visita às Estações de Bombeamento e Drenagem dos Perímetros Irrigados. Os dirigentes sindicais constataram que os trabalhadores das Estações de Bombeamento completam uma jornada de 12 horas seguidas em alojamentos apertados, sem água potável para beber, na sua maioria sem banheiros e, quando existe banheiro a sua disposição são completamente insalubres ou sem água – espaços que a empresa chama de 'área de lazer'. A situação descrita corresponde fielmente ao estado da Estação EB5.

No caso da Estação EB1, do Escritório Cotinguiba/Pindoba, a estrutura é melhor, mais espaçosa, porém, o isolamento e ruído alto da bomba provocado pelo baixo nível da água captada causam problemas à audição e saúde psíquica dos trabalhadores.

O trabalhador da EB5 Cotinguiba teve vergonha de mostrar o cubículo onde fica confinado por muitas horas durante sua jornada. Lá também não há água potável, nem água no banheiro, que pelas péssimas condições de higiene e salubridade nem é utilizado pelo trabalhador.

Além de todos os problemas relatados, ainda há o risco de acidentes trágicos por falta de manutenção. O trabalhador da EB5 Cotinguiba relatou o acidente com um cano que estourou e não havia condições de desligar a bomba de alta voltagem com comando elétrico de 13.800 volts, pois eram necessárias luvas especiais de proteção que a CODEVASF nunca disponibilizou aos trabalhadores.

Outro problema sério: a falta de segurança. Nas estações roubos e assaltos são uma constante. Rouba-se fios de cobre, transformadores de energia e muitas vezes o trabalhador continua, mesmo após o roubo, sendo ameaçado pelo ladrão. Foi o caso de um dos trabalhadores, que prefere não se identificar, que trabalha há 16 anos na EB5 e duas vezes escapou da morte por ter chegado à estação quando o ladrão, armado com uma escopeta calibre 35, roubava fios de cobre. Por 15 dias ele continuou sendo ameaçado. Reclamou à chefia, mas como não teve qualquer providência da empresa teve que se proteger sozinho.

O dirigente sindical Antônio Barbosa recordou, ainda, a situação de outro trabalhador que ingressou na Justiça contra a CODEVASF denunciando as condições de trabalho e alojamento nas EBSs, no entanto, o juiz deu causa ganha à empresa e a situação de descaso continuou. "Vou completar 38 anos de trabalho na CODEVASF, sou um apaixonado pela empresa. Entendo que a CODEVASF tem uma importância gigantesca na região. Pelo tempo que trabalho na empresa sei do empenho desta equipe formada em Sergipe por 200 trabalhadores. Por isso, uma empresa deste porte não pode deixar o trabalhador à míngua, sob risco de acidente, em condições precárias, insalubres e enlouquecedoras", denunciou o sindicalista.
Barbosa cobra que a empresa se ajuste à legislação e se adeque às condições de trabalho para o bem-estar e saúde desses trabalhadores. “Para o sindicato, trabalho bom é trabalho digno”.

Jornal da Cidade

Notícias relacionadas