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Brasil

25/10/2015


Defensores de Cunha querem atrasar cassação para próximo ano

Os aliados do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que possuem assento no Conselho de Ética da Casa estão promovendo uma articulação para protelar ao máximo uma decisão sobre o processo de cassação do mandato do peemedebista. O objetivo é dar tempo a Cunha para preparar sua defesa, empurrando o caso para o próximo ano.

 

Cunha já havia feito manobras para retardar a abertura do processo por parte do presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), o que postergou o início dos trabalhos da comissão em uma semana. A previsão é que a primeira sessão sobre o assunto aconteça nesta quarta-feira(28). Segundo Araújo, será necessário "correr" para concluir o processo ainda neste exercício.

 

Contando com o prazo apertado, os aliados de Cunha, entretanto, dizem que não podem existir "atropelos" em torno da questão. "O ano legislativo praticamente está acabando, tem cinco ou seis semanas úteis. O tempo é muito curto, acho que não dá para terminar esse ano. Não pode atropelar, tem que conduzir com responsabilidade. Tem que analisar a coisa com muito equilíbrio, seja quem for, de qualquer partido" disse o deputado Washington Reis (PMDB-RJ).

 

"Depois da lei da Ficha Limpa, o político condenado não pode mais exercer o mandato. Antes, tinha dezenas de políticos condenados e exerciam o mandato. E processo, qualquer um está sujeito a responder, quem já passou pelo Executivo e não tem processo é porque não administrou nada. Todos chegam eleitos pela população, o mandato tem que ser respeitado. Tem gente da oposição que, se tiver qualquer boato, já quer trucidar qualquer um. Fazem condenação prévia. Vou trabalhar com muita responsabilidade, com cautela", completou.

 

Outro aliado de Cunha, o deputado Mauro Lopes lembra que existem várias etapas a serem cumpridas, incluindo a convocação de testemunhas de defesa. Já ciente desta possibilidade, o presidente José Carlos Araújo já adiantou que limitará em cinco o número de testemunhas que poderão ser convocadas.

 

"Não sei se dá tempo (de encerrar o processo até o final deste ano) porque a gente é convocado, faz a reunião, depois Eduardo tem direito à defesa, deve apresentar testemunhas para serem ouvidas. Pode acontecer de ter demora. Vai ser igual a um processo que corre na Justiça, às vezes demora. Chegando o processo lá no Conselho, tem o prazo para fazer a convocação, depois vem o feriado de Finados… Normalmente, no Conselho, sempre é açodada a discussão e isso não é bom. É difícil fazer previsão de tempo. É um pouco demorado", disse Lopes.

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