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Brasil

09/10/2013


“Não há dúvida, Campos será o cabeça da chapa”, diz Miro Teixeira

ELEIÇÕES 2014

Em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, o deputado federal Miro Teixeira, recém filiado ao Pros e um dos mais próximos aliados da ex-senadora Marina Silva , confirma: o cabeça da chapa PSB-Rede Sustentabilidade à presidência da República em 2014 será o governador de Pernambuco, Eduardo Campos .

“Marina tomou a decisão política de apoiar um partido com um candidato forte à presidência, porque ela não quer ficar fora do jogo das eleições de 2014. Não foi uma decisão eleitoral, foi política”.

Nesta entrevista, Miro relata como foram as últimas reuniões que teve com o núcleo central da equipe de Marina nas 24 horas transcorridas entre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de vetar a Rede e o anúncio da filiação da ex-senadora ao PSB. “O PSB não era um dos partidos que fizeram convite à Marina, ela é que tomou a iniciativa de procurar o Eduardo Campos para apoiá-lo e se filiar à legenda”, contou.

Brasil Econômico: Como foi o processo de decisão da Marina Silva em ir para o Partido Socialista Brasileiro?

Miro Teixeira: Logo após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nós fomos nos reunir, durante a madrugada de quinta para a sexta, bastante tristes com a não aprovação da Rede Sustentabilidade — que tinha mobilizado centenas de milhares de apoiadores empolgados com a proposta em todo o país. Ficamos até altas horas, acho que até umas 4h30, discutindo o futuro político da Marina e daquele movimento tão bonito. Ali, nós fomos informados de que havia 6 ou 7 convites de outros partidos para receber Marina e os militantes da Rede.

Brasil Econômico: Quais eram esses partidos? Naquela reunião já se discutiu quais seriam os melhores partidos?

Miro Teixeira: Não nos foi dito o nome dos partidos, ouvimos apenas esse número, de 6 a 7 convites. E não discutimos esse ou aquele partido, porque havia uma discussão anterior, que era se a Marina deveria entrar em outra legenda para ser candidata, ou continuar com a Rede fora do jogo político das eleições de 2014, cumprindo quase que um papel de Madre Teresa de Calcutá.

Brasil Econômico: E depois, o que aconteceu?

Miro Teixeira: Depois eu peguei um avião para o Rio, às 7h, dei azar porque o aeroporto estava fechado e fui parar em Confins. Aí fui informado de que a decisão havia sido adiada para o dia seguinte e mais tarde retornei a Brasília, no voo das 19h. Fui direto para a casa da Marina, cheguei depois das 21h. Lá estava reunido o núcleo forte que trabalhava em torno da criação da Rede Sustentabildade. Ao chegar lá, como vi que a Marina não estava, imaginei que ela estaria descansando. Esperei, conversando com todos, até umas 23h30, quando achei que ela não viria mais naquela noite e que era melhor ir embora e descansar um pouco para o dia seguinte. Aí um companheiro da Rede me puxou até a varanda e me revelou que Marina estava naquele momento reunida com Eduardo Campos, do PSB, e ia chegar em breve. Logo depois ela realmente chegou e começou a nos contar que havia tomado uma decisão política, de não ficar fora do jogo e de apoiar um partido que já tivesse um candidato forte com quem se identificasse. E revelou que tinha acabado de decidir sua filiação ao PSB para apoiar Eduardo Campos à presidência. Foi uma decisão política dela, não foi uma decisão eleitoreira, ela deixou claro que optou por não ficar fora do jogo e queria discutir essa decisão com os colegas da Rede.

Brasil Econômico: O PSB era um dos 6 ou 7 partidos que fizeram o convite a Marina?

Miro Teixeira: Não, não era.

Brasil Econômico: Então foi a Marina que tomou a iniciativa de falar com o PSB?

Miro Teixeira: Exatamente. Foi uma iniciativa e uma escolha política dela.

Brasil Econômico: A Rede e o PSB já decidiram quem será o cabeça da chapa?

Miro Teixeira: Ora, será o Eduardo Campos, sempre foi. Como eu disse, Marina decidiu apoiar um partido que já tivesse um candidato forte à presidência. Vocês, jornalistas, é que ficam elocubrando outras coisas… Eduardo Campos é o cabeça da chapa.

Brasil Econômico: O ex-presidente Lula disse que o grande vencedor com essa decisão foi Eduardo Campos, que Marina é que sairá perdendo… o que você acha?

Miro Teixeira: Meu grande amigo Lula, que tem ótimas opiniões, tem o direito de achar o que quiser. Mas eu acho é que ele deveria dizer o que acha do PT e de seus problemas internos, que não são poucos.

Brasil Econômico: Por que você se filiou ao Pros e não ao PSB, para acompanhar Marina?

Miro Teixeira: Por causa da legislação eleitoral, eu só posso me filiar a um partido em construção, senão correria o risco de perder meu mandato. E no Pros conversei com o deputado estadual Hugo Leal, com o Ciro Gomes, com o deputado estadual Marcos Figueiredo, filho do Fernando, que eu conheci, e de lá darei meu total apoio a Eduardo Campos e Marina no PSB.

Brasil Econômico: Mas outros políticos com cargos (Walter Feldman, do PSDB, e Alfredo Sirkis, do PV) se filiaram ao PSB…

Miro Teixeira: Só que eles tiveram que chegar a um acordo com seus partidos e conseguir a concordância deles…

iG

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