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Brasil

19/09/2016


Nos EUA, Temer tem série de encontros para “vender” imagem do novo governo

O presidente, porém, deixa no Brasil um rastilho que pode vir a azedar as relações de seu governo com os aliados no Congresso Nacional, que ele ainda não conseguiu azeitar totalmente. Com ações mais recentes, principalmente ao reafirmar a disposição de não ceder mais na questão do ajuste fiscal – inclusive vetando o generoso aumento salarial que o Congresso havia aprovado para os defensores públicos – Temer havia alcançado acalmar seus principais críticos na aliança, o trio DEM-PSDB-PPS.

No fim de semana, com Temer já de malas prontas, baixou mais uma dose de “ciumeira” no antigo bloco oposicionista liderado pelos tucanos, que, como se sabe, querem ter voz ativa – e se possível preponderante – no novo governo e ainda temem as manobras do próprio Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com vistas à sucessão presidencial de 2018.

A motivo do curto circuito foi o almoço que o presidente ofereceu aos líderes do chamado Centrão, com direito a fotos cheias de sorrisos e a um manifesto de apoio às propostas do presidente, na sexta-feira. O objetivo do Planalto era exatamente conquistar os insatisfeitos órfãos de Eduardo Cunha para as propostas de reforma da economia e da administração. Garantir votos, enfim – inicialmente para PEC do Teto de Gastos e depois para a reforma previdenciária. Em entrevista a “O Estado de S. Paulo”, o ministro da Fazenda diz que a a proposta não pode ser desfigurada.

Tucanos e companhia viram um objetivo subliminar: juntar o Centrão ao PMDB e formar um bloco informal poderoso de apoio ao governo, exatamente para enfraquecê-los e reduzir o poder de pressão que eles exercem no momento. Paralelamente, o grupo acha que Temer, o PMDB e o Centrão estão ajustando um acordo para disputar a presidência da Câmara, no ano que vem, lugar que os tucanos aspiram.

Na volta, Temer terá, além de administrar essa insatisfação, de administrar uma outra “ciumeira” que começa a se instalar em seu governo: está incomodando a alguns ministros o excesso de interferência (ou de palpites) em quase tudo na administração do poderoso ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, coadjuvado pelo ministro Geddel Vieira Lima. O incômodo chega até à área econômica.

Temer deverá definir também o nome de um porta-voz para a Presidência da República, para tentar unificar o linguajar do governo e evitar o bate cabeça de ministros e as informações desencontradas que têm dado munição para a oposição, casos da reforma trabalhista e da reforma da Previdência.

Na mesma linha, o presidente, que já estava mais falante nos últimos dias, vai começar a sair de Brasília, para inaugurar obras, apresentar projetos, discursar – enfim, tornar-se mais visível e tornar seu governo mais aberto para começar a bloquear os movimentos de rua da oposição. Temer sentiu o cheiro desses protestos ao desembarcar nos Estados Unidos.

Não se espera nada de excepcional, nenhuma decisão crucial nas próximas duas semanas na seara política e do Congresso Nacional – serão tempos apenas de eleições municipais. Os candidatos e seus apoiadores, principalmente os deputados e senadores e os partidos estão assustados: até agora a eleição não “pegou” junto ao eleitor, não está empolgando. Surpresa somente do imponderável, do imprevisível da Operação Lava-Jato.

A grande expectativa da semana é no campo econômico: a reunião amanhã e depois do Banco Central do Estados Unidos. Há temores, fundados segundo muitos analistas, de que o Fed, finalmente, comece a elevar os juros norte-americanos. A gangorra da bolsa e do dólar no Brasil na semana passada já ocorreu, em parte, por causa desse temor.

iG

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