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Brasil

07/04/2016


PMDB reage a ação de Lula pró-Dilma

Em resposta às articulações do ex-presidente Lula junto a partidos aliados, emissários do vice-presidente da República, Michel Temer, também têm procurado as mesmas siglas para negociar espaços num eventual governo peemedebista.

Nessas conversas, peemedebistas dizem que uma parte do eventual ministério Temer seria blindada de influência política, como a área econômica, a Saúde e a Educação. No entanto, haveria negociações das demais pastas nos mesmos moldes das que estão sendo feitas por Lula.

Um argumento usado por oposicionistas e peemedebistas em conversas com integrantes do PP, PR, PSB e PRB: o ex-presidente estaria vendendo terreno na Lua. Ou seja, após barrar o impeachment, a presidente Dilma Rousseff voltaria a ser o que é, centralizadora, e dificultaria o cumprimento de compromissos assumidos por Lula.

O PMDB tem insistido na ideia de que Dilma é a crise. Logo, se ela continuar, a crise não seria resolvida.

O relatório pró-impeachment de Jovair Arantes (PTB-GO) criou um fato negativo para a presidente. A confirmação desse relatório na comissão da Câmara na próxima segunda-feira deverá ser outra batalha vencida pela oposição e o PMDB.

Os defensores do impedimento também apostam que a votação aberta em plenário, com deputados sendo chamados a manifestar a sua posição no microfone, terá peso pró-impeachment. E ainda surgiriam revelações da Lava Jato que poderiam enfraquecer Dilma.

O governo já esperava que o relatório de Jovair fosse a favor da abertura de processo contra a presidente. A partir de agora, avaliará qual linha de ação priorizará.

Nos últimos dias, o governo tem dito que voltou a ganhar terreno na Câmara devido à ação do ex-presidente Lula de buscar votos contra o impeachment. Esse avanço do governo é perceptível nas conversas com deputados.

Lula conseguiu, por exemplo, evitar que o PP seguisse o caminho do PMDB e rompesse com o governo. O governo também sabe que o parecer de Jovair Arantes deverá ser aprovado pela comissão da Câmara.

Logo, a principal batalha política será no plenário da Câmara, o que aconteceria entre os dias 15 e 17/04, caso não haja um recurso legislativo ou jurídico que mude esse cronograma, que foi o definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Se o governo se sentir forte para fazer o enfrentamento no plenário, evitando que a oposição reúna 342 votos, optará pela batalha política para tentar enterrar o atual pedido de impeachment.

No entanto, se no curso dos próximos dias, o governo avaliar que há risco de perder no plenário da Câmara, poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal alegando que houve nulidades no trabalho da comissão e pedindo o exame da chamada “justa causa”.

Ou seja, o governo pedirá que o Supremo se manifeste a respeito do mérito do crime de responsabilidade. O ministro Luiz Edson Fachin, segundo o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, já mencionou a possibilidade do exame da “justa causa”.

A contagem de votos na Câmara, o peso de manifestações de rua a favor e contra Dilma e desdobramentos da Lava Jato ditarão o caminho que o governo seguirá: se apenas político, se também jurídico ou se ambos.

Blog do Kennedy

IG

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