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Brasil

07/01/2015


Revista NORDESTE aponta Projetos de infraestrutura mais bem avaliados

EXCLUSIVO

Sem infraestrutura não há crescimento, porém, o desenvolvimento do país ainda esbarra em gargalos que impedem sua expansão. Esse é um dos maiores obstáculos da economia no Nordeste. Segundo levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), só na área de infraestrutura para transportes a região precisa de investimentos de cerca de R$ 70 bilhões, direcionados a 196 projetos. Para se ter uma noção, é mais barato transportar grãos para a China que trazer milho e soja do Sul para a os noves estados. A situação, no entanto, está mudando. Recentemente, dois projetos nordestinos ganharam destaque no ranking dos 15 projetos mais importantes do Brasil, apontados pela KPMG (rede global de firmas independentes) e a Revista Exame: o metrô de Salvador e o programa de saneamento básico da Região Metropolitana de Recife.


Impulsionadas pelos desafios da rápida urbanização e tendo como base o estudo “Futuro do Estado 2030”, que aponta as nove megatendências que vão impactar os programas governamentais, o ranking teve como função dar visibilidade aos bons projetos de infraestrutura. “O objetivo do levantamento foi exemplificar que tipo de projetos o Brasil precisa focar para que se tenha o melhor benefício sob o ponto de vista da qualidade de vida do indivíduo, da inclusão do país na economia global e sob o ponto de vista do impacto no ambiente físico, como questões climáticas e de urbanização”, explica o sócio da KPMG e líder para Governo e Infraestrutura, Mauricio Endo.

Foram analisados 1.566 projetos concluídos ou em andamento no país, divididos nos segmentos de energia; petróleo e gás; transporte; saneamento; telecom; infraestrutura social; e mobilidade urbana. Os projetos foram classificados de acordo com os critérios das megatendências apontadas no “Futuro do Estado 2030”, que são: mudanças demográficas; ascensão das classes sociais; inclusão tecnológica; economias interligadas; dívida pública; alterações no poder econômico das nações; mudanças climáticas; escassez de recursos; e urbanização.
A Parceria Pública Privada de Saneamento da Região Metropolitana do Recife, elaborado pela Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), ficou na segunda colocação do ranking. Outra iniciativa que também ganhou destaque foi a PPP do Metrô de Salvador, que alcançou a 12 ª posição.
De acordo com Mauricio Endo, os projetos foram selecionados por terem demonstrado relevância em vários segmentos, como benefícios econômicos, sociais e até sustentáveis. “São projetos que de alguma forma contribuem para atender os desafios do futuro do Brasil”, destaca. O representante da KPMG conta que o país ainda ocupa a 114ª posição entre 148 países em termos de qualidade de infraestrutura, apesar de ter o sétimo maior PIB mundial, de acordo com levantamento de competitividade do World Economic Forum (WEF). “Estes 15 projetos foram selecionados, pois podem ajudar o país a melhorar no ranking do WEF, além de servir como modelo para ajudar a enfrentar os desafios das nove megatendências”, enfatiza Endo.


Projeto promissor – De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1991, apenas 33,3% dos domicílios do Recife estavam ligados à rede geral de esgotos. Em 2000, o percentual aumentou para 42%. Alguns anos depois, a PPP de Saneamento da Região Metropolitana do Recife surgiu como uma alternativa adotada pelo Governo de Pernambuco para aumentar a cobertura de esgotamento sanitário e melhorar a qualidade de vida da população.

“Em julho de 2013, a Compesa e a Odebrecht Ambiental, vencedora do certame licitatório, iniciaram o Programa Cidade Saneada, que abrange as 14 cidades da região metropolitana do Recife e a cidade de Goiana. Em 12 anos, todos esses municípios atingirão a cobertura de 90% de atendimento de esgotamento sanitário, beneficiando em torno de 3,7 milhões de pessoas. Ao final do prazo contratual de 35 anos, espera-se beneficiar mais de 4,8 milhões de pessoas com o esgotamento sanitário”, explica Ricardo Barretto, diretor de novos negócios da Compesa.

Ricardo conta que o objetivo do programa é elevar o índice de cobertura de esgotamento sanitário que, atualmente, é de 30% na Região Metropolitana do Recife, com tratamento de 100% do esgoto coletado, trazendo uma referência de solução para outras regiões do país com situações semelhantes. “Apenas 80% dos estados brasileiros possuem cobertura de esgoto abaixo de 40%”, afirma.

O programa também tem como objetivo a recuperação dos sistemas já existentes no prazo máximo de dois anos, adequando-os à legislação ambiental vigente no prazo máximo de cinco anos e 12 anos para o alcance da cobertura de 90% dos serviços de esgotamento sanitário, contados a partir do início da operação. O contrato tem uma vigência de 35 anos e após esse prazo, no ano de 2048, a intenção é que toda estrutura seja devolvida à Compesa.

 

Leia a reportagem na íntegra na edição 96  da Revista NORDESTE à venda nas bancas.  

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