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Pernambuco

07/05/2020


Secretário de Saúde de PE critica Bolsonaro e cobra posicionamento de Nelson Teich sobre isolamento social

André Longo pediu atitude de Nelson Teich e disse não 'esperar nada' de Bolsonaro. No estado, até agora, 56 vítimas da Covid-19 morreram em casa

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, cobrou um posicionamento mais incisivo do governo federal sobre a necessidade do isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus. Em coletiva de imprensa transmitida pela internet, na noite desta quarta-feira (6), ele criticou a postura de Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Saúde, Nelson Teich. Ele disse, ainda, que houve, ao menos, 56 pessoas que morreram com Covid-19 sem sequer ir ao hospital.

Nesta quarta-feira, Nelson Teich disse que não é “contra ou a favor” que sejam adotados bloqueios totais e admitiu que eles podem ser necessários em algumas situações. Entretanto, ele não deu declarações mais incisivas sobre o assunto.

“Ontem, passamos a tarde em reunião com o ministro da Saúde. A pauta prioritária dos secretários foi pedir ao ministro que se defina em relação ao isolamento social, sobre a possibilidade de apoiar os estados em maior dificuldade. Não é possível que a gente não tenha uma posição clara. Do presidente a gente não pode esperar nada, mas do ministro da Saúde a gente espera alguma tecnicidade, uma manifestação pública”, afirmou o secretário.
A declaração de André Longo foi dada depois que ele foi perguntado sobre a possibilidade de um “lockdown” no estado, que é o bloqueio total para evitar o agravamento da pandemia. Ela vem sendo usada frequentemente desde o agravamento da pandemia do novo coronavírus.

Na segunda-feira (4), Longo informou que o estado pediu apoio ao Exército para intensificar as medidas de isolamento, devido à falta de resposta do Ministério da Saúde.

Entretanto, segundo o secretário de saúde, o pedido do estado ao governo federal, além de apoio aos estados, ocorre também para uma tentativa de conscientizar as pessoas.

“Nós [secretários de Saúde] pedimos uma campanha publicitária. É um absurdo que, na maior pandemia da história recente, a gente não tenha uma campanha falando do isolamento social. É um absurdo”, disse.
O secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, também criticou a falta de resposta da União sobre o isolamento. Segundo ele, há uma ambiguidade naquilo que é recomendado pelas autoridades sanitárias e praticado pelos estados e o que tem feito o governo federal.

“Quero manifestar nossa indignação sobre a necessidade de uma posição mais explícita do novo ministro da Saúde. Antes, por mais que a posição do presidente tenha sido ambígua, contrariando seu próprio ministério da Saúde, havia uma voz uníssona. Reiteramos indignação com essa ausência, do ponto de vista sanitário”, afirmou.

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