NORDESTE

O Nordeste faz o melhor São João do mundo; Disputas entre cidades são sadias

Por Luciana Leão

 

Anos se passam e a disputa de quem leva o selo de maior São João do Mundo, do Brasil, esquenta os ânimos das cidades nordestinas.

 

De Sergipe ao Maranhão, a cada ano, os nove estados, suas capitais e cidades do interior transformam o cenário da região, com tradições advindas de nossos primeiros colonizadores, os portugueses, pois lá também tem tradição nessa época junina. Em números, as cifras são gigantes.

 

Confira abaixo ou se preferir leia no APP da Revista NORDESTE aqui.

 

Caruaru 72 dias de festa

 

 

 

Pátio de Eventos, em Caruaru, Agreste pernambucano. Foto: Divulgação

 

 

Na cidade de Caruaru, no Agreste pernambucano, a 130 km do Recife, a festa começou em março. E desde lá, são mais de 1300 atrações, em 72 dias de festa, com expectativa de receber 3,5 milhões de pessoas.

 

 

O presidente da Fundação de Cultura de Caruaru, Hérlon Cavalcanti, informa que prevalece na cidade e na zona rural do município, o espírito cristão, da celebração dos santos da época Santo Antônio, São João Batista e São Pedro.

 

 

“Em Caruaru, nestas datas de São João, São Pedro, sempre as famílias, como em todo o Nordeste, se reúnem para curtir uma fogueira, soltar fogos, estar com os familiares, vizinhos. É uma tradição”.

 

 

Apesar de ter se tornado uma grande festa popular, assim como o Carnaval, tudo tem sua origem. No caso de Caruaru, a festa tomou grandes proporções a partir da década de 60.
Hérlon lembra que seu pai, o poeta e radialista da Rádio Liberdade, Lídio Cavalcante, criou à época um programa de rádio chamado Agreste em Festa.

 

 

“Esse programa ficou pequeno, de tanto levar músicos, daí ele teve a ideia de fazer no terraço da rádio, que também ficou pequeno. Em seguida, outra ideia de arrumar um caminhão e começar a fazer as caravanas de forró. Essas caravanas geraram concursos de ruas ornamentadas, outras empresas também de comunicação, AM, Copiário, cada um no seu tempo, foi fazendo também suas caravanas, isso foi atraindo artistas nacionais, como Luiz Gonzaga, Tenor Destino, Marineis, entre outros”.

 

 

Em 1995 foi criado o Pátio de Eventos que, de alguma forma, centralizou todas as festas em um local só, acrescenta.

 

 

A festa da intitulada “Capital do Forró” hoje se expande com novos conceitos, igualmente gigantes. A Prefeitura de Caruaru aposta e aporta recursos na gastronomia junina ao expor 60 comidas gigantes elaboradas por comunidades em seus bairros.

 

 

Caruaru hoje tem 27 polos de animação, 13 polos na zona rural, que é o São João na Roça, que já aconteceu, começou dia 19 de março, e 14 polos na área urbana, com polos diversificados.
A diversidade do São João de Caruaru também abre espaço para o jazz, coco, noite cristã, noite de religiões de matrizes africanas e de sonoridades indígenas, samba, rock, teatro e dança. O edital público foi iniciado em 2023.

 

“Com isso a gente conseguiu antecipar toda a grade de programação, a rede hoteleira pôde se programar para saber, já sabendo quais são os dias, os horários, os artistas. Então a gente conseguiu ter um número maior de atrações. Esse ano vamos chegar a 1300 atrações, inserindo aí mais de 24 mil artistas de todos os segmentos”, diz Cavalcanti.

 

 

Disputa entre cidades

 

 

Em tom amistoso, o presidente da Fundação de Cultura de Caruaru brinca ao ser questionado sobre quem leva o título de maior e ou melhor São João do Brasil.

 

 

“Olha, vou usar aqui a fala do meu vice-presidente Márcio Santos. A disputa é sempre pelo segundo colocado. Aprendi mais uma. Deixa eu dizer o que acontece… Caruaru faz uma festa gigantesca, como todas as grandes cidades do Nordeste, também, do seu jeito, consegue fazer. Mas, aqui tem 60 comidas gigantes, nenhuma outra cidade tem. Caruaru tem 27 polos de animação, nenhuma outra cidade tem. Caruaru tem polos específicos, polo alternativo, polo de pífano, polo de bacamarte, polo de música alternativa, polo de São João Rural, polo no Alto do Morro, que é o maior centro de artes figurativas”, defende.

 

 

Na avaliação do gestor, se comparado com outras festas pela região, o volume de atrações nos 27 polos já justifica o título de Capital do Forró. Herlon Cavalcanti reforça também a geração de emprego e renda para o município.

 

 

Com um investimento em torno de R$ 40 milhões, a expectativa é um acréscimo de 10% do que foi gerado em 2023, que teve um retorno para a economia de R$ 650 milhões. “É esperado entre 3 e 4 milhões de pessoas em Caruaru. Então, isso é muito forte, porque aquece a economia, gera empregos”.

 

Campina Grande celebra 160 anos

 

 

Parque do Povo passou a ter 40 mil metros quadrados e ficou interligado ao Parque Evaldo Cruz e Acúde Novo. Foto: Divulgação

 

 

O São João 2024 de Campina Grande celebra os 160 anos da cidade. O destaque maior é a ampliação do Parque do Povo, que passou a ter quase 40 mil metros quadrados e foi interligado ao Parque Evaldo Cruz, o Açude Novo.

 

 

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, os festejos juninos de 2023 geraram uma movimentação econômica de cerca de R$ 500 milhões. A expectativa é que este ano a movimentação econômica aumente cerca de 20%.

 

 

 

A programação começou em maio e tem atrações para todos os gostos musicais. Sua origem remonta aos anos 80, de forma improvisada em uma palhoça onde hoje está montada a megaestrutura do Parque do Povo.

 

 

Sergipe o “país do forró”

 

 

Governador Fábio Mitidieri no Arraiá do Povo. Foto: GOVSE

 

 

Da capital ao interior, festividades já foram iniciadas e estão repletas de animação com destaque para a autêntica cultura nordestina, no estado sergipano. A programação tem 60 dias de festejos e o estado se autodenomina como o ‘País do forró’.

 

 

O secretário de Estado do Turismo, Marcos Franco, destaca que os festejos juninos são essenciais para promover a cultura e o turismo local e celebrar tradições. “Os festejos juninos não se limitam apenas às festas tradicionais, mas também incluem uma variedade de atividades culturais que podem ser encontradas tanto na capital quanto no interior. Essas festividades atraem visitantes e turistas de todo o país, impulsionando o setor turístico e gerando renda”, destacou.

 

 

A expectativa é que, neste ano, os resultados sejam melhores que em 2023, segundo estudo conduzido pelo Observatório de Sergipe, que apontou aumento na arrecadação de ICMS de R$ 26,7 milhões, geração de 3 mil postos de trabalho e crescimento de 92% na movimentação do comércio.

 

 

Aracaju

 

 

 

 

Na capital, Aracaju, na Orla de Atalaia, principal cartão postal da cidade, o público pode contar com a realização de eventos promovidos pelo Governo do Estado, que se estendem até julho. O Arraiá do Povo, a arena de shows e a Vila do Forró, são ambientes que agregam cenografia junina, gastronomia típica da época, artesanato, música e tradição.

 

 

Estância

 

 

No interior do estado, a tradição junina se faz presente. Em Estância, a aproximadamente 70 quilômetros de Aracaju, acontece a apresentação do barco de fogo, Patrimônio Imaterial de Sergipe desde 2013 e símbolo da cidade. Esse fato, inclusive, deu ao município o título de ‘Capital Nacional do Barco de Fogo’.

 

 

A secretária de Cultura e Turismo de Estância, Lidiane Nobre, enfatiza que tem boas expectativas para os festejos juninos do estado. “Sergipe é o ‘país do forró’, e Estância, a ‘Capital Brasileira do Barco do Fogo’. Mantemos viva a nossa tradição de barco de fogo, batucadas, e os forrós pé de serra todas as noites em nosso Arraiá Chico Surdo durante os 30 dias de junho em nossa cidade”, destaca.

 

 

Lagarto

 

 

A 75 quilômetros da capital, no município de Lagarto, centro-sul sergipano, o Festival da Mandioca é realizado no final do mês de maio com a retirada do mastro.
A cidade é popular por realizar a tradicional e centenária ‘Silibrina’, guerras de busca-pés e espadas de fogo que dão as boas-vindas a junho, tendo no decorrer deste mês shows musicais, cavalgada, casamento caipira e concurso de quadrilhas. Essa programação se estende até o início de julho.

 

 

Capela

 

 

Em Capela, no leste sergipano, acontece o ‘São Pedro mais arretado do Brasil’ com a realização da popular Festa do Mastro. Realizado no final do mês de junho, o evento é considerado uma das mais importantes manifestações culturais de Sergipe. A programação inicia com a busca do mastro e um arrastão com um trio elétrico puxando os brincantes.

 

 

A representante da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Capela, Marleide Oliveira, destaca os 85 anos da Festa do Mastro em 2024. Ela ressalta que o evento possui características peculiares que oportunizam aos turistas uma experiência fantástica de grandeza cultural e aponta que a época dos festejos juninos provoca um impacto muito positivo na economia do município.

 

 

“É uma festividade que fomenta toda a economia da cidade: do vendedor ambulante ao dono de loja, mototaxista e até a dona de casa, que aluga o imóvel no período dos festejos. Enfim, é uma festa que conta com a parceria do Governo do Estado, proporciona o aumento da renda e, consequentemente, a geração de emprego”, frisa.

 

 

Este ano, Sergipe homenageia a renda irlandesa no palco principal do Arraiá, que é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado.

 

 

Maranhão “maior São João do mundo”

 

 

Arraial do Ipem, em São Luis. Foto: Secom MA

 

 

O Governo do Maranhão deu a largada oficial da programação da temporada 2024 do também intitulado “Maior São João do Mundo” com uma grande celebração no ginásio do Centro Social dos Servidores do Estado do Maranhão, em São Luís, onde é realizado um dos principais arraiais da cidade, o Arraial do Ipem.

 

 

Ao longo dos meses de junho e julho, maranhenses e turistas se reúnem nos arraiais espalhados pela capital e diversas outras cidades do estado para celebrar a maior festa popular maranhense.

 

 

Em São Luís, a programação do São João do Maranhão 2024 vai contar com muita música, comidas típicas e diversão nos arraiais do Ipem, Vila Palmeira, Santo Antônio, Bairro de Fátima, João Paulo, Cohatrac, João de Deus, Cidade Operária e Parque da Juçara. A festa na capital maranhense contará, ainda, com os tradicionais festejos de São Pedro e São Marçal, e com o arraial na Praça das Mercês.

 

 

Também terá festa no Arraial do Maiobão, no município de Paço do Lumiar, e em São José de Ribamar, Imperatriz, Cururupu, Barreirinhas e Timon. A programação contará com centenas de apresentações de cantores, músicos, grupos de bumba meu boi, cacuriá, quadrilha, tambor de crioula entre outras manifestações culturais maranhenses, destacando a diversidade de ritmos, valorizando os artistas e grupos folclóricos locais.

 

 

Turismo, emprego e renda

 

 

Governador Carlos Brandão em ritmo junino no Arraial do Ipem. Foto: Divulgação

 

 

Com cultura e tradições folclóricas diversificadas, o São João do Maranhão cresce na atração de turistas e, ao mesmo tempo, gera oportunidades de negócios no setor, ampliando a lotação de hotéis, bares e restaurantes no período. A expectativa é que o São João do Maranhão atraia ainda mais turistas em 2024, como informou o governador Carlos Brandão.

 

 

“O número de desembarques no aeroporto de São Luís para o mês de junho de 2024 deve ultrapassar o mesmo período do ano passado, chegando a 250 mil. Assim, o Maranhão se consolida como um dos principais destinos turísticos no período junino. Com 60 dias de festa, o São João do Maranhão representa valorização da cultura e fortalecimento da economia!”, celebrou o governador em postagem nas redes sociais.

 

 

O evento também é importante para microempreendedores, artesãos e outros profissionais que atuam no setor informal, gerando renda extra para trabalhadores beneficiários dos programas de inclusão socioprodutiva do Governo do Maranhão, como o Mais Renda e Minha Renda.

 

 

Investimentos privados

 

 

Com diversidade folclórica, festejos traduzem riqueza cultural em diversos ritmos em todo o estado

 

A edição 2024 das festas juninas no estado ganhou uma grande novidade: o espaço Bumba Meu São João, promovido com recursos da iniciativa privada, com a colaboração do Governo do Maranhão. Localizado na área externa do Ginásio Castelinho, no bairro Outeiro da Cruz, em São Luís, o espaço é palco de grandes atrações nacionais, desde 13 de junho.

 

 

Bahia Festejos Em 417 Cidades

 

 

 

Secretário de Turismo, Maurício Bacelar, com o cantor Aldemário Coelho. Foto: Divulgação Setur BA

 

 

Da capital baiana ao mais longínquo município do maior estado em dimensão geográfica do Nordeste, os festejos juninos são celebrados. Os números também impressionam quanto aos investimentos que o Governo da Bahia investe na época: R$ 180 milhões, com expectativa de incremento na economia de R$ 2 bilhões.

 

 

O investimento na grande festa foi executado por meio de editais públicos, quer seja em um pequeno município como Ibicuí, no sudoeste da Bahia, ou em outras cidades como Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista, Cruz das Almas, Juazeiro, Amargosa, Mucugê, Santo Estevão, Lençóis, entre outras pequenas e médias cidades do interior ao litoral.

 

 

“O apoio às manifestações típicas do período contribui para o incremento do fluxo turístico na Bahia durante os festejos e aquece a economia de cada município, gerando emprego e renda e melhorando a qualidade de vida da população”, pontua o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar. Ele acrescenta que, em muitas cidades, que não possuem infraestrutura de hospedagem, as famílias alugam suas casas, quartos para turistas, uma outra maneira de gerar renda no período junino.

 

 

Forró tradicional, sertanejo, axé se misturam e o povo baiano participa da festa. Foto: Setur-BA

 

 

Interiorização dos festejos

 

 

 

 

“Após o carnaval começamos a planejar, com objetivo de interiorizar a festa, para proporcionar maior circulação da economia e mais geração de emprego e renda para todos os baianos. Investimos na capacitação técnica de agentes de turismo, nos principais portões de acesso às cidades, rodoviário e aeroportos do Estado. Essa infraestrutura está pronta para receber os turistas e também proporcionar à população o maior São João do mundo”, diz o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar.

 

 

A estimativa da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA) é que 1,7 milhão de pessoas visitem o estado durante as festas juninas. Os números podem ser até maiores, já que cada um dos 417 municípios terá atrações neste São João 2024.

 

 

Para este ano, o período junino torna-se ainda mais especial e vai durar até o dia 2 de julho, data em que os baianos consideram a Independência do Brasil à colônia portuguesa, 2 de julho de 2023. “Foi na Bahia, que no dia 2 de julho se deu a nossa independência, a verdadeira independência do Brasil”, lembra o secretário.

 

 

Infraestrutura

 

 

O Governo da Bahia investe nas áreas de infraestrutura, segurança pública, saúde, comunicação, promoção e contratação de atrações, dentre outras, na maioria dos municípios do interior que promovem a festa.

 

 

Festa de Santo Antônio reuniu milhares na capital baiana

 

 

Em Salvador também tem São João, com shows no Parque de Exposições, Pelourinho e Subúrbio Ferroviário. Com a participação de artistas de projeção nacional e regional, o Parque de Exposições recebe mais de 60 atrações até o dia 2 de julho. Segundo estimativas da Setur-BA, em torno de 200 mil pessoas por dia circulam em dias de festa nos três polos da capital baiana.

 

 

Tradição e ritmos

 

“A tradição da Bahia é receber as pessoas em suas casas. É uma festa de característica rural. Em muitos municípios a população é quem faz a própria decoração da cidade. Nos preparamos para receber com muita alegria todos que escolheram a Bahia”, reforça o secretário.

 

 

Segundo ele, a maioria dos turistas que visitam o estado neste período são de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Paraná e estados do Centro Oeste. “Para ter esses resultados realizamos vários road shows pelo Brasil e também fora do Brasil.

 

 

A riqueza da cultura baiana também é outro ponto de destaque durante os festejos juninos. Lá, até samba junino existe. Um grupo de pessoas saem pelas ruas vestidos de matutos com chapéu de palha, mas tocando forró com samba, assim como em outros locais a cultura afro se mistura aos sons de zabumba e sanfona.


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