Nordeste

Policiais civis são presos por suspeita de venda de armas da corporação em Pernambuco

Quatro policiais civis tiveram participação no roubo e venda de ao menos 326 armas que estavam no depósito da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, no Recife.

Foram acusados os comissários Cleidio Graf Gonçalves Torreiro, José Maria Sampaio Filho e Josemar Alves Dos Santos, e o agente administrativo Carlos Fernandes Nascimento.

O caso do roubo das armas da Core foi divulgado, pela primeira vez, em janeiro deste ano. Em agosto, a Polícia Civil deflagrou a Operação Reverso, que resultou na prisão de 18 pessoas, entre elas os policiais. Entre os armamentos desviados estão 120 pistolas de calibre ponto 40 da prefeitura de Ipojuca, no Grande Recife.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou, ao todo, 20 pessoas por envolvimento no crime, entre elas os policiais.

Centro e vinte pistolas ponto 40 estão entre armas roubadas da Core — Foto: Prefeitura de Ipojuca/Divulgação

Centro e vinte pistolas ponto 40 estão entre armas roubadas da Core — Foto: Prefeitura de Ipojuca/Divulgação

Segundo o inquérito, o esquema de desvio de armas foi descoberto depois da denúncia de um policial civil, em janeiro deste ano. Quando voltou de férias, ele notou a falta de algumas pistolas e comunicou aos superiores.

Os documentos mostram que, depois da denúncia do policial, perícias constataram que não havia sinais de arrombamento nos depósitos. Apenas cinco pessoas tinham acesso a essa área restrita. Uma delas foi a que denunciou o caso. As outras quatro foram presas acusadas de envolvimento no esquema criminoso.

Segundo a investigação, eles “tiveram participação fundamental no desvio das armas e receberam quantias em dinheiro inclusive, de facções criminosas”. Quatro submetralhadoras encontradas com traficantes em dezembro de 2020, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, ajudaram a confirmar as suspeitas, visto que deveriam estar nos depósitos da polícia.

A polícia analisou contas bancárias e celulares dos investigados, descobrindo que pistolas eram vendidas por até R$ 6,5 mil e as submetralhadoras por R$ 22 mil. O relatório apontou que todos os policiais tiveram movimentações financeiras incompatíveis com os salários. Eles foram presos em 12 de agosto.

Submetralhadoras apreendidas com bandidos ajudaram polícia a descobrir esquema de venda de armas desviadas — Foto: Reprodução/TV Globo

Submetralhadoras apreendidas com bandidos ajudaram polícia a descobrir esquema de venda de armas desviadas — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo os investigadores, Carlos Fernandes do Nascimento apareceu em trocas de mensagens de celular com bandidos negociando a entrega de munições. Ele confessou à polícia que repassava armas e desviadas da core para criminosos. Carlos morreu dias depois de ser preso.

Josemar Alves dos Santos foi apontado como o responsável por manipular os dados das planilhas de controle da polícia para facilitar o desvio.

José Maria Sampaio Filho foi reconhecido por uma testemunha, um outro criminoso, como tendo repassado muitas munições vendidas, material que, de acordo com a investigação, teria sido desviado da Core.

Cleidio Graf Gonçalves Torreiro foi apontado pelas investigações como quem teve a ideia do esquema criminoso e, segundo o inquérito, pode ter usado o dinheiro para comprar uma casa de praia em Enseada dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho, que está no nome de uma das filhas.

Os investigadores encontraram, no e-mail do policial, o contrato de compra e venda da casa e também descobriram que o pagamento foi feito em dinheiro vivo.

G1


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