Rio Grande do Norte

RN teve terceira maior taxa de mortes violentas do país em 2014

O Rio Grande do Norte foi o terceiro estado brasileiro no qual ocorreu o maior número de mortes violentas intencionais em 2014. Para cada grupo de 100 mil pessoas, 46,9 foram vítimas de homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e/ou morte causada por confronto com as polícias. A taxa potiguar é quase o dobro da nacional – 26,3. Nela estão inclusas às relativas aos policiais militares e civis que morreram em confronto com bandidos em dias de serviço e em dias de folga. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), órgão que apontou, no início deste mês, que Natal foi a quarta capital mais violenta no ano passado, com taxa de homicídio de 65,9 para cada 100 mil habitantes.

De acordo com o estudo, publicado ontem, foram mortas 1.599 pessoas no Rio Grande do Norte no ano passado. O número é 24% maior do que o registrado em 2013, quando 1.287 brasileiros foram mortos no Estado potiguar. Em nível nacional, os dados apontam que, a cada hora, quase sete pessoas foram mortas de forma intencional em 2014. No total, 58.559 pessoas foram assassinadas no país no ano passado, o que equivale a 160 mortes intencionais por dia. A intervenção policial foi responsável, no ano passado, pela morte de 3.022 pessoas no Brasil. Segundo levantamento da organização Anistia Internacional, a força policial brasileira é a que mais mata no mundo, seguida da polícia americana.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou que Alagoas, com taxa de 66,5 mortes violentas intencionais a cada grupo de 100 mil habitantes, continua sendo o estado mais violento do país, mesmo com a redução de 3,5% em relação à taxa de 2013. Em termos percentuais, Alagoas foi o estado nordestino que que obteve o melhor avanço no combate aos crimes violentos intencionais, atrás de Minas Gerais e Roraima. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Pará completam a lista dos cinco mais violentos do Brasil em 2014.

Em números absolutos, a Bahia ocupa o primeiro lugar com o maior número de homicídios registrados no ano passado – 6.265. O Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com 5.719 assassinatos, com um percentual de 6,9% a mais que no ano anterior. Em São Paulo, estado no qual foram registrados 5.612 óbitos em decorrência de crimes violentos intencionais, o incremente foi de 140 mortes deste perfil a mais do que fora detectado em 2013. Ainda assim, o estado paulista apresentou a menor taxa de mortes violentas intencionais a cada grupo de 100 mil habitantes.

O vice-presidente do Conselho de Administração do FBSP, Renato Sérgio de Lima, relembrou que, em 2014, o Governo Federal destinou aproximadamente R$ 70 bilhões para a Segurança Pública. Com o volume de recursos em referência, os registros de índices recordes de mortes violentas evidenciam que o modelo de segurança pública aplicado no Brasil “fracassou”. “Estamos radicalizando na transparência das informações para mostrar que é urgente a necessidade de modernizarmos essa área, de provermos uma reforma estrutural”, afirmou Renato Lima em nota enviada à imprensa. Para 2016, o Governo do RN reduziu de 2% para 1,3% os investimentos próprios em Segurança. 

As prioridades do orçamento, segundo a Sesed, são a reforma de delegacias, melhora de sistemas informatizados e resgate e valorização do profissional. No caso da segurança, porém, boa parte dos investimentos caberá a convênios, que integram o Fundo Especial de Segurança Pública. Neste ano, devido à crise no Governo Federal, apenas 40% de R$ 4,4 milhões referentes aos recursos destinados ao RN foram repassados. A maior parte dos convênios, como o Brasil Mais Seguro, expira em 31 de dezembro deste ano. 
 


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