Nordeste

Vereadora é alvo de ameaças de morte por projeto contra homenagens à ditadura, em Recife

A vereadora do Recife Dani Portela (PSOL), mais votada no pleito municipal de 2020, denunciou à Polícia Civil estar sendo alvo de vítima de injúria, calúnia e difamação, além de ser ameaçada de morte, por causa de uma fake news divulgada em sites visando proibir e retirar das áreas públicas do Recife homenagens a violadores dos direitos humanos.

 

No pacote apresentado pela parlamentar está incluída a remoção de um busto do general Humberto Castelo Branco, primeiro presidente do Brasil após o golpe militar que desembocou na ditadura de 1964. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, Castelo Branco é um dos 377 responsáveis por diversos crimes praticados pela ditadura que resultaram na morte ou desaparecimento de ao menos 434 pessoas por razões políticas.

 

Após o projeto ser divulgado, sites ligados à extrema direita passaram a divulgar fake news afirmando que a parlamentar queria substituir o busto pela imagem de Fidel Castro, ex-presidente de Cuba morto em 2016, que foi um dos responsáveis pela Revolução Cubana.

 

“Aconteceu depois que uma página chamada ‘Endireita Pernambuco’ fez uma provocação dizendo: ‘Quem ela vai querer colocar? Fidel Castro?’. A partir daí, vários blogs de direita, de público conservador, bolsonarista, fundamentalista, retransmitiram a provocação como se fosse verdade”, disse Dani Portela em engrevista ao G1.

 

O requerimento da vereadora, porém, pede que o busto – instalado no final da Avenida Caxangá, na Zona Oeste do Recife, “seja encaminhado para algum museu ou depósito da prefeitura do Recife”, visando “promover a verdade, memória e justiça por quem lutou pela democracia brasileira, reconhecendo o devido lugar histórico dos ditadores, que não devem ser esquecidos, e sim, lembrados como figuras centrais de um regime tão perverso”. Em momento algum, porém, o projeto fala em substituir a imagem pela do líder cubano.

 

“Na postagem que Dani Portela fez no Facebook sobre o assunto, um dos comentários traz uma referência a um fuzil: ‘Só cartucho 762 para resolver isso’. Outro comentário na mesma rede social traz a seguinte mensagem: “Se tivesse vivido na época do governo militar, já tinha vazado deste mundo”. A vereadora também recebeu ameaças e xingamentos tanto no e-mail pessoal quanto no institucional”, ressalta a reportagem.

 

“Eu sou filha de um preso político, que foi torturado no período da ditadura. Mais que a Dani Portela, esse é um ataque ao Estado Democrático de Direito, essa pulverização de notícias não checadas. Isso pode prejudicar a vida de uma pessoa. É violência política de gênero contra a única vereadora negra da cidade do Recife”, ressaltou a vereadora.

 

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), usou o Twitter para se solidarizar com a parlamentar. “Divergência se faz com argumento e, sobretudo, respeito às pessoas e leis. Não podemos admitir que uma parlamentar tenha sua segurança ameaçada por defender suas ideias”, escreveu.

 

Em nota, o presidente da Câmara Municipal do Recife, Romerinho Jatobá (PSB), disse que “recebeu com grande preocupação as denúncias feitas pela vereadora Dani Portela” e que irá “cobrar da polícia uma apuração rigorosa para que os agressores sejam identificados e punidos”.

Brasil 247


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