Ceará

5G deve acelerar desenvolvimento da indústria e agronegócio no CE

Com evolução na automação e implementação da internet das coisas, a quinta geração poderá possibilitar um uso ainda maior de sensores e máquinas inteligentes, gerando fluxos ágeis e melhores decisões, projetam especialistas

Com a chegada de novas tecnologias, vários processos na sociedade tendem a evoluir consideravelmente. Com a implementação do 5G, o agronegócio e a indústria cearense poderão registrar, na próxima década, um enorme salto de produtividade e eficiência se conseguirem assimilar soluções que poderão gerar uma capacidade de tomar melhores decisões a partir de um fluxo de dados muito maior, além de ter processos ainda mais automatizados. A perspectiva foi apresentada por pesquisadores da área e por representantes do setor de telecomunicações.

De acordo com o professor Emanuel Bezerra Rodrigues do departamento de computação da Universidade Federal do Ceará (UFC), os ganhos em produtividade nas empresas do segmento industrial e agropecuário estarão baseados na capacidade de utilizar um número consideravelmente maior de sensores e máquinas automatizadas no dia a dia dos negócios. Mesmo que a quarta geração (4G) da telecomunicação sem fio já permita a utilização de sensores atualmente, Bezerra explicou que o 5G possibilitará um uso ainda maior desses sistemas.

No agronegócio, por exemplo, ele citou a possibilidade de utilizar drones automatizados para fazer medições dos campos de produção, ou fazer aplicações de pesticidas, além de poder aplicar chips nos animais para ter leituras vitais constantes.

Na indústria, a utilização de dos sistemas automatizados, sensores e inteligência artificial poderia acelerar o processo de decisão dos empresários pela comunicação constante gerada pelo imenso fluxo de dados gerado pelas informações de produção.

O professor da UFC explicou que o 5G permitirá que as empresas possam se valer do conceito de Internet das Coisas, que não seria possível com o 4G, que suporta um fluxo de comunicação inferior à nova geração e tem menos confiabilidade quanto à velocidade de transmissão dos dados e da latência. “O 5G, em relação à indústria, temos o conceito da indústria 4.0, que envolve muitas tecnologias como robótica, nuvem, Internet das Coisas (IOT, na sigla em inglês). Então o 5G habilita essa conectividade dentro de uma indústria inteligente. Teremos a aplicação de sensores, inteligência artificial e outras funcionalidades com a chegada dessa nova tecnologia”, disse Emanuel Bezerra.

“No agronegócio, de uma forma similar, a evolução pelo 5G se baseia muito nas questões de IOT, então os sensores e equipamentos que estão no campo enviando informações e dados servirão para que as pessoas possam tomar decisões muito mais precisas e ágeis, já que a conectividade sem fio será de alta confiabilidade para equipamentos que usarem o 5G”, completou.

Evolução

A opinião é corroborada pelo professor e coordenador grupo de pesquisa em telecomunicações sem fio (GTEL) da UFC, Rodrigo Porto. Contudo, ele explicou que – apesar das universidades e operadoras de telecomunicação, segundo ele, estarem prontas para lidar com essa nova tecnologia -, os empresários terão um papel fundamental em saber identificar as próprias necessidades para buscar soluções otimizadas baseadas no 5G.

Outro ponto importante, segundo Porto, é que as operadoras também precisarão repensar a forma de aproximação com os empresários, para também conseguir oferecer soluções otimizadas às empresas à partir dessas novas possibilidades tecnológicas.

“Podemos ter uma eficiência energética muito grande nas empresas, considerando o uso de inteligência artificial, por exemplo. Uma empresa de cimento aqui no Ceará já aplicou esse conceito e teve um ganho de eficiência, mas claro que isso leva um tempo para que isso possa funcionar, até porque as operadoras precisarão se reinventar para conseguir dialogar com os empresários e desenhar soluções que serão positivas e otimizadas para os negócios, até porque a tecnologia é muito nova”, explicou Porto.

Ele também comentou que o 5G poderá apresentar ainda novas aplicações no futuro que não são conhecidas hoje, podendo gerar uma década inteira de desenvolvimento e ganhos em produtividade para os setores da indústria e agronegócio cearenses, se houver a intenção de se aproveitar essas novas tecnologias.

Operação

Contudo, essa evolução deverá ser gradual, segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, uma vez que o mercado ainda está à espera do leilão de frequência de operação do 5G no Brasil, que deve ser realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no próximo ano.

Atualmente, segundo Tude, a quinta geração ainda utiliza o “core da rede 4G”, então já é possível perceber o avanço de velocidade e redução de latência, mas as novas aplicações (pensando em IOT) só deverão estar disponíveis a partir de 2022. “Só não temos o 5G porque não foi feito o leilão ainda. Quando isso for feito as operadoras poderão ofertar o 5G, mas eles vão gastar muito para comprar a frequência e vão de investir na rede, isso leva tempo”.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), André Montenegro, avalia que a indústria cearense está bem preparada para a chegada da tecnologia 5G, pronta para utilizá-la na ampliação da produtividade em diversas atividades dentro do setor.

“O cearense se adequa muito facilmente às novas tecnologias e nós estamos preparados. Será muito importante para que os programas trabalhem com muito mais velocidade. Na Construção Civil, por exemplo, temos uma tecnologia no planejamento de obras que impede o retrabalho e, com isso, temos grande ganho em produtividade. O 5G ajudaria a alavancar essa produtividade, utilizando menos recursos para fazer mais”, explica ele.

Montenegro lembra ainda a importância da tecnologia no desenvolvimento do trabalho realizado pelo Observatório da Indústria da Fiec. “Vai aumentar a capacidade dos nossos computadores e isso vai melhorar o trabalho com dados”, pontua Montenegro. “A Fiec já utiliza inteligência artificial no Observatório da Indústria”, arremata.

 

* Samuel Quintela, DN


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