BRASIL

Após decisão do PT, partidos aliados silenciam

Um dia depois de o PT Ceará definir sua tática eleitoral para 2014, pouco houve de movimentação política em torno da preferência pela vaga do Senado ao deputado federal José Nobre Guimarães. Até o dia 4 de abril, as atenções estarão voltadas para como o governador Cid Gomes (Pros) se movimentará diante da possibilidade de renúncia ao mandato. Articulações nacionais já são apontadas, no entanto, como definidoras do palanque no Estado.

Os principais protagonistas políticos do Estado silenciaram, ontem, sobre a articulação petista, alegando reunião política e viagens ao Interior, como foi o caso do presidente da Assembleia Zezinho Albuquerque (Pros) e o do vice-governador Domingos Filho (Pros), ambos fora da Capital. A decisão do PT em priorizar a vaga do Senado vai de encontro ao interesse de Cid Gomes em indicar o irmão Ciro Gomes (Pros) para a vaga única – também disputada pelo aliado PCdoB para reeleição de Inácio Arruda.

Se Cid não renunciar ao mandato, pela lei, Ciro não poderá concorrer, e o governador terá de se encaixar no cenário político que tem o senador Eunício Oliveira (PMDB) afirmando disputar o Governo, e Guimarães direcionado para o Senado.

Interferência nacional

Eunício Oliveira, segundo sua assessoria, estava, ontem à noite, em reunião, tratando sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) referente à Petrobras no Congresso Nacional, e não pôde conceder entrevista.

A iminência da abertura de investigação à estatal é apontada como suposto motivo para a presidente Dilma Rousseff (PT) buscar uma reaproximação com o PMDB, elaborando os palanques regionais em troca do apoio do partido para blindar o Governo Federal. Além do Ceará, Paraíba, Maranhão e Goiás seriam Estados orientados pela presidente.

A decisão no Ceará, segundo matéria veiculada no jornal O Estado de S. Paulo, no domingo, já estaria tomada e teria Eunício para o Governo, Ciro Gomes para o Senado, e sacrificaria a candidatura petista ao Legislativo.

Por ser o líder do PMDB no Senado, cabe a Eunício indicar o presidente da CPI e outros sete membros. O braço direito do senador no Ceará, o deputado Danniel Oliveira (PMDB), afirma, no entanto, que não há interesse de Eunício em utilizar a influência na CPI como moeda de troca com Dilma. O deputado pontua que o senador já deu provas de não ter interesse em trocas políticas quando recusou ser ministro da presidente.

José Guimarães afirmou, por meio da assessoria, que, oficialmente, a decisão do diretório estadual do PT é a busca pelo Senado, orientada no Encontro de Tática. Sobre informações além dessa, o deputado diz não ter conhecimento para tratar sobre o assunto.  

 

(Jornal O Povo)


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