Ceará

Empresária faz roupa de plástico para filho da melhor amiga abraçar a mãe em hospital

Infectologista pediátrico Robério Leite esclarece que a ação não é recomendável, pois traz riscos a criança.

A empresária cearense Dayse Abreu criou uma roupa de plástico para que o filho da melhor amiga pudesse abraçar a mãe, que está em um hospital cuidando da avó da criança, internada com Covid-19. Há cerca de cinco dias mãe e filho não se viam e, na última segunda-feira (19), Dayse levou, como surpresa, o menino ao hospital.

O infectologista pediátrico Robério Leite afirma que a “intenção é boa”‘, porém não é recomendável, pois não existem estudos que comprovem a eficácia desse tipo de traje contra a transmissão da Covid-19 e há risco de sufocamento.

“Temos dois problemas. O primeiro, o risco de sufocação com o plástico, algo absolutamente contraindicado para crianças. Imagine ela querendo brincar inocentemente com essa roupa ou com outros sacos plásticos, se sentindo invulnerável, o que poderia resultar? Outro aspecto, não há estudos que demonstrem que esse tipo de proteção seja efetivo para um vírus cuja transmissão é, principalmente, aérea”, explica o infectologista.

Encontro

Gabriel, de 4 anos, aguardou a mãe na entrada da unidade de saúde coberto com o “saco do abraço” e placa com o pedido “mamãe vem me abraçar”. Ao ver o filho, Tayara Moraes se emocionou e foi ao encontro da criança. O momento foi acompanhado por funcionários e pessoas que estavam na unidade de saúde.

A mãe de Tayara está internada na enfermaria do hospital particular desde a última quinta-feira (15). Antes disso, a mulher acompanhou o pai, também com o novo coronavírus, que foi transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de outro hospital.

De acordo com Dayse, a ideia de fazer a roupa surgiu após uma conversa com Tayara, que relatou sentir falta de um abraço e isso comoveu a empresária.

“Em um momento de esgotamento emocional ela falou o quanto ela sentia falta de um abraço, de um consolo, de quanta saudade ela estava tendo do filho e eu fiquei com aquilo na cabeça, de que forma eu poderia levar o abraço do filho, foi aí que eu tive a ideia da roupa”, afirmou.

Plásticos de uma embalagem de colchão e fita adesiva foram suficientes para que a empresária ajudasse a proteger o menino contra a Covid-19 e tornar possível o abraço.

“Lembrei de algumas matérias que eu tinha visto sobre a cortina do abraço e eu tinha um saco grande de colchão aqui em casa, então eu recortei, montei corpinho, braço, fiz toda a roupinha do tamanho dele e dei a ideia para o esposo dela e ele adorou. No outro dia fomos ao hospital, eu disse que estava lá fora e queria vê-la mesmo que de longe e ela chegou e teve uma grande surpresa. (…) Foi um momento muito emocionante, um momento de puro amor”, relembra.

Dayse e Tayara se conheceram 1998, quando estudaram juntas na 4ª série do ensino fundamental em uma escola na capital. As amigas concluíram os estudos juntas e com o tempo a amizade se fortaleceu. “Engravidamos juntas, o meu filho nasceu em setembro e o dela em outubro, e até hoje somos melhores amigas”, disse Dayse.

 

*G1CE

 

 


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