Brasil

ENTREVISTA EXCLUSIVA: Ex-ministro José Eduardo Cardozo diz que, após anulação de processos de Lula, Moro e Dallagnol precisam de punições

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo concedeu entrevista exclusiva à Revista Nordeste publicada na edição 171 da publicação. Ao jornalista Walter Santos, ele comenta as investigações da Operação Lava Jato e os processos envolvendo o ex-presidente Lula.

“Estamos diante de um fato extraordinário, que é a reposição da história diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, pois durante um tempo expressivo de nossa história recente foi tentado impor de afastar o ex-presidente Lula como o mais importante personagem na defesa da classe trabalhadora”, diz em trecho.

A edição de número 171 da Revista NORDESTE já está disponível nas bancas e para leitura, no modo virtual, com acesso direto por link no Portal WSCOM ou pelo site da Revista (www.revistanordeste.com.br).

Leia a entrevista na íntegra:

PÓS LULA ELEGÍVEL

 

O SALDO DO STF IMPÕE PUNIÇÕES A MORO E DALLAGNOL

 

Ex-Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, aponta vários crimes da Lava Jato e intromissão externa a partir do Impeachment de Dilma

 

 

Por Walter Santos

 

 

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, anda afastado das lides político-partidárias por se dedicar à academia e advocacia, mesmo assim está muito antenado e informado sobre os fatos bombásticos no país, a exemplo da conjuntura do STF, sucessão 2022 e desdobramentos de fatos. Eis a síntese da entrevista:

 

 

Revista NORDESTE – O país convive com um fato histórico, após decisão do STF de anular processos contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva repercutindo fortemente no processo sucessório de 2022. Na sua opinião, como ex-Ministro da Justiça, como o sr projeta o futuro e a participação de Lula neste contexto?

José Eduardo Cardozo – Estamos diante de um fato extraordinário, que é a reposição da história diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, pois durante um tempo expressivo de nossa história recente foi tentado impor de afastar o ex-presidente Lula como o mais importante personagem na defesa da classe trabalhadora. Tudo isto veio de água abaixo diante de muitos fatos narrados provando a parcialidade e a conduta da Lava Jato para prender injustamente o ex-presidente e tirá-lo da disputa de 2018. A decisão do STF repõe a elegibilidade de Lula e mais do que isso a condição de grande influenciador da sucessão presidencial brasileira.

 

NORDESTE – Ministro, é preciso registrar com ênfase que todo o processo em torno da recente decisão do STF, inexistiria sem a revelação dos dados obtidos ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Neto, vazados pelo Glrnn Greenwald depois da deputada Manuela Dávila.

José Eduardo Cardozo – Seguramente, sem medo algum de errar, podemos atestar que foi o conteúdo vazado do Telegram que mudou o rumo da história no Brasil. Desde o início, precisamos lembrar com muita ênfase, que quando fomos procurados pela Manuela D’ávila para instruir e passar a ser advogado dela no trato deste fundamental acervo decisivo, tivemos necessidade de buscar apurar a veracidade dos dados, pois significava um volume de informações decisivas e não tínhamos noção de como apurar com rapidez, daí termos tomado a decisão com ela de procurar Glenn Greenwald pela sua competência internacional e deu no deu.

 

NORDESTE – Mas que efeito permitiu de início para mudar o rumo da história?

José Eduardo Cardozo – Fundamentalmente, as revelações expostas ao país e ao mundo colocaram luzes diante de um contexto comprovadamente no decorrer dos tempos de arbítrio, conspiração internacional e projeto de Poder no País- valores estes a que se prestaram as ações da Lava Jato, sobretudo na perseguição desumana contra o ex-presidente Lula e o PT, tudo isto em nome do combate à corrupção. A face oculta dessa gente e do Plano arquitetado foi desvendada cheirando muito mal porque, como ficou também comprovado, toda a trama ajudou a eleger o atual presidente com rastros da armação com a ascensão do ex-juiz Sérgio Moro no Ministério da Justiça coroando seu papel de influenciador na eleição ao tirar o ex-presidente da disputa.

 

NORDESTE – Toda a trama recai principalmente sobre o ex-juiz Sérgio Moro, do procurador federal Dallagnol e outros, além de setores, inclusive da mídia. Na sua opinião, qual o futuro dessa gente?

José Eduardo Cardozo – Embora eles não possam ser punidos com provas obtidas de forma ilegal, cremos ser necessário que se aprofunde nas investigações porque são evidentes os abusos e arbítrios cometidos por eles, razão pela qual precisam ser punidos em face dos imensos prejuízos e ilegalidades processadas sem avaliação ainda do tamanho das graves consequências produzidas por eles contra os interesses do Brasil.

 

NORDESTE – Nos autos, entre tantas medidas arbitrárias, constam da presença de representantes do Governo Americano em reuniões com membros da Lava Jato em Curitiba, instruindo-os sobre como proceder, sem que à época o Sr na condição de Ministro da Justiça tivesse sequer sabido deste fato com natureza invasiva nos interesses nacionais. Como o Sr analisa estes fatos?

José Eduardo Cardozo – Este é um entre outros fatos a comprovar como síntese a influência e interferência externa de países na Lava Jato e, antes disso, no Impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Uma coisa está alinhada à outra, hoje com melhor conhecimento e provas. Não nos esqueçamos do papel da Inteligência utilizada em todo o processo com interesse claro de atingir a Petrobras. Cada vez mais estão evidentes e claro que os interesses do país foram atingidos em todo curso do Golpe.

 

NORDESTE – Trazendo a análise para o tempo presente, já com mais de 1 ano de Pandemia, qual sua avaliação do desempenho do Governo Bolsonaro e seu futuro à frente?

José Eduardo Cardozo – Os inúmeros dados comprovados e expostos ao conhecimento de todos provam que a atuação do presidente Bolsonaro no trato da Pandemia é u misto de maluquice com incompetência de gestão diante de negacionismo a provocar uma vastidão de mortes quando ele dizia se tratar de uma gripezinha projetando 800 mortos mas hoje o país convive com a possibilidade de 500 mil óbitos provocados pela incompetência desse governo. Atentem que o tempo inteiro trabalho contra o uso de máscara, negligenciou lá atrás não consolidar contratos de aquisição de Vacinas na quantidade exigida, pois chegou a recusar contratos, mas adquiriu e defende até hoje medicamentos como cloroquina rejeitados pela ciência e pelos infectologistas. Isto é estímulo à morte por irresponsabilidade.

 

NORDESTE – Quais as consequências desta tragédia posta?

José Eduardo Cardozo – O cenário no Brasil diante da Covid expõe descaso e incompetência comprovada do presidente e de seu governo. Diante desta realidade posta entendemos que todos os membros do Governo envolvidos com este contexto precisam ser responsabilizados, sobretudo pelo alto índice de mortalidade advinda especialmente pelas políticas atrasadas e irresponsáveis do Governo em não saber lidar com protocolos sadios em sintonia com os governos estaduais e municipais. É evidente que poderíamos ter evitado grande parte das mortes registradas por incompetência de gestão. Atestem onde chegamos com a “Gripezinha” do presidente, por isso precisa ser responsabilizado.

 

NORDESTE – Qual a lição que fica diante de tantos atropelos graves contra o Pais?

José Eduardo Cardozo – Estamos acompanhando a história real atestando como certos capítulos são transitórios, mas que, às vezes, à luta da Justiça demora mas chega a mostrar o caminho da verdade institucional.

 

NORDESTE – Como o sr vê a sucessão de 2022, o papel de Lula e a postura de Ciro Gomes contra o ex-presidente?

José Eduardo Cardozo – Não como negar ou esconder o papel decisivo do ex-presidente Lula no futuro e na sucessão do Brasil. Tem papel decisivo, por isso entendo que é preciso unir outras tendências e personalidades.  No caso do Ciro Gomes e sua importância indiscutível, creio que sua posição de eleger o PT como inimigo se traduz no seu grande equívoco. Os adversários estão no fascismo representado por Bolsonaro e é em vão ignorar a alta importância de Lula. Trata-se de meta equivocada, puro erro. Se continuar assim vai sujar sua biografia.

 

NORDESTE – Em tempos de aquecimento político, qual é sua rotina, seu vínculo com PT nacional, Dilma, etc?

José Eduardo Cardozo – Estou afastado das lides políticas pois estou com minha vida dedicada ao campo acadêmico ensinando na PUC-SP e UNICEUB, além de proferir palestras e advogar. Estou distante da vida partidária.


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