Nordeste

CORONAVÍRUS: Miguel Nicollelis defende Brigada Emergencial com novos médicos atraindo mobilização total do sistema de saúde

Ao lado de Sérgio Rezende, eles voltaram a defender a implantação com urgência de Brigada Emergencial com validação do diploma de 15 mil médicos brasileiros formados no Exterior.

18/04/2020


Por Walter Santos com Agência Brasil – O renomado cientista brasileiro Miguel Nicollelis, integrante da cúpula do Comité Cientifico do Consórcio Nordeste envolvendo todos 9 governadores, ao lado do também cientista Sérgio Rezende, voltou a defender a implantação com urgência de Brigada Emergencial com validação do diploma de 15 mil médicos brasileiros formados no Exterior, além de outras medidas entre as quais a manutenção da Quarentena.

Em entrevista na Globonews, ele declarou:

– É preciso criar com urgência uma Brigada Emergencial de Saúde no Nordeste ampliando o contingente de médicos e demais profissionais de saúde no atendimento à população, disse ele acrescentando o mesmo que havia dito em outras entrevistas:

– Esta iniciativa deve servir para levar médicos aos municípios atingidos pela pandemia e a todos os serviços de saúde mobilizados para este enfrentamento”, alegou.

Para o cientista, se o Brasil não adotar medidas corretas respeitando os parâmetros científicos pode transformar a Pandemia em curso num cenário de Pandemônio, sobretudo com o afrouxamento da Quarentena.

Ele lembrou o caso de Manaus, cuja imagem divulgada era de Nova York onde corpos de mortos se misturavam com infectados, cuja realidade americana apavora sua família residente nos EUA.

– Meus dois filhos e minha mulher estão de quarentena nos Estados Unidos e andam muito apreensivos com o alto índice de contaminação e mortes por lá, algo que senão cuidado pode chegar em São Paulo – afirmou.

GOVERNADORES ENDOSSAM – Segundo ele, os governadores do Nordeste pediram ao governo federal autorização para que médicos brasileiros formados no exterior, mesmo sem diplomas revalidados aqui (o chamado Revalida), atuem durante a pandemia de covid-19 na região. Eles sugerem que seja criada a “Brigada Emergencial de Saúde no Nordeste”.

Os governadores argumentam que o Nordeste, com 1,5 médico por mil habitantes em 2018, abaixo dos 2,2 médicos por mil vistos na média nacional, tem carência de profissionais.

PALAVRA DO PRESIDENTE – “Precisamos muito dessa mão de obra. São 15 mil profissionais brasileiros já formados, que estudaram, e nessa escassez que temos, e vamos ter ainda mais nos próximos dias, será um reforço importantíssimo”, afirmou o governador da Bahia Rui Costa (PT), presidente do Consórcio Nordeste.

Na região, dois estados preocupam mais: Ceará e Pernambuco, que têm números crescentes de casos de covid-19 e estão na lista dos cinco com maior número de casos no país.

A sugestão de chamar os médicos foi do comitê científico criado pelo consórcio para auxiliar na decisão dos governadores. O grupo é composto por cientistas de todos os estados da região e coordenado pelos pesquisadores Miguel Nicolelis e Sérgio Rezende.

Em boletim divulgado no fim da noite de ontem, os cientistas afirmam que a região deve enfrentar colapso por falta de profissionais.

“É preciso criar com urgência uma Brigada Emergencial de Saúde no Nordeste ampliando o contingente de médicos e demais profissionais de saúde no atendimento à população. Esta iniciativa deve servir para levar médicos aos municípios atingidos pela pandemia e a todos os serviços de saúde mobilizados para este enfrentamento”, alega o comitê.

ACOMPANHAMENTO – O comitê defende que o uso desses médicos sem diploma revalidado no Brasil seja feito com acompanhamento das universidades locais, responsáveis pela “adaptação formativa, com complementação curricular, na modalidade ensino-serviço, que assegure um processo rígido de avaliação ao longo do tempo”.

Esse processo permitiria, ao fim, “a validação dos diplomas daqueles que vierem a ser aprovados”.

Diante do avanço da epidemia, os cientistas ainda sugerem que os governadores ampliem medidas de restrição de mobilidade, “devendo-se proibir, em todo os Estados do Nordeste, o tráfego intermunicipal e interestadual, garantindo, porém, a segurança dos profissionais de serviços essenciais, com destaque para o transporte de alimentos e materiais de saúde.”.


Os comentários a seguir são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.