Nordeste

Centrão pode romper aliança em Pernambuco caso PSB coloque o PT no Senado

Vinícius Sobreira, Brasil de Fato – Na terça-feira (3,) as forças do chamado centrão que compõem a Frente Popular de Pernambuco sinalizaram deixar a coalizão caso André de Paula (PSD) não seja o escolhido para a candidatura ao Senado.

 

O deputado federal garantiu que será candidato a senador, com ou sem o apoio formal da aliança encabeçada por Danilo Cabral (PSB). A posição foi verbalizada pelo próprio De Paula, em entrevista coletiva no seu escritório. O movimento conta com o apoio do PP, um dos três partidos mais relevantes do estado.

 

André de Paula se disse “mais preparado” para ocupar um lugar no Senado Federal, fazendo comparações veladas aos petistas Carlos Veras e Teresa Leitão, que foram cotados para a vaga.

 

“Tenho um longo período na vida pública, experiências no Executivo e no Legislativo. Destaco os 22 anos que estou em Brasília. (…) Me considero um político maduro, com trânsito muito bom em Brasília e isso, no meu ponto de vista é determinante para quem pretende chegar ao Senado”, afirmou o deputado na coletiva.

 

Carlos Veras também é deputado federal, mas está em seu primeiro mandato. Enquanto Teresa Leitão, apesar da experiência de cinco mandatos, nunca ocupou uma cadeira no Congresso Nacional, tendo sua atuação mais restrita a Pernambuco.

Disputa

 

Há meses André de Paula (PSD) espera ser confirmado pelo PSB como candidato a senador pela Frente Popular. Como presidente estadual do PSD, ele não montou chapas para as disputas de deputado estadual e nem federal, já que estava seguro da indicação para o Senado. Mas viu sua pretensão sob ameaça quando, na aliança do PSB com Lula (PT), os petistas pernambucanos exigiram a candidatura ao Senado.

 

Apesar da força da “máquina” do Governo do Estado e da ampla maioria de apoios entre as prefeituras do estado, a candidatura de Danilo Cabral (PSB) segue com 5% nas pesquisas de intenção de voto, mesmo após dois meses do lançamento.

 

Dentro do PSB há quem avalie que a candidatura vai precisar muito do engajamento da militância petista nas ruas, além de uma identidade mais nítida de esquerda e mais identificada com o ex-presidente Lula (PT), que goza de elevada popularidade entre os pernambucanos. Nesse sentido, ter o PT na disputa pelo Senado vai ajudar.

 

A Frente Popular é composta por diversas siglas de direita, que estão insatisfeitas com o espaço conquistado pelo PT, partido que tem relação instável e conflituosa com o PSB em Pernambuco nos últimos 10 anos.

 

E André de Paula (PSD), 60 anos, é um parlamentar convicto em suas posições à direita e tem sua ligada a siglas como PDS, PFL, DEM e PSD. Ele votou pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (2016), foi favorável a PEC do teto de gastos (2016) e às reformas trabalhista (2017) e da previdência (2019).

 

Diante do ambiente de impasse na Frente Popular, ele entendeu que precisava se posicionar de maneira mais clara. “Afirmo a minha candidatura ao Senado nas próximas eleições. (…) Este momento não está acontecendo ao acaso, é fruto de uma construção de vida”, propagandeou. “O Senado é a casa da maturidade, da experiência. É uma casa que requer esse grau de amadurecimento que eu julgo que tenho depois de ter percorrido toda essa trajetória”, diz ele.

 

Sua postulação ao Senado pode se dar “avulsa”, sem necessariamente estar atrelada a uma candidatura ao Governo do Estado. Mas também pode acabar se aliando a uma candidatura de oposição ao PSB, rompendo com o bloco que compõe há mais de 10 anos.

Apoios e flerte com Marília Arraes

 

Apesar da possibilidade de uma candidatura “avulsa”, o movimento poderia ser inseguro, visto que os senadores eleitos quase sempre estão atrelados ao candidato a governador eleito. Por suas origens e alinhamento ideológico, a candidatura ao governo mais próxima de De Paula seria a de Raquel Lyra (PSDB), mas ele parece estar mais próximo de uma aliança com Marília Arraes (SD).

 

O ex-prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio (Agir, antigo PTC), já declarou apoio à postulação de De Paula. Lóssio já foi filiado ao PSD e agora é cotado para ocupar a vice de Marília. O filho do ex-prefeito filiou-se ao Solidariedade e deve ser candidato a deputado estadual.

 

Caso seja formalizada a aliança entre o PSD de André de Paula e o Solidariedade de Marília Arraes, resta dúvidas sobre a disposição de outras siglas do centrão da Frente Popular em embarcar na candidatura de Marília ou se o apoio estaria restrito a André de Paula, com as siglas se mantendo na Frente Popular. Marília Arraes está precisando de alianças que garantam tempo de TV e capilaridade a sua candidatura.

 

Em 2018, o deputado federal André de Paula foi o 6º mais votado de Pernambuco, com 118,6 mil votos. Em seu 5º mandato, o parlamentar tem relações com um razoável número de prefeituras no estado.

 

Ao lado de De Paula na entrevista coletiva estava o também deputado federal Eduardo da Fonte (PP), líder de sua sigla no estado. O PP conta com 17 prefeituras e governa para mais de meio milhão de pernambucanos. Diferente de André de Paula (PSD), Eduardo da Fonte (PP) não goza de grande confiança do PSB.

 

O PP tem dois deputados federais por Pernambuco e nove estaduais – neste último grupo, o PP perdeu cinco parlamentares na última janela partidária, mas atraiu quatro novos deputados estaduais, todos bolsonaristas.

 

A situação cria uma contradição: apesar de – ao menos por enquanto – estar formalmente aliado ao PSB, a maioria de seus parlamentares tendem a fazer campanha por Bolsonaro e Anderson Ferreira (PL). A tendência é que para o Senado também façam campanha para o bolsonarista Gilson Machado (PSC), de modo que o apoio de Eduardo da Fonte a André de Paula também pode não ir além da formalidade.

 


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