Alagoas

Comércio demite 8 mil e fecha 350 lojas

Com mais de 350 lojas comerciais fechadas nos últimos dois anos em Alagoas e cerca de 8 mil demissões neste segmento, empresários se reuniram, na manhã desta quinta-feira (01), na sede da Associação Comercial de Maceió para avaliar as últimas decisões tomadas pelo governo federal, sobretudo de aumento de impostos e redução dos recursos destinados ao Sistema S. A proposta é de elaborar um documento a ser encaminhado à bancada federal para tentar frear as medidas mais recentes, já anunciadas.

De acordo com o presidente da Associação Comercial, Kennedy Calheiros, das unidades fechadas estão incluídas pequenas fábricas, lojas e grandes empresas que eram instaladas em Alagoas. Os dados estão subsidiados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E há ameaças de novas falências.

"Não sabemos do futuro de Alagoas daqui pra frente. Sabe-se, com certeza, que o estado só declina em uma escala considerável, mas a situação ainda não é degradante. Caso não haja uma reviravolta, chegaremos a um fase gritante em setembro do próximo ano”, afirmou o presidente. Com relação aos números exatos, a associação deverá dispor somente em marco do próximo ano, quando acabam as contratações temporárias, a temporada turística e a safra sucroalcooleira.

“Hoje já observamos várias lojas fechadas na Rua Cabo Reis, Fernandes Lima, Calçadão do Comércio e Shopping Popular. Todo aumento tributário promove desequilíbrio econômico. Se não há um serviço de qualidade tanto na esfera federal, estadual e municipal, como é que se vai aumentar imposto? Esta não é a pior crise econômica vivenciada por Alagoas em 30 anos, mas pode vir a ser. O pico da crise será em setembro de 2016", acrescenta Calheiros.

Crise

Os empresários ligados a associação se reuniram para discutir um pacote de medidas que será feito por eles contra o governo federal. Já nesta manhã, os empresários começam a preparar o documento com medidas alternativas e enviar pedido de apoio à bancada. O documento será enviado entre os dias 13 e 20 de outubro.

"Temos escolas do Senac altamente produtivas, mas que já vem sofrendo com a redução dos recursos em 30%. Isso não tem lógica. O governo tem que se conscientizar que este caminho de aumento da carga tributária nao é o ideal. Tem muita despesa para se cortar, mas o governo federal fecha os olhos para isso", disse o diretor de Comércio da Associação Comercial, Luiz Antonio Jardim.

Conforme ressaltou, cada vez mais, o setor público asfixia a sociedade, que acaba pagando mais do que os empresários. "É um grito de alerta e não um pedido de socorro. Tudo é regulado e essa realidade e antiga, uma visão marxista de um estado paternalista. Não se pode ter um estado que gaste mais do que recebe. Vivemos uma estagnação econômica, um crescimento negativo da economia com a inflação. Várias lojas e empresas já sofrem com a retração econômica, causando demissões. O setor privado não consegue mais recompor suas despesas. É uma ditadura tributária, pois em 1988, a carga era 22% do PIB, hoje, 37% do PIB", destaca.

Já o deputado Bruno Toledo (PSDB) afirmou que o setor produtivo não suporta mais o cenário. A aprovação do pacote econômico estadual para apreciar a matéria em caráter de urgência, ontem, foi criticada pelo deputado.

"A matéria não pode nem ser discutida amplamente e agora só resta a mesa diretora decidir o dia da votação em plenário, podendo até ser em dois turnos. Pelo menos, o setor produtivo deveria ter sido ouvido e não foi. Esse pacote estadual vem trazendo mudanças significativas na carga tributária, como o aumento de 2 a 4% do IPVA em alguns veículos em Alagoas”, afirma o deputado.


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