Internacional

Lula afirma que procedimento da China no trato da COVID é exemplo de como cuidar da população

Ainda repercute internacionalmente a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Agência Xinhua onde tratou de diversos assuntos conjunturais a partir de sua situação pessoal depois de absolvido pela Justiça brasileira, mas ele destacou o desempenho da China no tratamento imediato de sua população.

– É preciso destacar a forma de enfrentamento da pandemia adotada pela China como “exemplo de que é possível cuidar da população por meio de um governo sério e com responsabilidade para com seu povo”.

Rio de Janeiro, 25 mar (Xinhua) — O ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), disse nesta quinta-feira que carece de sentimentos de “raiva” ou “vingança” contra o ex-juiz Sergio Moro, que lhe impôs sentença pela qual passou 580 dias na prisão, mesma que foi anulada nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista à Xinhua, o ex-presidente descreveu Moro como um “herói de barro que foi desmontado” e expressou não sentir “raiva porque não fui eu quem ganhou, foi o povo brasileiro que voltou a poder acreditar na justiça”.

Não precisava ter demorado cinco anos, demorou, mas quem ganhou foi o povo brasileiro”, frisou.

Essa é a primeira reação pública de Lula ao voto de 3 a 2 na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que considerou haver perseguição e parcialidade de Moro na sentença.

Ex-presidente brasileiro Lula (centro) concede entrevista exclusiva para a Agência Xinhua em 25 de março de 2021. (Xinhua)

Apelo a uma conferência internacional para combater a COVID-19

O ex-presidente defendeu a criação de uma conferência internacional destinada a quebrar as patentes de laboratórios privados com o objetivo de que os países mais pobres da África, Ásia e América Latina possam ter custos reduzidos e melhor acesso às vacinas contra o coronavírus.

 

Ele afirmou que, diante do enfrentamento da pandemia, a China é um “exemplo de que é possível cuidar da população por meio de um governo sério e com responsabilidade para com seu povo”.

“É importante que as patentes sejam quebradas e não pertençam apenas aos laboratórios e que as vacinas possam ser financiadas pelos países mais ricos e assim trazer a cura para os países pobres da África, Ásia e América Latina”, disse Lula durante entrevista à Xinhua.

O ex-presidente foi vítima da COVID-19 em janeiro, durante uma viagem a Cuba.

 

“É importante que os países ricos, os países do Conselho de Segurança da ONU, o G20 tenham uma reunião extraordinária para falar sobre a vacina. É importante que a vacinação da humanidade seja a prioridade de todos os países do mundo e que os mais ricos possam financiar vacinas para os mais pobres”, disse.

 

Ele também acrescentou que outro cenário importante pode ser a convocação de uma Assembleia Geral extraordinária da ONU.

 

“Precisamos definir como ajudar os países pobres, como os pobres vão receber a vacina. O enfrentamento da pandemia é algo em que os chineses estão dando o exemplo, assim como os cubanos. Lamentavelmente, no Brasil nosso presidente não dá o exemplo de como cuidar do país. O (Jair) Bolsonaro é irresponsável e o Brasil merece melhor “, disse.

 

O Brasil é atualmente o epicentro global das mortes diárias por COVID-19, uma média de mais de 2.100 nos últimos sete dias, totalizando mais de 300 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde.

“Não quero vingança, não tenho ódio, tenho menos tempo de vida do que já vivi, e eu quero dedicar este tempo que tenho para fazer com que as pessoas e o país possam melhorar”, expressou.

Lula garantiu que, com os direitos políticos restabelecidos, não pensa em candidaturas às eleições presidenciais de 2022, apesar de aos 75 anos se sentir “jovem e com energia”.

“Vou continuar lutando. Acho que Moro está com ódio agora. Eu, quando estava preso, tinha certeza que dormia mais tranquilo que o Moro”, disse o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em 2018, após a condenação que desqualificou Lula para participar das eleições vencidas por Jair Bolsonaro, o ex-magistrado renunciou à magistratura para ingressar no atual governo como Ministro da Justiça, cargo que ocupou até maio de 2020, para depois passar à iniciativa privada.

Neste mês, Lula recebeu a anulação de suas duas condenações na operação Lava Jato por determinação do juiz do STF Edson Fachin, que entendeu que Moro não tinha jurisdição na Justiça de Curitiba para vincular o ex-presidente a desvios na petroleira Petrobras, mas na terça-feira teve seu maior triunfo quando a Segunda Turma do Tribunal entendeu que ele foi vítima de perseguição política devido à parcialidade do magistrado que o julgou.


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