Brasil

Milton Cunha: a força dos ancestrais no samba, a resistência histórica ao preconceito e a manutenção da luta para se impor no futuro com inovação

Por Walter Santos

Cá pra nós, na vida só se estabelece em qualquer que seja a atividade com talento, muita luta, foco e sabedoria como diferencial. “Mutatis Mutandi” é o que se pode traduzir e aplicar com todas as letras à performance super atualizada do carnavalesco e crítico Milton Cunha, uma autoridade respeitável neste universo do carnaval e das escolas de samba diante do seu profundo conhecimento sobre a história em torno do setor no Brasil.

 

 

Ele foi profundo ao trazer à reflexão o termo Episteme em torno dos negros e sua sabedoria no samba, cujo significado é na essência “paradigma comum a variados saberes individuais, numa dada época, que partilham das mesmas qualidades, independentemente de suas diferenças “.

 

QUANDO SE DEU

 

No fim-de-semana final de julho recebendo agosto, em Brasília, ele simplesmente arrasou no Congresso da FENASAMBA com sua profunda análise e palestra profunda resultando em projeto inovador da “Escola do Carnaval” com resultados extraordinários no DF a merecer reprodução nos demais terreiros brasileiros.

 

Milton Cunha é uma enciclopédia ambulante, também crítico da Rede Globo, com seu vasto diferencial humano traduzindo a história fenomenal do samba como fruto da matriz africana resultante da fase pós escravidão, a partir dos anos 1900, bem a seguir após o “fim”(?)da Escravidão no País com a famosa Lei Áurea.

 

A sabedoria de Milton Cunha traduziu a saga histórica dos negros como “Epistemes” sequenciados porque já depois da “liberdade” negra, a elite branca eis que ao atestar a forte organização espontânea com tambores e danças dos negros festivos só lhe restou incentivar a guerra íntima na negritude para enfraquecer a força ancestral e engenhosidade dessa Gente extraordinária para dominar. Ao longo dos tempos foi assim.

 

MAIS HISTÓRICO

Sábio, ele pinçou fases da história pós 1900 para provar como os avanços culturais dos negros geraram articulações de brancos visando desmantelar a unidade da cultura de preto, como fez Getúlio Vargas em 1934 interferindo para cultuar o nacionalismo dando falso respeito e apoio diante dos avanços das escolas de samba e do carnaval a partir do centro do Rio de Janeiro. Manipulou simplesmente.

 

No processo, contudo, outro Episteme em torno do samba se deu na sequência quando os bicheiros do Rio de Janeiro identificaram nas escolas uma oportunidade de interferir e tirar proveito da extraordinária cultura sambistica dos negros até hoje presente ali ou acolá.

 

Mas, em que pesem a discriminação e preconceitos históricos a mutilar tantos valores artísticos e culturais eis que Milton Cunha pinçou uma fase diferenciada das escolas de samba a partir de Brasília que há 61 anos promove carnaval, embora esteja há 8 anos sem desfile, somente a ser retomado agora em 2023.

 

Em sintese, o projeto “Escola do Carnaval” é uma ação exitosa da Secretaria de Cultura do DF reunindo as escolas de samba e os blocos carnavalescos numa articulação bem resolvida para formar 23 primeiros experts em carnaval com condição inusitada.

 

Milton Cunha comprovadamente mostrou ser grande conhecer da cultura do carnaval, em especial das escolas de samba, merecendo reconhecimento de todos, sem exceção. Detalhe: sempre ele lembrando como a elite branca tem buscdo dividir a negritude para se impor.

Sem tirar nem por,  ele é, sem dúvidas, um pós doutor distinto, sábio e de humor diferenciado espetacular. É carioca da gema.

 

QUEM SÃO

 

A Fenasamba homenageou o governo do DF, de Ibaneis, pelo apoio e estruturação do projeto, mas, na prática, quem toca o projeto é o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues, e a Sub-secretária Sol, sobretudo, uma ativista cultural de Ceilândia dialogando com o mundo.

 

ÚLTIMA

“O olho que existe/é o que vê…”


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