Nordeste

Walter Santos mergulha na história e destaca consolidação da Revista NORDESTE como inovação e leitura obrigatória sobre fatos regionais

Em entrevista publicada na edição de 15 anos da Revista NORDESTE, o publisher e editor-geral do periódico impresso, Walter Santos, expõe com detalhes o processo criativo, a manutenção e o futuro da revista de circulação nacional sobre fatos regionais, produzida a partir do Estado da Paraíba.

De acordo com Walter Santos, a Revista NORDESTE foi criada com o objetivo de produzir notícias para o Brasil sobre os nove estados nordestinos, com evidência comprovada de fatos e versões, ‘sem estereótipos e preconceitos’, mesmo sabendo das mudanças extraordinárias do mercado midiático, que naquela época já migrava para o digital.

“Não podíamos ficar reféns da leitura externa sobre o Nordeste para consumo nosso. Publicar a Revista foi a forma encontrada para sermos donos de nossa própria interpretação de fatos e versões”, frisa.

CLIQUE AQUI e leia a entrevista na íntegra na edição digital da Revista NORDESTE.

Ou, se preferir, leia a entrevista na íntegra, abaixo:

MERGULHO NA HISTÓRIA CONSOLIDA NOVA LEITURA DO BRASIL COM INOVAÇÕES

Abordagem dimensiona conjunto de fatos em torno do processo histórico a apresentar pela 1ª vez o Nordeste sem estereótipos e com perspectiva de vanguarda

Por Dablio Santowiski

Em Entrevista Exclusiva, o Publisher da Revista NORDESTE, Walter Cândido dos Santos, expõe com detalhes a criação, a manutenção e o futuro da mais importante revista nacional produzida no Nordeste.

Revista NORDESTE – Qual o significado e saldo dos 15 anos da publicação no contexto nacional?

Walter Santos – Produzir notícias para o Brasil sobre os nove estados nordestinos, com evidência comprovada de fatos e versões, sem estereótipos e preconceitos, sabendo das mudanças extraordinárias do fazer da Mídia, em especial as derivadas do impresso há algum tempo já transferidas para o digital, é um avanço surpreendente e indispensável para todo o País. Não podíamos ficar reféns da leitura externa sobre o Nordeste para consumo nosso. Publicar a Revista foi a forma encontrada para sermos donos de nossa própria interpretação de fatos e versões.

Reprodução: Revista NORDESTE

NORDESTE – Que dificuldades o Sr. enfrentou até chegar aqui?

Walter Santos – Muitas adversidades e muito trabalho, dedicação e obstinação para superar tantas dificuldades, característica bem nordestina de não temer a luta, até porque tudo está consensualmente amarrado ao significado da maior intenção, que é expor os 9 estados com ética, decência e sem preconceitos.

NORDESTE – O que motivou tamanha ousadia a partir de um estado com economia limitada?

Walter Santos – Difícil, mas muito difícil mesmo foi gerar as condições para montar na Paraíba uma estrutura de comunicação de vanguarda chamada WSCOM, em 1999, abrigando o primeiro Site de notícias no estado e pioneiro no Nordeste quando não se falava em web jornalismo. Este foi um desafio extraordinário, mas que alicerçou as condições para 6 anos depois partirmos na criação da Revista porque a força da nova expressão de mídia fez surgir um boicote silencioso daí ter também nos motivado a dialogar para fora. Na história será preciso abrigar e registrar o WSCOM, ainda hoje líder, inovador e de vanguarda.

NORDESTE – Conte os primeiros passos e como a Revista foi montada?

Walter Santos – Em 2006, depois de uma pesquisa de mercado, fomos estimulados a montar uma publicação que desse cobertura aos fatos relacionados ao Nordeste. Em Copacabana, com o jovem publicitário Marquinho Daniel construímos a “boneca”, cujo protótipo foi mostrado pela primeira vez a Zé Ramalho, num almoço no Leblon, ainda com a denominação de Nordestenews. Dias depois, no apartamento de Jarbas Mariz, seu primo natalense, Marcelo Mariz, sugeriu excluir a palavra NEWS e assim foi feito.

NORDESTE – Como o Sr. lê a conjuntura do mercado de mídia no Brasil diante dos imensos efeitos da Pandemia e, antes disso, da internet/redes sociais influindo na sociedade e no modo de produção dos veículos?

Walter Santos – Antes de qualquer conceito de mercado precisamos admitir que vivemos a era da disrupção, ou seja, estamos convivendo com a eliminação de modos antigos de produção, sem que tenha havido uma evolução em si como se deram em fases passadas do rádio, impressos e TV. Vivemos movidos pela antecipação de costumes em face da Pandemia o desmantelamento do mercado onde, o que antes era domínio e privilégio de veículos, agora cada pessoa passou a ser seu próprio veículo com velocidade de disseminação de conteúdos e interatividade. Este último elemento veio para mudar o rumo da história.

NORDESTE – Na sua opinião, de que forma a sociedade está sendo livre para fazer suas escolhas de conteúdos diante da Inteligência Artificial que comanda processos de intermediação e influência?

Walter Santos – Sua abordagem traz um conjunto de novidades disruptivas sobre a força dos algoritmos que interferem fortemente no rumo das escolhas da sociedade. Deixamos de ter identidade nominativa para sermos números sequenciados num Big Brother que alteram nosso modo de escolhas. Um exemplo bem claro desse novo tempo foram as eleições de 2016 nos EUA e de 2018 no Brasil, quando houve uma significativa interferência externa, de diversos países, através de disseminação de fakenews, por meio de robôs, modificando o resultado eleitoral. No Brexit, do Reino Unido, o mesmo se efetivou, tirando o país da União Europeia por uso demasiado de fakenews, utilizando-se algoritmos. Em síntese, foram resultados manipulados. No Brasil, muitas pessoas foram votar contra um Kit Gay que nunca existiu mas impactou na decisão. Votamos sob pressão externa.

NORDESTE – No campo do mercado em si, como sobreviver diante deste novo tempo disruptivo e em cenários onde já não são apenas profissionais formados em jornalismo quem dão as cartas? E qual o segredo da sobrevivência comercial e/ou auto sustentação?

Walter Santos –Houve mudanças radicais na forma de produção e na sobrevivência comercial dos veículos. Até antes da Internet e das redes sociais, o mercado aplicava métodos de venda de espaços estáticos, formais, através de cálculos de centímetros quadrados, estipulando valores para página simples, página dupla, meia página, 1/4 página, etc – modelo hoje obsoleto quando identificamos que na nova era o valor discutido é por CPM (Custo Por Mil). Na prática, os novos modelos exigem audiência comprovada, rede de influências, a força dos vídeos como elemento multiplicador, áudios através de podcast, etc, daí quem não dialogar nessa dimensão beira ao fracasso.

NORDESTE – O que significa o empoderamento do internauta e qual a realidade olhando para o futuro?

Walter Santos – A velocidade da renovação do conteúdo e a possibilidade real de interatividade do(a) internauta tirou dos editores, redatores e veículos a supremacia da informação que quase não gerava espaço para contestação. O advento da Internet sepultou essa condição exclusiva e ofertou a força da opinião anônima dos internautas. E isto tem efeito gigantesco.

NORDESTE – O que o Sr. traduz como contribuição diferenciada da Revista para o contexto do mercado editorial.

Walter Santos – O fato do Nordeste dispor de um veículo de comunicação nacional/global, expondo toda sua realidade com contrapontos, mas sem distorções comuns em quem exerce preconceitos contra nordestinos, já é uma grande conquista. Depois, não nos esqueçamos que, durante toda a história brasileira recente, eram – ou são – os veículos de comunicação do Sudeste que produziam a leitura dos 9 estados, sem esconder formas de tratamento preconceituosas. A Revista NORDESTE cumpre também esse papel. Em tese, muito do que fazemos tem a ver com a sabedoria rejuvenescedora de Celso Furtado, Anisio Teixeira, Paulo Freire, etc.

NORDESTE – O que comprova sua assertiva de fora para dentro?

Walter Santos – Lembro bem que quando nos associamos à Associação Nacional das Editoras de Revista(ANER), à época presidida pelo importante e reconhecido editor Roberto Muylaert, eis que numa das reuniões da entidade em São Paulo, reunião em que estava o Dr. Roberto Civita – todo poderoso da Editora Abril (Veja) e sua esposa Maria Antônia – ele chegou a nos dizer: “você desmoralizou minha consultoria em São Paulo, porque depois de solicitar um estudo de mercado eles voltaram dizendo que inexistia viabilidade de Revista no Nordeste. Você simplesmente prova o contrário”.

NORDESTE – Acompanhando de forma permanente o conjunto dos Estados nordestinos, que valores diferenciados o Sr. distingue na convivência deles com o Brasil?

Walter Santos – O Nordeste é um ambiente democrático e nacionalista. Quando olhamos para a história dos 9 Estados, fico a imaginar que em pleno século XXI, com tantos avanços tecnológicos, grande parte das novas gerações do Sul, Sudeste e Centro-Oeste sequer sabem que Salvador/Bahia foi a primeira Capital do País e que, quando isso aconteceu quem comandava a economia era a produção da cana-de-açúcar ou que Recife teve o primeiro transporte público puxado por tração animal. Como afirmam Celso Furtado e Mangabeira Hunger, não existe solução definitiva para o Brasil que não seja integrando o Nordeste fortemente no desenvolvimento econômico do país.

NORDESTE – Mas, no tempo atual, que dados reais o Sr. apresenta para distinguir a atuação dos Estados nordestinos? E o PIB?

Walter Santos – Por motivos diversos, até de desinformação, muitos no Brasil ignoram o trabalho sistêmico dos 9 governadores nordestinos ao criarem o Consórcio Nordeste, cuja capacidade de inovação e de acordos coletivos fez com que fosse criado o Comitê Científico, que gerou as condições reais de fazer estatisticamente com que houvesse menos mortes do que nas demais regiões. E eles não se restringem apenas às circunstâncias, pois desenvolveram modelo que está ajudando os 9 estados a resolverem problemas comuns. Levemos em conta que ao longo dos últimos anos, os governadores do nordeste sofreram desatenções e perseguições do Governo Federal. Em contrapartida, quanto ao PIB, registre-se que, de 2003 até 2014, os estados cresceram como nunca, por força das políticas públicas adotadas pelo Governo Federal.

NORDESTE – Como sobreviver sem a SUDENE e ter a força de antes para construir o futuro de forma e à altura do desenvolvimento sustentável?

Walter Santos – Os tempos e suas circunstâncias se impõem. Como o Governo Bolsonaro nunca quis saber efetivamente de políticas de desenvolvimento para o Nordeste nem soube dialogar com os governadores, coube ao conjunto dos líderes constituírem o Consórcio Nordeste. Diante deste quadro, a SUDENE produziu seu PRDNE – plano de desenvolvimento, que acabou priorizando as 51 grandes e médias cidades nordestinas com certo distanciamento dos governadores.

NORDESTE – Chegando ao momento de comemorar 15 anos da Revista, produzindo a leitura do Brasil pela ótica e defesa dos 9 estados, o que esperar da publicação e quais seus desafios?

Walter Santos – A luta e a dedicação para manter a Revista comprometida com a ideia de reduzir as desigualdades e ampliar a inclusão social, visando eliminar o tal sub-desenvolvimento tão criticado por Celso Furtado, nos anima a desenvolver uma série de estratégias, fomentando a educação, a produção qualificada de conteúdos e, evidentemente, atraindo formas e projetos de vanguarda, como se dá com a plataforma BRNORDESTE – a mais completa estrutura de dados e de negócios do Nordeste brasileiro, que está sendo desenvolvida em sintonia com a UFPB. Muitas lives e lançamentos de livros marcam esta nova fase.

Reprodução: Revista NORDESTE

NORDESTE – Como é dialogar com instituições representativas como Consulados e Embaixadas estrangeiras?

Walter Santos – Na conjuntura global, a informação passou a ser mais do que conteúdo em si, é um atestado de poder. Quem tem conhecimento tem poder. Anos atrás entrevistamos a Cônsul Usha, dos EUA, como faremos com a atual Jéssica Simon, mas lembremos que no ano passado fizemos uma Edição Especial sobre os 45 anos das relações da China com o Brasil e há algum tempo estamos construindo entrevistas com pessoas de expressão nos diversos países, inclusive, Portugal, a exemplo do Primeiro Ministro Antônio Costa. Vamos ampliar o diálogo com outros países de língua portuguesa.

NORDESTE – E o que esperar dos entendimentos com a lusofonia?

Walter Santos – O universo dos países de língua portuguesa sempre nos chamou a atenção. Nos últimos tempos, temos ampliado os diálogos para fortalecer os países da lusofonia. Isto nos inspira a ampliar os projetos de fortalecimento comuns.

NORDESTE – E agora?

Walter Santos – Precisamos nos dedicar cada vez mais à luta pela redução das desigualdades, oportunizando condições do Nordeste avançar mais. Aproveitando o espaço, gostaríamos de agradecer a todos que contribuíram para chegarmos até aqui, colaboradores, patrocinadores, leitores, pois temos muito, mas muito mesmo a produzir para que o futuro se consolide de forma a criar novos espaços de comunicação e representação social, econômica e cultural do Nordeste do Brasil. Muito obrigado à nossa família e aos amigos por acreditarem em sonhos difíceis, mas possíveis de realização.

NORDESTE – Então para por aí?

Walter Santos – Agir alinhado com a ousadia e mudanças não para nunca. Aguardem a plataforma BRNORDESTE, a implantação de aceleradora através do CEEI – Centro de Estudos de Excelência e Inovação – Professor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, startups, documentários e muitas lives.


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